Lojas não essenciais reabrem livres de fiscalização no Alecrim

Publicação: 2020-06-06 00:00:00
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Mariana Ceci
Repórter

Apesar das medidas de isolamento mais rígidas estabelecidas pelo decreto do Governo do Estado publicado na quinta-feira, 4, o bairro do Alecrim, que concentra a maior parte do comércio de rua em Natal, amanheceu nesta sexta-feira, 5, com lojas abertas e grande circulação de pessoas. De acordo com especialistas do Comitê Científico da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN), que analisou e aprovou o plano de retomada da economia proposto pelas entidades do comércio e da indústria no mês de maio, o descumprimento das medidas torna mais distante a possibilidade de retomada gradual prevista para o dia 17, que só acontecerá mediante condições sanitárias, como achatamento da curva de óbitos e contágio, e redução das taxas de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a, pelo menos, 70%. 

Créditos: Magnus NascimentoPoliciais militares que na quinta-feira, 4, foram usadas para dar apoio no fechamento dos camelôs passaram pelo local nesta sexta, 5, e não questionaram reaberturaPoliciais militares que na quinta-feira, 4, foram usadas para dar apoio no fechamento dos camelôs passaram pelo local nesta sexta, 5, e não questionaram reabertura


Essas condições, de acordo com a infectologista e membro do Comitê Estadual Marise Reis, só serão atingidas com uma adesão massiva da população ao isolamento, algo que não aconteceu ao longo de todo o mês de maio no Rio Grande do Norte. “A abertura só vai acontecer se as condições sanitárias permitirem. Isso está tanto no Decreto como no Plano de Retomada. Dia 17 não é o dia que a cidade está aberta para todo mundo ir para a rua, para a praia e viver como se nada tivesse acontecido. Esse modo de viver, mais afastados uns dos outros, vai continuar até a epidemia acabar, e nós não temos perspectivas de que ela acabe antes do final do ano”, explicou Marise Reis. 

Na avaliação do Comitê, mais importante que as medidas rigorosas adotadas no último decreto, é a garantia de fiscalização para que os serviços não essenciais estejam de fato fechados, e que os serviços autorizados a abrir cumpram as medidas de segurança exigidas. 

O Alecrim, na perspectiva dos especialistas, é um dos bairros que já deveriam ter sido fortemente fiscalizados desde o primeiro decreto, em março, com maior comprometimento do município. “As coisas que estavam abertas não fazem parte dos serviços essenciais. Por que não fecharam gradativamente, ainda naquela época? O município não se comprometeu com isso, e isso precisa ser dito”, ressaltou Marise Reis

Após a fiscalização que aconteceu na manhã da quinta-feira, o presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (AEBA), Pedro Campos, afirmou que alguns estabelecimentos não abriram nesta sexta-feira. “Após o que ocorreu ontem, estão abertos os serviços essenciais aqui no bairro. Algumas das lojas que estavam funcionando optaram por seguir o decreto", disse. 

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no bairro na sexta-feira, e observou que não havia apenas serviços essenciais abertos, mas também camelôs e outros tipos de lojas que não se encaixam nas categorias definidas no Decreto Estadual. A equipe de reportagem também não observou, entre as 9h e as 11h da manhã, a presença de órgãos fiscalizadores de qualquer instância, Municipal ou Estadual, para garantir o cumprimento das medidas.

Na quinta-feira, a ação de fiscalização da Polícia Militar que determinou o fechamento dos serviços não essenciais no bairro provocou tumultos entre os comerciantes.





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