Médico fala da importância do diagnóstico precoce da Doença Carotídea

Publicação: 2017-10-12 16:48:00 | Comentários: 0
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Com mais de 40 anos de experiência na área clínica e acadêmica, o especialista cardiovascular Antônio Simi, de São Paulo, participante do 42º Congresso Brasileiro de Angiologia e de Cirurgia Vascular – CBACV, fala sobre a Doença Carotídea, a importância do diagnóstico precoce, as intervenções cirúrgicas e suas complicações. Ele diz, que se a doença for detectada precocemente, é possível tratar 90% dos casos. As artérias carótidas estão localizadas no pescoço e são vasos que transportam sangue arterial do coração ao cérebro. A Doença Carotídea ou Doença da Artéria de Carótida, conhecida como “aterosclerose das artérias carótidas” é uma enfermidade causada por uma substância cerosa, denominada placa de gordura (ateroma), que se forma no interior destas artérias, causando um estreitamento na carótida. Seu desprendimento denomina-se Embolia Cerebral e ao chegar ao cérebro ocasiona o  Acidente Vascular Cerebral Isquêmico – AVCi.
Dr. Antônio Simi participa do 42º Congresso Brasileiro de Angiologia e de Cirurgia Vascular
Diante de tantas campanhas que falam sobre o diagnóstico precoce, inclusive a ação realizada pela SBACV com o Check-up Vascular, o que você tem a dizer sobre isto?
O fundamento maior da medicina para a obtenção de bons resultados, está diretamente proporcional a precocidade do diagnóstico. O quanto antes diagnosticar a doença, melhor o médico consegue tratar o paciente. A Doença Carotídea é degenerativa e progressiva, portanto, quando se trata imediatamente, as consequências podem ser evitadas. Os procedimentos são totalmente diferentes em pacientes que já chegam com doenças avançadas do que aqueles que recorrem a exames periódicos, como o propósito do Check-up Vascular e descobrem no início. Para se ter uma ideia, hoje nós conseguimos tratar 90% dos pacientes com problemas de artéria de perna, que há anos não opero neste âmbito, graças a eficiência dos medicamentos que estão cada vez melhores e também por meio das orientações clínicas e a periodicidade que as pessoas estão procurando os consultórios.

Outros problemas de saúde podem potencializar a Doença de Carótida?
Sim. Por exemplo, quando recebemos um paciente em um estágio que ainda conseguimos orientar sobre dietas, exercícios físicos e medicamentos levando em consideração o Best Medical Treatment, evitamos que doenças paralelas como diabetes potencialize a ação da doença. Quando tiramos os fatores de risco do caminho, conseguimos tratar com êxito, sem interferências e evitamos levar os nossos pacientes às intervenções cirúrgicas.

A doença é mais incidente em homens ou mulheres?
A incidência é maior em homens e, de acordo com o envelhecimento, mais risco tem de desenvolver a doença, pois a artéria endurece com a idade e, no caso dos homens, a propensão a doenças obstrutivas das artérias é ainda maior.

Atualmente quais os principais procedimentos realizados?
Atualmente, o ideal é que consigamos tratar clinicamente orientando a reeducação alimentar e o estilo de vida. Por exemplo, se fuma, deve parar de fumar imediatamente. Orientamos o exercício físico e prescrevemos medicamentos. A tendência é tratarmos com o Best Medical Treatment. Outra forma é a cirurgia aberta na qual, procedida há anos e, também, a cirurgia endovascular que acontece sem cortes, por dentro dos vasos.

Cite um dos exames que auxiliam na detecção da doença:
No exame clínico já consigo descobrir algo por meio da palpação na área do pescoço onde a artéria está localizada, também com a ajuda do estetoscópio. Mas, caso seja necessário um esclarecimento ainda maior, o ideal é solicitarmos o Eco-Doppler, um exame semelhante ao ultrassom e útil no diagnóstico preciso e acompanhamento de condições vasculares. O Eco-Doppler vai me dar toda a característica da placa, se é calcificada ou mole e onde está localizada.

Qual a diferença entre a placa calcificada e a mole?
A calcificada é mais difícil de se locomover, apesar de precisar também de tratamento, é menos grave. A mole se desprende com facilidade e migra para o cérebro. 

*Com a colaboração de Karen Oliveira


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