Lula afirma que Palocci é “frio e calculista”

Publicação: 2017-09-14 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Curitiba (AE) - Ao ser novamente interrogado pelo juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que o ex-ministro Antonio Palocci não assumiu a responsabilidade por atos ilícitos que cometeu. Para Lula, Palocci, que está preso há quase um ano, "tem o direito de querer ser livre". “O que não pode é se você não quer assumir a tua responsabilidade pelos fatos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros", afirmou o ex-presidente. Lula rebateu afirmações de seu ex-ministro da Fazenda, que na semana passada, também em depoimento a Moro, disse que o ex-presidente fez um "pacto de sangue" com a empreiteira Odebrecht para o repasse de R$ 300 milhões em propinas.


Luiz Inácio Lula da Silva sugere que o ex-ministro da Fazenda não assume 'fatos ilícitos'

Cerca de dois meses após ser condenado por Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula voltou a ficar frente a frente com o juiz da Operação Lava Jato na primeira instância. Sentenciado no caso do triplex do Guarujá, o petista foi ouvido na ação penal na qual é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobrás.

Segundo o Ministério Público Federal, os repasses ilícitos da empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. O montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e uma cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo do Campo de R$ 504 mil.

A audiência na 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba durou cerca de duas horas. Demonstrando irritação, o ex-presidente deixou de responder a várias perguntas. Mas em diferentes trechos do depoimento não se furtou a falar do ex-titular da Fazenda, que tenta firmar um acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Lava Jato. Palocci foi classificado como "calculista", "frio" e "simulador".

"Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade", disse. "Fiquei muito preocupado com a delação do Palocci, porque ele poderia ter falado ‘eu fiz isso de errado, eu fiz isso’. Ele, espertamente, disse, ‘não é que eu sou santo’ e pau no Lula. ‘Não é que eu sou santo’, que é um jeito de você conquistar veracidade na tua frase. Eu fiquei com pena disso."

Questionado, Lula disse que sua relação com a Odebrecht era a mesma que ele tinha com todo o empresariado brasileiro. Sobre Emílio Odebrecht, disse que o empreiteiro, pai de Marcelo Odebrecht, era tratado como um grande empresário assim como outros. Questionado se Emílio levava às reuniões com ele pedidos de interesse do grupo, respondeu que as pautas dos encontros eram relativas ao "desenvolvimento do Brasil", nos quais os assuntos da Petrobrás estavam incluídos.

O petista disse não ter conhecimento do projeto de reforma do Instituto Lula, que, segundo depoimento dado por Alexandrino Alencar, um dos delatores da Odebrecht, teria sido apresentado a Lula. "Acho que é mentira", afirmou o petista.

Reação
Curitiba (AE) - O advogado Adriano Bretas, que defende o ex-ministro Antonio Palocci, titular da Fazenda e da Casa Civil, respectivamente, nos governos Lula e Dilma, reagiu ao depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamou o petista de "dissimulado". Segundo o defensor de Palocci, "Lula muda os adjetivos com relação às pessoas à mercê da conveniência dele".

"Enquanto o Palocci mantinha o silêncio, ele era inteligente, virtuoso. Agora que ele começou a falar a verdade, passou a ser tido e havido como uma pessoa calculista, dissimulada. Dissimulado é ele (Lula) que nega tudo aquilo que lhe contraria", afirmou Bretas. "Quando os documentos são apresentados perante ele (Lula), os documentos são falsos. Quando as provas são apresentadas perante ele, as provas são mentirosas", disse o advogado.  Lula chamou Palocci, ministro da Fazenda de seu governo, de "simulador" durante depoimento prestado ontem ao juiz Sérgio Moro em Curitiba.

Na semana passada, Palocci rompeu o silêncio e, também em depoimento a Moro, entregou o ex-presidente, a quem atribuiu envolvimento com o que chamou de "pacto de sangue" com a empreiteira Odebrecht que previa repasse de R$ 300 milhões para o governo petista e para Lula. Segundo Lula, Palocci se preparou para cumprir um "ritual" no interrogatório feito por Sérgio Moro na semana passada, com o objetivo de reduzir sua pena e conseguir a liberação de recursos bloqueados pela Justiça Federal no processo da Lava Jato.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários