'Mão' de milho mais barata não aquece vendas

Publicação: 2019-06-16 00:00:00 | Comentários: 0
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As vendas do principal ingrediente que compõe a mesa de comidas típicas das festas juninas ainda está em baixa na capital potiguar. Na Feira do Milho, localizada na área externa da Central de Comercialização da Agricultura Familiar, vendedores se preocupam com as baixas vendas que, se não melhorarem até o fim de junho, vão representar o segundo ano de prejuízo para os agricultores familiares que comercializam o produto.

Comerciantes acomodam seus produtos na feirinha do milho na área externa da Central de Agricultura Familiar
Comerciantes acomodam seus produtos na feirinha do milho na área externa da Central de Agricultura Familiar

O agricultor familiar Hélio Fonseca de Moura, de 64 anos, conta que o ano de 2018 foi de prejuízos para os produtores de milho. “Ano de Copa do Mundo é sempre assim, a procura é muito baixa porque as festas juninas ficam de lado”, diz o agricultor. Hélio vende seus produtos há mais de 20 anos no local onde hoje fica a Feira do Milho, no cruzamento das avenidas Capitão Mor Gouveia e Jaguarari.

Esse ano, a “mão” do milho, composta por 50 espigas, está mais barata do que o ano passado, sendo vendida a R$ 25 pelos comerciantes. Em 2018, o preço médio era de R$ 30 na feira da área externa da CECAFES.

De acordo com ele, para ter um ano de “boas vendas”, é necessário vender entre 250 mil e 300 mil espigas de milho. “Em 2018, vendemos umas 120 mil”, relata o agricultor, menos da metade do que era esperado para o período.

Esse ano, as vendas estão melhores do que no ano passado, mas ainda não estão boas, influenciadas pelas fortes chuvas que vem caindo na capital desde a última quinta-feira (14). Hélio e os outros agricultores familiares que fazem a venda do milho ficam na área externa da Central de Comercialização, protegidos por tendas.

A proteção, no entanto, não é suficiente para impedir que o vento leve a chuva para cima dos comerciantes, o que acaba afastando alguns clientes do local e deixando os vendedores expostos ao clima.

A expectativa, de acordo com os agricultores, é que as vendas melhorem a partir da próxima semana, com a aproximação do dia de São João, 24 de junho. “Muita gente deixa para comprar mais perto das festas de família, ou de quando tem alguma data de celebração. Estamos esperando que na próxima semana as vendas melhorem, se a chuva ajudar”, diz Hélio.

Não é para todos os produtos juninos, no entanto, que as vendas estão baixas. Nos canteiros onde se comercializam fogos e roupas típicas de São João, os comerciantes estão animados com as vendas de 2019, que até agora vem se mostrado melhores do que as do ano passado, que assim como nas vendas de milho, registrou queda na procura dos produtos graças à Copa do Mundo.

No canteiro próximo ao cruzamento das avenidas Prudente de Morais e Antônio Basílio, um dos locais tradicionais onde as barracas que vendem roupas juninas e fogos ficam instaladas na cidade, o estudante de administração Iago Ribeiro, de 25 anos, conta que as vendas na barraca que divide com a prima há quatro anos vão bem. “O nosso estoque é de cerca de 500 peças, e já vendemos aproximadamente 70% disso”, relata.

Em outra barraca próxima,  Irani Pereira, de 52 anos, também relata boas vendas esse ano. “Já preenchemos o estoque cinco vezes, e estou considerando ir novamente à Caruaru pegar mais peças”, relata Irani, que é uma veterana na venda de produtos juninos em Natal, trabalhando há 33 anos com esse tipo de comércio. “É uma forma de complementar a renda. Peço alguns dias de férias no trabalho nesse período junino, outros no carnaval, e assim vamos levando.”, conta.

Os preço dos produtos varia desde R$ 50, para as roupas mais simples, até os R$ 140, para figurinos mais elaborados de São João. Fogos, bombas, “chuveirinhos” e “traques” também são vendidos nas barracas.

As vendas de artigos juninos seguem até o fim do mês de junho, nos canteiros de avenidas como a Antônio Basílio, Engenheiro Roberto Freire e Ayrton Senna. A Feira do Milho, por sua vez, segue no pátio externo da Central de Comercialização da Agricultura Familiar. O produto também pode ser adquirido nas várias feiras abertas da cidade, como a do Alecrim, Cidade da Esperança e Cidade Satélite, além dos próprios supermercados.





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