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Alex Medeiros
Longa vida ao Rei
Publicado: 00:00:00 - 20/04/2022 Atualizado: 21:11:02 - 19/04/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Ontem, dia do aniversário de 81 anos do rei Roberto Carlos, eu ouvi ainda de madrugada Caetano Veloso cantando “O Homem Velho”, canção gravada em 1984 no LP “Velô”. Num trecho, o baiano diz “o grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais, o homem velho é o rei dos animais”. Lembrei de Roberto, lembrei de quando menino ouvir um jovem em ritmo de aventuras caçando um leão solto nas ruas e que poderia se alimentar do seu amor.

Divulgação


Aquele rei, noutra vez, se dizia um gato negro desacatando outros bichos no telhado. Anos depois, cantou para salvar baleias e protestou contra o desmatamento da Amazônia. Foi o rei quem perpetuou uma gíria animal que se alastrou por gerações afora: “é isso aí, bicho”. O biógrafo Paulo César de Araújo conta que certa vez, numa rodovia dos EUA, o rei mandou seu motorista retornar, só para tentar salvar um louva-deus que teria sido atropelado por ele.

Eu não vejo no cantor uma grande referência ecológica, mas entendo a grandeza dos seus pequenos gestos em algumas causas, que se não o divinizam totalmente, o fazem bem maior do que grande parte dos súditos.

A construção do tecido sócio-cultural do Brasil nos últimos 60 anos tem, no seu alinhavo, a presença marcante dos fios musicais e comportamentais do artista e cidadão Roberto Carlos, por mais que tentem negar alguns protointelectuais.

Suas canções estão aí compondo currículos emocionais de gerações, todas invariavelmente com episódios pessoais envolvendo a figura do rei, presente como uma sombra sobre nossas cabeças e uma película colada aos corações.

Ditadores podem perpetuar-se por meio século no imaginário popular, devido à força da maldade. Mas, os reis, quando bondosos, seguem amados pela história afora. E ninguém, como Roberto, tem um culto nacional sem ser bom.

Atire a primeira pedra em seu cetro, quebrem seus discos, aqueles entre 30 e 100 anos que não tenham ao menos num dia na vida se deparado com ele exercendo influência sobre seus sentimentos, amorosos ou não. É tatuagem. 

Sou de 1959, ano-berçário da Bossa Nova, período em que um jovem cantor de boates, oriundo de Cachoeiro do Itapemirim, buscava seu lugar imitando a voz de João Gilberto, o bom baiano que subverteu as notas musicais no violão.

Minha geração, criada nas ondas do rádio, ouviu Roberto na placenta da Jovem Guarda, em escutas paralelas nos toca-discos dos adolescentes da geração anos 60. Criança de cinco, seis anos, eu vi a moda do Calhambeque.

Peguei carona no colecionismo com as figurinhas de chicletes estampando a brasa da Jovem Guarda, as letras do Iê, Iê, Iê que bebiam na fonte dos Beatles. Quando ouço “Splish, Splash”, pareço rebolado de volta à infância.

Dos muitos álbuns de figurinhas editados a partir do apelo midiático da turma de Roberto Carlos, todos trazendo o mesmo título “Ídolos da TV”, guardo ainda quatro deles, completos, e onde o rei é a figura mais importante e repetida.

Busquei aqueles cromos com especial atenção em duas grandes imagens, completadas a partir de várias figurinhas coladas numa espécie de mosaico, e que tinha o rei no seu calhambeque e com a camisa da seleção brasileira.

De lá para cá, Roberto Carlos atravessou seis décadas reinando absoluto, senão como o melhor artista da MPB, mas consagrado indiscutivelmente como o maior. É parte da historiografia das ruas e ídolo também dos demais artistas.

O rei atingiu aquele patamar onde pode-se ser contra ou a favor dele, mas nunca sem ele. O Brasil não é indiferente ao seu vasto repertório que atende todas as tribos. E a ninguém é permitido ignorar a longa onipresença do Rei.

Voltando à canção de Caetano Veloso, citada lá no começo desse texto, há outro trecho que diz assim: “A solidão agora é sólida, uma pedra ao sol... As coisas migram e ele serve de farol”. Viva o rei, toda luz ao rei!

Revanchismo
 A esquerda e a velha imprensa remexem na crise institucional de 60 anos atrás para realimentar o ódio aos militares, tentando impor uma versão revanchista na esdrúxula proposta da Folha em revogar a Lei da Anistia vogada em 1979.  

A rejeição 
Os 43% de rejeição da governadora Fátima Bezerra registrados numa pesquisa de março lembram uma outra pesquisa bancada pelo diretório nacional do PSD em meados de 2014 apontando 44% de rejeição para Henrique Eduardo Alves. 

SOS Cultura 
Outro dia alertei da necessidade de ajuda ao cantor Jorge Luiz, nosso clássico seresteiro, hoje cego e sem sustento. Agora, eu reedito o apelo para o artista plástico Assis Marinho, que se encontra internado no Hospital dos Pescadores.

Redinha 
Ainda bem que a Prefeitura de Natal foi ágil na demolição do velho mercado praiano para iniciar as obras de instalação do Complexo da Redinha. Essa agilidade pontual impediu os grunhidos das viuvinhas do Hotel Reis Magos.

Casarão
 As imagens da antiga “Casa do Governador”, em Petrópolis, circulam nas redes sociais exibindo o desgaste estrutural e arquitetônico. Apesar de imóvel particular, não custa uma parceria para recuperar e resguardar sua história.

Quarta na TV 
Chelsea x Arsenal, Manchester City x Brighton, Osasuna x Real Madrid, Angers x PSG, Juventus x Fiortentina, Flamengo x Palmeiras, Juventude x São Paulo, Ceilândia x Botafogo, Coritiba x Santos, Fortaleza x Vitória, ABC x Paysandu. 

Pirataria 
A Polícia Civil carioca realizou ontem a Operação 404 que combate sites, aplicativos e equipamentos que vendem assinaturas de sinais piratas de TV, filmes, séries e serviços de streaming, através de internet e captação de IPTV.

Pirataria II 
Apenas no Rio de Janeiro, os 13 endereços investigados somam 46 milhões de acessos ilegais, causando um prejuízo estimado em R$ 100 milhões. Quando a Polícia quer, localiza o esquema que atua via Pix e até com lojas e quiosques.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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