Luiz Ruffato, ''A cidade dorme'' (2018, Cia. das Letras, 130 p.)

Publicação: 2018-05-16 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Alexandre Alves, Doutor em Literatura e professor da UERN
alexandrealvesuern@gmail.com

Aqui estão coletadas 21 estórias publicadas entre 2004 e 2017, primeira investida do autor no formato de livro de contos. Apenas uma das narrativas é inédita, o miniconto em monoparágrafo de “O homem que colecionava as horas”. Junto a ele, as micronarrativas de “Bandeira de luz”, “O homem na multidão” e “Promessa” são uma “prosa menor”, mais para indesejáveis fotos desfocadas que para a fragmentação pretendida. Esta é conseguida, bem ao estilo do autor, nas estórias de “Kate (Irineia)” – caberia bem em seu fragmentário romance “Eles eram muitos cavalos” (2001) –, “Lembranças” e “Destinos”, esta mais para prosa poética do que para conto (se fossem versos daria um belo poema). Apesar do tempo de preparo da edição, o autor mineiro – premiado e traduzido para várias línguas – acabou por criar um volume inconsistente, mas contendo ainda comoventes narrativas, como em “O dia que encontrei meu pai”, enredo em flashback brusco e cujo fantasma da ditadura perpassa um âmbito meio lírico meio realista do narrador ainda criança. No fatídico “A voz”, o personagem Naílson Pedreira, decadente locutor noturno de FM de cidade do interior, tem sua vida misturada à própria monotonia da vida do narrador. A angústia da cena prévia da morte ronda “A menina”, com o ambiente hospitalar funcionando como um personagem opressor. No cômputo geral, se a cidade não chega a dormir, o ruído é pouco no volume, causando um efeito quase moroso, vocábulo pouco desejável, ao menos na Literatura.

GILDO DA COSTA DANTAS, “Minérios do RN” (2017, Offset, 108 p.)
Fato pouco lembrado, mas importante para a economia local, o RN é o 4º. maior produtor de minérios do país. Em um misto de ensaio e reportagem, o autor da obra explora o temário mineral potiguar em cinco seções e segue informando sobre a Geologia no Brasil, passa pela explanação sobre os minerais em si até chegar aos capítulos “Faixa Seridó do Rio Grande do Norte” e “Indiscutível potencial mineral do RN”. Nestas partes surgem detalhes sobre a história da mina pioneira no estado, a Mina Quixeré (em São João do Sabugi), iniciada em 1943 e desativada nas décadas seguintes. Fato similar ocorreu com a famosa Mina Brejuí (em Currais Novos), funcionando desde meados de 1940 e tendo seu auge nos anos de 1970. Porém, no final do decênio seguinte quase todas as minas estariam fechadas devido ao baixo preço da scheelita. Na atualidade, o autor também expõe que a mina de ouro encontrada em Currais Novos – e cuja concessão envolve o governo do RN e a mineradora Crusader (da Austrália) – se encontraria paralisada devido à falta de... água! Sem ela é impossível a busca pelo minério cobiçado. No todo, faltou ao jornalista o rigor na citação das fontes, fato primordial (a seção de “Referências” é bastante incompleta). No curto prefácio, o ex-reitor da UFRN e poeta Diógenes da Cunha Lima, citando o desembargador Mário Moacir Porto, revela que este declarou certa vez que “as viagens espaciais só poderiam ser feitas com tungstênio, pela dureza do metal”. O poeta completa: “É o Seridó na lua”, sensacional percepção o minério potiguar, enquanto ele ainda existir.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários