Política
Lula diz que Brasil precisa fazer uma autocrítica geral
Publicado: 00:00:00 - 27/04/2019 Atualizado: 23:05:20 - 26/04/2019
São Paulo (AE) - Em sua primeira entrevista desde que foi preso em 7 de abril do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Sérgio Moro e o atual governo, e demonstrou preocupação com o futuro do Brasil. O petista foi entrevistado nesta sexta-feira (26/04) pelos jornais Folha de São Paulo e El País. Lula disse que o Brasil precisa fazer uma autocrítica e tem sido governado "por um bando de maluco".

Durante a entrevista que durou mais de duas horas, Lula fez algumas críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro, alegando que o país está sendo governado por "um bando de maluco". "Vamos fazer uma autocrítica geral neste País. O que não pode é este País estar governado por esse bando de maluco. O País não merece isso, e sobretudo o povo não merece isso", disse o ex-presidente. O ex-presidente disse que, se sair da prisão, quer "conversar com os militares" para entender o ódio ao PT.

Na crítica ao ministro da Justiça, Sergio Moro, o petista disse que o ex-juiz, que o condenou à prisão, "não sobrevive na política". "Eu tenho certeza de que durmo todo dia com a minha consciência tranquila. E tenho certeza de que o (Deltan) Dallagnol não dorme, que o Moro não dorme." Em julho de 2017, Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão no caso do tríplex no Guarujá.

Na sentença, o ex-juiz entendeu que Lula foi beneficiário de propina paga pela empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Esses valores, que somam mais de 3,7 milhões de reais, não foram pagos em espécie, mas por meio da compra e reforma de um apartamento no Guarujá, segundo o atual ministro. "O Moro tem certeza que sou inocente. O Dallagnol tem certeza que é mentiroso", afirmou e acrescentou que acredita que será inocentando no Supremo Tribunal Federal (STF). "Só quero que as pessoas julguem em função das provas", disse o ex-presidente.

O petista reiterou ser inocente. “Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira", declarou Lula aos jornais durante a entrevista que foi realizada na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena.

O ex-presidente contou que decidiu permanecer no Brasil após a condenação por ter certeza de sua inocência e disse que acatou a ordem de prisão com tranquilidade. "Fico preso cem anos, mas não troco minha dignidade pela minha liberdade. Quero provar a farsa montada". Lula destacou que tem "obsessão" por "desmascarar Moro", mas ressaltou que não tem ódio ou guarda mágoas.

Críticas ao governo
O ex-presidente disse ainda que o país alcançou atualmente o nível mais baixo de política externa e brincou que seu ex-chanceler Celso Amorim tem uma dívida por ter deixado Ernesto Araújo seguir carreira no Itamaraty. "Tenho orgulho e sonhei grande porque passei a ser um presidente muito respeitado. Sonhava em criar um bloco na América do Sul para termos força nas negociações com União Europeia, Estados Unidos e China. Individualmente somos muito fracos. O Brasil foi muito importante no G20 e tudo isso se desmanchou", destacou.

Lula também disse estar mais preocupado com a situação do país do que com o momento que enfrenta. "Eu posso brigar, mas o povo nem sempre pode". Sobre Bolsonaro, o petista disse que o ex-militar precisa construir um partido sólido para se perdurar. Afirmou que acompanha as trocas de fardas entre os filhos do presidente e seu vice, o general Hamilton Mourão. Aos jornalistas, Lula afirmou que era "grato" a Mourão "pelo que ele fez na morte do meu neto (Artur)". Mourão defendeu publicamente a ida de Lula ao velório.








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