LUIS FERNANDO VERISSIMO, “Ironias do tempo” (2018, Objetiva, 210 p.)

Publicação: 2019-04-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Alexandre Alves, Doutor em Literatura e professor da UERN
alexandrealvesuern@gmail.com

A tarefa do cronista é muito difícil após as conquistas do Modernismo. Se antes havia um Machado de Assis no século XIX ou um Lima Barreto nos primórdios da centúria passada (entre outros autores que sobreviveram devido à qualidade de suas crônicas semanais nos jornais do Rio de Janeiro), após a liberdade de expressão proposta pelos modernos de 1922, tudo passou a ser mote para se escrever, daí o perigo do efêmero virar esquecível. O gaúcho Verissimo é conhecido por seu humor (por vezes ácido) e por escrever toda semana para veículos diversos em sua já longa trajetória de escritor. Quem reúne aqui alguma produção recente do sulista é a dupla de “fãs” Adriana Falcão e Isabel Falcão. Se não se pode culpá-lo por repetir temas já tão batidos em sua escrita – a metalinguagem cansa em “Esdruxulices”, “Alfabeto” e “Me liga” –, a escolha de crônicas menos óbvias dão o tom, por exemplo, do retrô-futurista “Entrega em domicílio”, imaginando-se um mundo no qual ninguém sai de casa e os motoboys controlam as ruas. Costumes urbanos circundam na quase frenética “O som da época” (o alarme contra roubo é a trilha sonora quase apocalíptica!) e na percepção sobre figuras humanas como o “Padre Alfredo”, entre a esclerose e a sobriedade sobre a união a dois. Em “Para sempre”, o misto de amargura e ironia ronda a temática da existência e da suposta vida eterna (“um pesadelo para os sistemas previdenciários”, diz um trecho). Tem de quase tudo aqui: futebol, política, cotidiano, amor, ironia. Pegue o seu Verissimo e escolha, mas saiba que nem tudo sobrevive.

VÁRIOS, “Revista da ANL número 58” (2019, ANL, 260 p.)
Cada vez mais vistosa, a revista trimestral da Academia Norte-rio-grandense de Letras investe em número temático sobre as potiguares, aqui sob os auspícios da dupla Diva Cunha e Rizolete Fernandes (co-editoras convidadas). Ao longo da publicação aparecem mais de 20 textos acerca da produção feminina local (os estranhos no ninho ficaram com Nelson Patriota, escrevendo sobre a autora ianque Kristen Roupenian e seu conto “Cat person”, e Marize Castro, tratando de Hilda Hilst). Há ensaios sobre nomes mais conhecidos como Nísia Floresta, a cargo de Constância Lima Duarte, e Zila Mamede, esta ganhando textos de Gildete Moura e de Vicente Serejo, este trazendo larga lista da presença da poetisa em coletâneas no Brasil e mundo afora. Textos de claro interesse ao leitor que deseja saber mais da cultura potiguar estão nos ensaios de Diva Cunha sobre a autora Madalena Antunes e de Leide Câmara com o texto “A mulher e a música na academia”. Sobre nomes contemporâneos surgem os informativos textos de Carmen Vasconcelos sobre a poesia de Jeanne Araújo e o da professora Araceli Sobreira sobre os versos de Iara Carvalho. Mais incisiva está a visão comparativa escrita por Ludmila Gesteira em artigo sobre a lírica de Ferreira Itajubá e de Palmyra Wanderley, pioneira no Modernismo potiguar. Falando nela, o editor Thiago Gonzaga expõe fotos raras de Palmyra ao longo do precioso “Presença de Palmyra Wanderley na imprensa brasileira”, exímio trabalho de detetive. Há ainda as seções de narrativas e de poemas (Anchella Monte e Lisbeth Lima na ala feminina).











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