Luísa e Os Alquimistas lança o brega wave Jaguatirica Print

Publicação: 2019-09-27 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

A artista Luísa Nascim surge felina e mais dançante do que nunca no mais novo disco da banda Luísa e Os Alquimistas, o terceiro da carreira do grupo, cujo lançamento nas plataformas digitais acontece exatamente nesta sexta-feira (27). Batizado com o nome “Jaguatirica Print”, o álbum revela uma artista afinada com a recente musica urbana nordestina – leia-se: brega funk, batidão romântico, arrocha, ritmos que já orbitavam o universo de referências musicais da banda, mas que agora aparecem transmutados num ambiente experimental de novos timbres, arranjos e letras. O produto final é bem resolvido. “Jaguatirica Print” é bastante diferente dos trabalhos anteriores, mas você consegue reconhecer ali a identidade do grupo.

Felina e festiva, Luísa Nascim  chega com seus Alquimistas para fazer dançar nesta miscelânea de ritmos que compõe o Jaguatirica Print
Felina e festiva, Luísa Nascim chega com seus Alquimistas para fazer dançar nesta miscelânea de ritmos que compõe o Jaguatirica Print

“Esse trabalho tem uma linguagem mais pop, mas também tem um lado B que lembra umas paradas undergrounds do começa da banda. Tem o batidão romântico, o brega funk, o arrocha, sons que já tinham nos nossos shows, mas que agora aprofundamos e colocamos outras coisas, como o afropop, ragga, porque era nossa ideia fazer algo mais dançante”, comenta Luísa Nascim em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. “Antes desse disco a gente tocou bastante, acompanhou legal como as coisas funcionam com o público, afunilamos algumas coisas... tudo isso ajudou a gente a se encontrar como banda e a entender melhor o nosso próprio som”.

Sucessor de “Cobra Coral” (Dosol, 2016) e “Vekanandra” (2017, Rizomarte e PWR Records), “Jaguatirica Print” é fruto de uma parceria com a Natura Musical e foi composto e gravado entre Natal e São Paulo, cidade onde Luísa está morando desde o ano passado. A produção musical do disco é assinada por Gabriel Souto e Pedras, que junto à Zé Caxangá formam Os Alquimistas potiguares. Digo potiguares porque na capital paulista a cantora precisou montar uma outra banda pra poder se apresentar. Nessa história entram os músicos Pedro Regada, Carlos Tupy e Tal Pessoa, que mantém a pegada alquimista na parte sul do país. Na gravação do disco todo mundo esteve reunido.

“Decidir vir para SP não foi fácil. Tava indo sem banda, pensei será que eu vou começar do zero de novo? Ai na casa onde cheguei pra morar encontrei o Pedro Regada, que eu já conhecia da Paraíba. Com ele daria para fazer umas apresentações no formato voz e batida. Só que nos ensaios apareceram o Tupy e o Tal Pessoa, então pude repetir a formação que tinha lá em Natal”, lembra a artista. “Funcionou bem, começamos a tocar por aqui, fomos ao Rio, Brasília. Deu certo. Mas não ia abandonar os meninos de Natal, foi com eles que tudo começou. Ai quando passamos no edital do Natural pude juntar todo mundo. E depois ficou assim: quando toco no Nordeste, ensaio com os meninos de Natal, quando toco por aqui, tem os meninos de São Paulo. Tem funcionado super bem”.

O disco ecoa diferentes narrativas femininas, impulsionadas pelas vivências e trajetórias musicais das várias cantoras e compositoras que fazem participação no álbum. São elas a rap e repentista Jessica Caitano, natural da cidade de Triunfo (PE), Catarina Dee Jah, que vive em Olinda (PE), Doralyce, pernambucana radicada no Rio de Janeiro, Sinta A Liga Crew e Jamila, que são da cena de João Pessoa (PB), e Luê, que vive em São Paulo, mas vem de Belém (PA). Além delas há a participação de Izy Mistura, cantor do Togo que está radicado no Brasil. Ele colabora na faixa “Tous Les Jours”, um dos melhores momentos do disco.

“Essa música foi feita na residência Redbull, antes do projeto do disco. o Teago [Oliveira, do Maglore] e o Gustavo estavam criando um beat. O Izy também estava na residência, ele passou na sala, curtiu o beat e a gente começou a fazer a música, bem despretensiosamente mesmo. Ela é bem diferente das outras, mas gostei muito do resultado, é algo meio afro-latina, tem uma letra sensual que fala de um encontro entre duas pessoas”, conta Luísa. A artista também destaca os principais temas do disco. Esse trabalho é mais sobre vivência urbana, tem o movimento que eu fiz ao sair de Natal e vir para São Paulo, mas falo também da praia, porque é de onde eu venho. E lugar de fala é o da mulher nordestina, das suas experiências”.

A identidade visual, algo sempre bem trabalho nos projetos de Luísa, traz como referências a estética tropical nordestina e vinis dos anos 80, e se desdobra na capa, fotos de divulgação e até nos videoclipes – que por sinal, tem dois engatilhados para sair.

“Dia 30 sai o vídeo da música 'Olhos de Tocha', onde gravamos no Beco da Lama, no campo do Botafogo, lá na Vila de Ponta Negra, com os meninos do passinho, também contamos com a participação de figuras com trabalho legal na cidade, e tem a participação também do Yrlan, que trouxemos de Recife para fazer a coreografia. É um clipe que tá dando trabalho, mas tá ficando foda”, diz a artista. “Tem também o clipe do 'Garota Ligeira', em que gravamos imagens em Pipa, na Praia do Madeiro. É uma música que fala do mar, tem uma nostalgia da infância, então fizemos imagens onde tem essa relação com o lugar onde crescemos, a Luê, que faz participação na música, mandou umas imagens que fez em Belém”. Ambos os clipes foram feitos com patrocínio do edital de economia criativa do Sebrae-RN.

O primeiro show do disco novo já tem data: será no dia 4 de outubro em João Pessoa. Na sequência vem Recife, no baile Perfumado, dia 5, depois São Paulo, Manaus, Porto Alegre e Natal no dia 23 de novembro, no palco do Festival Dosol. “Estamos com novo figurino, coreografia. Pra o show no Dosol estamos querendo trabalhar com projeções, vamos ver se dá certo. Também estaremos acompanhados da Jéssica Caetano. Vai ser um show massa, dançante”, garante Luísa Nascim.

Faixa a faixa
“Descoladinha" (feat com Jéssica Caetano): um brega funk com elementos do dancehall que fala das descoladinhas do Nordeste, aquelas garotas que saem pra balada vestidas com personalidade.

“Tous Les Jours" (feat com Izy Mistura): afropop envolvente e sensual, com letra em português, francês, espanhol e inglês.

“Cadernin": uma sexy lovesong que fala de saudade, como define a artista. A inspiração é no movimento Batidão Romântico da Paraíba, mas com elementos do hip hop, pop e R&B dos anos 2000.

“Calor no Rio" (feat com Doralyce): tecnobrega dançante com timbres de surf music.

“Jaguatirica Print" (feat com Sinta A Liga Crew, Jessica Caitano e Jamila): mistura de brega funk, reggaeton e música eletrônica, para um letra que fala do amor entre mulheres com variados estilos de versejar.

“Olhos de Tocha": um brega funk pra dançar na coreografia.

“Garota Ligeira" (feat com Luê): com referências à música caribeña e com timbres que lembram os carnavais fora de época do Nordeste anos 90.

“Furtacor": Bregão, com toques de arrocha, é canção pra dançar de rosto colado.

“Sol em Câncer" (feat com Catarina Dee Jah): mistura xote, dub e música eletrônica sobre o movimento de êxodo do Nordeste para o Sudeste.

“Algoritmos": um dub envolvente que também mergulha no tema das dificuldades e desafios da mudança para São Paulo

“LikeAttack": o dub digital que faz uma crítica irônica ao mundo superficial do Instagram.







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