Má fama da praia afasta visitantes

Publicação: 2010-05-25 00:00:00 | Comentários: 6
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Isac Lira - repórter

De principal point da cidade nos fins de semana a destino abandonado pelos consumidores e pelo poder público. É dessa forma que comerciantes, trabalhadores e frequentadores de Ponta Negra definem as transformações que a orla da praia vem passando há pelo menos cinco anos. Eles reclamam do movimento muito menor do que estavam acostumados na primeira metade da década. Como principais motivos apontados, estão a má fama conseguida pela prostituição que infestava a praia e pelos preços mais salgados do que o normal, além da falta de incentivo do poder público.

Comerciantes preocupados com a situação de abandono de Ponta Negra, tentam atrair o natalense novamente para a praiaJosafá Lima de Oliveira é proprietário de um dos quiosques da avenida Erivan França há 20 anos. Conhecedor das transformações que a orla da praia sofreu durante todo esse tempo, ele afirma que o movimento está fraco principalmente porque Ponta Negra não consegue mais atrair os natalenses. “Durante a época em que o turismo internacional dominou Ponta Negra, o natalense também se afastou. Hoje, esse turismo internacional também caiu e nós sobrevivemos do turismo nacional mesmo. Mas o natalense não voltou a frequentar a noite de Ponta Negra”, analisa. A reportagem esteve no último sábado em Ponta Negra e verificou o que conta Josafá. A praia, antes lotada ao ponto de não ter local para estacionamento, tinha poucos frequentadores.

O fenômeno, que é facilmente observável, principalmente para quem frequentava a noite da praia nos idos de 2004 e 2005, tem origem nos problemas sociais trazidos pelo dinheiro farto do turista internacional, na opinião dos que trabalham na orla. Josafá, por exemplo, afirma que a praia ficou manchada pela ostensiva prostituição existente antes da instalação de câmeras de segurança pela Polícia Militar. “Hoje está bem melhor depois que colocaram essas câmeras, praticamente não existe mais. Contudo, a má fama não será apagada tão facilmente, até porque a cidade hoje tem outros locais, que ocuparam esse espaço”, acredita.

Já o taxista Paulo Roberto do Nascimento, de 27 anos, aponta também os preços acima da média de outros locais da cidade como fator decisivo. Segundo ele, hoje muitos locais adequaram esses preços à realidade de Natal, porém, mais uma vez, a fama de local caro afasta os consumidores locais. “Antigamente, o preço era adequado à realidade do turista italiano, espanhol, português. Isso afastou muita gente e hoje há quem ache que continua da mesma forma”, opina.

Esse ponto é percebido também entre os próprios empreendedores da orla, como é o caso de Luís Travassos, dono de um dos restaurantes localizados na Erivan França. Ele comanda o restaurante há um ano e já chegou ao local sabendo que teria de mudar algumas coisas. “Os preços são acessíveis, não é aquela coisa feita pra turista. Mesmo assim ainda há quem prefira não vir a Ponta Negra por achar que vai encontrar prostituição e venda de drogas, o que não acontece mais. Nesse ponto, melhoramos bastante”, afirma. E complementa: “Aos poucos estamos conseguindo atrair o natalense de volta à Ponta Negra, o que é o grande caminho para a praia voltar a ser um point”.

A preocupação não atinge unicamente os comerciantes da avenida Erivan França. Os bares e restaurantes das proximidades da “rua do Salsa”, no alto de Ponta Negra, sofrem com o mesmo problema. Com um diferencial que é público e notório: ainda há pontos facilmente reconhecidos como de prostituição no local. O gerente de um dos barzinhos mais frequentados conta como faz para driblar a vizinhança indesejada. “Quando alguém me pergunta onde é o bar, por exemplo, eu digo para vir por outra rua, porque a “rua do Salsa” tem uma esquina totalmente dedicada à prostituição”, diz Mário Sérgio Miranda.

Sem atrativos

A infraestrutura da orla de Ponta Negra também é citada como ponto negativo, o que evidencia o descaso do poder público. A reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve na avenida Erivan França e verificou as calçadas mal cuidadas, a total falta de banheiros públicos e a ausência de eventos que atraiam o público novamente.

Esse também é o ponto de vista de Claudiana da Costa, que vende artesanato na praia. “Fica difícil atrair novamente as pessoas, se não tem um evento, um show, uma atração cultural. Dessa forma, o público, quando vem, é para comer alguma coisa, mas aí eles chegam e vão embora. Ponta Negra está abandonada”, resume.

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Comentários

  • ewnatal

    Infelizmente Natal optou pelo turrismo como principal fonte de renda. O turismo q traz lucro é o de negócios. A falta de planejamento e estratégia pro turismo só trouxe problemas para a nossa cidade: crescimento alarmante do tráfico de drogas, prostituição, assaltos e muita carestia. Precisamos de indústrias de grande porte para a nossa região. Poderiam investir num pólo de tecnologico e na expansão do comércio.

  • ruymedeirosnatal

    Sr. Editor, Já era esperado que um dia isto acontecesse na orla de Ponta Negra. Os natalenses foram \"expulsos\" dali por não suportarem, além da prostituição e outras mazelas, a prática criminosa de preços altos, quase sempre cotados em euro pelos comerciantes. Agora, sem os \"ricos\" turistas operários europeus, voltaram a se lembrar que os natalenses existem. Talvez agora seja tarde. Que sirva de exemplo para todos aqueles que fazem do turismo um meio de extorsão e usura - O melhor turista ainda é o daqui mesmo. O natalense.

  • repres.rn

    BEM FEITO AOS BARRAQUEIROS SAFADOS QUE COBRAM 5 REAIS P SENTAR-SE, AONDE SE VIU ISSO!

  • miguelcruzp

    Além dos problemas dos preços absurdos e da prostituição, tem também a eventual fedentina devido a anos de esgoto sendo jogados na praia. Vc já viu algo em Natal que depende do poder público ter o cuidado que deveria ter. Me lembro das promessas de \"vamos cuidar de nossas praias\", tudo mentira eleitoreira, e agora vem os comerciantes que sempre trataram mal os natalenses mendigar a volta deles á praia. O nosso Estadinho do Rn, infelizmente é atrasado em quase tudo nessa vida, enquanto tiver essa politicagem de meia tigela no nosso Estado, nada vai mudar. O descaso vai bater longe na orla, quando começaram a duplicação da via costeira, disseram que iam fazer 14 acessos para a praia, seria bom tanto pro turista ( já vi vários atolarem o carro tentando descer da via costeira para a praia) quanto pro natalense que já tem poucas opções de lazer. Por mim, danem-se os comerciantes gananciosos que exploram e humilham os natalenses e os políticos amadores daqui, queria era ver nossa Ponta Negra limpa, sem esgotos, porém acho difícil acontecer pq infelizmente depende da vontade política de: Micarla; Iberê (Wilma); Garibaldi; Zé Agripino; Rosalba; Henrique Alves (inerte ao extremo); Carlos Eduardo...etc. Não dá pra ver solução com tanta gente que há muito tempo só pensa em eleição. E o pior, o povo ama e idolatra essa gente de 4 em 4 anos, resultado: Da-lhe fezes nas praias, da-lhe abandono do Parque da Cidade durante anos, da Cidade da Criança durante anos, do Machadinho durante anos, das nossas ruas esburacadas... É muito desmantelo e incompetência para uma capital que não tem nem um milhão de habitantes.

  • tioalci

    Eu me lembro que no início da década as barracas não eram padronizadas e apesar disso chamava muita gente apesar de naquele tempo os preços já serem bem salgados. Depois que a prefeitura naquele tempo começou uma padronização, muita gente reclamou, mas depois se acostumou. Alguns anos atrás, houve uma incursão policial e da vigilância sanitária justamente onde se reclama que hoje estão com prejuizos. Eu não sei se são as autoridades ou a imprensa que querem agora culpar a população por uma coisa que eles fizeram, afinal a abordagem policial e sanitária, pelo jeito não foi planejada, afinal fizeram tudo \"a seco\" ou seja prenderam as pessoas na frente de todo mundo, inclusive dos gringos. Isso deveria ser feito devagar e de uma maneira menos brusca. A policia contava em apenas amedrontar os gringos e não previu que eles fossem abandonar a praia. Por culpa de uma falta de planejamento da Prefeitura, orgãos de turismo, policia, vigilância sanitária e imprensa que deveriam ter feito um projeto, acabaram por espantar todo mundo do local e agora querem colocar a culpa nos natalenses. Caso não seja feito um estudo urgente de como chamar de volta as pessoas para o local, a praia de Ponta Negra estará fadada ao eterno prejuizo.

  • zebregueis

    A burrice acabou com o turismo em Ponta Negra. A Globo acabou com o turismo de Ponta Negra. A falta de educação ... A falta de visão...Fortaleza e Recife agradecem a incompetência dos administradores potiguares, rs