Mãos à obra em prol do Juvino Barreto

Publicação: 2018-09-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Tadzio França
Repórter

Arquitetura como instrumento de conservação histórica e também de ajuda ao próximo: são traçados que vão se encontrar na Mostra Elos, projeto de um grupo de arquitetos natalenses que irá restaurar espaços avariados e comprometidos do Instituto Juvino Barreto, entidade que do alto de seus 76 anos, continua sendo referência em solidariedade aos idosos – e por isso mesmo, sempre precisa de ajuda. As obras começarão em outubro, e o resultado será exibido ao público em 29 de novembro. A mostra filantrópica pretende mostrar que  a estética também pode servir a uma boa causa.

Referência no acolhimento de idosos, o Juvino Barreto possui metrade de sua estrutura deteriorada, com vários espaços interditados
Referência no acolhimento de idosos, o Juvino Barreto possui metrade de sua estrutura deteriorada, com vários espaços interditados

Foram escolhidos 30 ambientes do instituto para serem trabalhados pela “força-tarefa” de arquitetos, engenheiros, designers de interiores e paisagistas envolvidos no projeto – ao todo, são 60 profissionais unindo forças pela instituição. “Arquitetura para mim sempre foi sobre transformar  lugares. É uma arte com função social muito forte”, afirma a arquiteta Mara Lorena, idealizadora do projeto ao lado de Larissa Magalhães e Juliana Maia, sócias proprietárias do escritório Renove Projetos.    

A partir do desejo comum em se engajar num projeto em que a arquitetura e a decoração fossem além da função estética, Mara e as sócias chegaram ao Instituto Juvino Barreto. “É um lugar de referência, que todo mundo conhece e respeita. Eu já havia estado por lá, mas ainda não tinha visto o local com mais cuidado. É incrível como há coisas a serem resolvidas”, diz. Lançada a ideia, a adesão espontânea dos profissionais foi massiva.

Subutilizado

A arquiteta explica que o Juvino Barreto tem um terreno de 15 mil metros quadrados, do qual só cinco mil é de área construída. Mas o problema real é outro: pelo menos 50% dessa área construída não está sendo utilizada por falta de manutenção; são espaços interditados, restritos, ou totalmente fora de uso por estarem com as estruturas comprometidas. Um reflexo crítico disso é que o abrigo está funcionando com capacidade reduzida: o local que já chegou a receber 170 idosos, agora tem apenas 58. São nesses pontos comprometidos que os arquitetos irão atuar.

A campanha contará com o engajamento de arquitetos, engenheiros, designers de interiores e paisagistas envolvidos no projeto – ao todo, são 60 profissionais unindo forças pela instituição
A campanha contará com o engajamento de arquitetos, engenheiros, designers de interiores e paisagistas envolvidos no projeto – ao todo, são 60 profissionais unindo forças pela instituição

A análise dos arquitetos e engenheiros encontrou uma série de ambientes carentes de cuidados e manutenção, como a ala interna dos dormitórios masculinos que estava com problemas na cobertura; o espaço de descanso dos funcionários; as áreas de circulação com acessibilidade têm várias imperfeições; e a antiga caixa d'água, que será demolida para dar lugar a uma nova. Mara Lorena ressalta que os idosos não serão perturbados durante as obras, já que estas serão feitas apenas nos espaços sem uso.

Beleza útil

A junção entre o estético e o funcional é o ponto central da Mostra Elos. Mara afirma que a ideia é que tudo seja projetado para ser útil, mas o trabalho não abrirá mão de ter beleza, criatividade, refinamento, e ser confortável aos olhos. “Será realmente uma mostra mas, claro, um pouco diferente daquelas focadas em exibir e vender. Mesmo assim mostraremos tendências, sofisticação, e também elementos de sustentabilidade, que estão bastante em alta atualmente e têm tudo a ver com o ambiente”, explica.

O Juvino Barreto é uma construção antiga, e suas características originais serão respeitadas pelos arquitetos. Mara Leone destaca a fachada, que tem as feições modernistas de sua época, a década de 40 do século passado, e será totalmente conservada. Os pormenores da restauração também passarão pelas janelas e esquadrias do prédio: as que estão em bom estado serão conservadas, e as que estão muito avariadas passarão por releituras bem próximas do original. Entrará  aí as habilidades dos restauradores. Mara ressalta que a parte mais delicada do trabalho está nas instalações elétricas e hidráulicas, que por serem muito antigas e gastas, terão que ser substituídas.

Os 30 ambientes restaurados e transformados serão expostos de 29 de novembro até 11 de dezembro. Será programado um horário especial para as visitas, além de uma programação com apresentações culturais. A diferença diferença é que essa mostra não será desmontada assim que terminar. “Ela será oficialmente entregue aos moradores do abrigo, para ser usada por eles. Essa é a segunda fase da Mostra Elos. E claro, quem quiser ver poderá ir ao abrigo normalmente, nos horários normais de funcionamento da casa”, acrescenta.

Os benefícios que a ação dos arquitetos trará para o instituto serão bastante significativos. A parte nova do Instituto contará com uma área terapêutica, com direito a sala de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, consultório odontológico, salão de beleza, sala de costura, e sala de trabalhos manuais. O trabalho de paisagismo também vai proporcionar uma área aberta de convivência mais bonita e convidativa. O trabalho promete ser um novo capítulo na longa e inspiradora história do Instituto Juvino Barreto.

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