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Política
Médico denuncia operadora por pressão e cita ameaças
Publicado: 00:00:00 - 12/10/2021 Atualizado: 22:37:07 - 11/10/2021
O médico generalista Felipe Peixoto relata, em entrevista ao Portal do Estadão, ter sofrido pressão da operadora de planos de saúde Hapvida para receitar o chamado ‘kit covid’, composto por medicamentos para tratar pessoas infectadas pelo novo coronavírus que não é indicado pela Organização Mundial de Saúde, como a hidroxicloroquina. Segundo ele, havia uma imposição da operadora. “Ameaçaram demitir qualquer médico que ultrapassasse a negativa de prescrever a droga mais de duas vezes consecutivas”, afirmou Peixoto, que deixou a Hapvida.

Reprodução
Agência Nacional de Saúde Suplementar fez diligências, em setembro, para apurar o caso

Agência Nacional de Saúde Suplementar fez diligências, em setembro, para apurar o caso


A rede é alvo de inquérito do Ministério Público do Ceará, Estado onde fica a sede da operadora, e foi investigada também pelo MP-SP. Em abril, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, do MP cearense, notificou a Hapvida a pagar multa de R$ 468,3 mil por impor, “indistintamente a todos os médicos conveniados”, que receitassem medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com covid.

As ameaças de demissão estão registradas em conversas no aplicativo WhatsApp, afirma Peixoto. Em uma delas, à qual o Estadão teve acesso, um superintendente da unidade onde Peixoto atuava cita um “ranking” de médicos que se recusam a prescrever hidroxicloroquina mais de duas vezes. “A orientação é desligar os colegas que entrarem nesse ranking 2x”, diz o texto. “Aqui no hapfor mesmo, já tivemos, infelizmente, que desligar uma colega por esse motivo”. A justificativa da operadora, de acordo com as mensagens, era de que a prescrição do “kit covid” havia sido adotada como um “protocolo” da instituição. “Os colegas (médicos) achavam um verdadeiro absurdo, alguns se calavam por medo de perder o emprego, muitos trabalhavam exclusivamente para a rede Hapvida, então, boa parte do orçamento ficaria comprometido”, diz Peixoto.

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo também apura a suposta pressão sobre médicos em um hospital da Hapvida em Ribeirão Preto. Os próprios médicos denunciaram ter sido coagidos para receitar o kit covid aos pacientes. Em uma investigação sobre o mesmo hospital, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) fez diligências, no dia 27 de setembro, na Hapvida para apurar o caso, também a partir da denúncia de médicos.

Defesa
Em nota, a Hapvida diz que, no ano passado, ainda havia um entendimento de que a hidroxicloroquina poderia trazer benefícios aos pacientes. “No melhor intuito de oferecer todas as possibilidades aos nossos usuários, houve uma adesão relevante da nossa rede, mas a adoção da hidroxicloroquina foi sendo reduzida de forma constante e acentuada. Hoje, a instituição não sugere o uso desse medicamento, por não haver comprovação científica de sua efetividade”. 

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