Mãe clama por notícias de filho desaparecido na zona Norte de Natal

Publicação: 2020-10-29 00:00:00
Familiares, amigos e vizinhos do garoto José Carlos, de 8 anos, desaparecido há oito dias, promoveram um protesto no final da tarde desta quarta-feira (28), na zona Norte de Natal. Eles cobram investigações e respostas mais céleres da Polícia Civil, que investiga o caso. Durante a manifestação, o trânsito nas avenidas Moema Tinoco e na João Medeiros Filho ficou paralisado por cerca de uma hora. 

Créditos: Adriano AbreuOzenilda das Dores, mãe de José Carlos, relatou que jamais sentiu dor tão profunda como a que está vivenciando desde o dia 21/10Ozenilda das Dores, mãe de José Carlos, relatou que jamais sentiu dor tão profunda como a que está vivenciando desde o dia 21/10

Além de segurarem cartazes e faixas, as pessoas gritavam frases como “Queremos José Carlos” e “Justiça” para os demais transeuntes e motoristas que trafegavam pela região do bairro da Redinha, lugar próximo da moradia da família de José Carlos. Os manifestantes também atearam fogo em pneus e em outros objetos com o objetivo de fechar as vias.

“Nenhuma mãe queira passar pelo que eu estou passando", disse Ozenilda das Dores da Silva, 39 anos, mãe de José Carlos. “Quero justiça porque isso não é coisa que se faça com uma criança inocente. Estou sofrendo muito com minha família. Meu pai é doente e está chorando todo dia e meu menino era boa pessoa. A vizinhança aqui, ninguém tinha raiva dele”, complementou a mãe desesperada.

José Carlos desapareceu quando saiu de casa na manhã da  quarta-feira, 21, em direção ao semáforo do cruzamento entre as Avenidas João Medeiros Filho e Moema Tinoco, no bairro Pajuçara, na zona Norte, para entregar um suco ao irmão mais velho que trabalha no sinal. O irmão, de 11 anos, disse à reportagem que não chegou a encontrar com José Carlos. A família só tomou conhecimento do sumiço do menino às 15h, uma vez que nem o irmão nem José Carlos tinham voltado para casa.

O percurso desde sua casa, na Rua Rio Doce, até o cruzamento das avenidas é de aproximadamente um quilômetro. O menino pegou um atalho por uma estrada de barro, cercada de vegetação, e não chegou ao local para onde se dirigia. Desde então, a família realiza buscas, mas no trajeto que ele teria feito, nenhuma pista foi encontrada. 

A irmã de José Carlos, Rafaela Garcia, 18 anos, diz que novos protestos acontecerão para cobrar respostas do sumiço do garoto. “Enquanto ele não aparecer, vamos continuar fazendo. Enquanto não tivermos uma resposta, continuaremos cobrando”, declarou.

Durante o ato, não havia autoridades de trânsito presentes para controlar o tráfego tampouco acalmar os ânimos dos presentes. Alguns carros e motos tentavam desobstruir os bloqueios impostos, o que gerou revolta e discussões em alguns momentos. Somente às 17h50, a Polícia Militar chegou ao ato e acordou com a família e amigos que a movimentação se encerraria às 18h, assim como a desobstrução dos dois lados das avenidas.

“Se alguém levou, vai ter que trazer de volta. Isso aqui não é para fazer confusão não, isso aqui é justiça porque queremos José de volta”, dizia Joseane Barbosa, pedagoga.

Investigação
O desaparecimento de José Carlos está sendo investigado  pelo Núcleo de Investigação Sobre Pessoas Desaparecidas (NIPD), vinculado diretamente à Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A Polícia não vai se pronunciar para não interferir nas investigações. 

Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Civil, as oitivas estão acontecendo e há linhas de investigação definidas, mas os detalhes não serão revelados. Familiares e testemunhas estão sendo ouvidas.

Qualquer informação que ajude a encontrar José Carlos pode ser dada pelo 181, o Disque denúncia da Polícia Civil.

A Polícia Civil pede, ainda, que as pessoas evitem passar notícias falsas, os trotes, pois isso atrapalha as investigações em curso sobre o paradeiro do menino José Carlos.