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Esportes
Mãos mágicas: atleta potiguar de handebol disputa campeonato europeu
Publicado: 00:00:00 - 24/04/2022 Atualizado: 18:20:58 - 23/04/2022
Depois de realizar o sonho de defender a seleção brasileira e conquistar o título Copa América no Chile, o atleta potiguar Renato Neto, agora se prepara para encarar um novo desafio dentro do Handebol: disputar o campeonato europeu defendendo a camisa do Girona, da Espanha. A oportunidade é como se fosse um grande prêmio pelos bons serviços prestados dentro do esporte e surgiu depois dele se destacar vestindo a camisa amarelinha na competição realizada, no mês de abril, em Viña del Mar.

Divulgação
O atleta potiguar Renato Neto foi observado durante torneio de handebol disputado no Chile

O atleta potiguar Renato Neto foi observado durante torneio de handebol disputado no Chile


Não há como dissociar a boa atuação do jogador nascido em Mossoró do título conquistado pela Seleção Brasileira, uma vez que Renato foi o vice-artilheiro da Copa América, com 27 gols. Tudo é muito novo na carreira do atleta que se pudesse ser resumida em uma palavra, esta seria a perseverança.

“Momento mágico, convocado para a Seleção Brasileira de Handebol. Sonho realizado, momento único, fantástico, na vida daquele moleque que sonhava um dia vestir a camisa da seleção. O Choro foi inevitável a sensação inexplicável e a gratidão a Deus e aos que um dia acreditaram em mim, eterna”, ressaltou Renato Neto.

A convocação mostrou que valeu a pena apostar no esporte, ao qual passou a se dedicar com 14 anos, ainda no time do colégio, em Mossoró.

“Comecei a jogar com a professora Lúcia ( Narizinho ) e, como toda criança, sonhava em um dia vestir a camisa da seleção brasileira, em poder representar o nosso país e defender a nossa amarelinha. Isso já na época que participava apenas dos jogos escolares de Mossoró, com o professor João Eudes, Prof. Milla”, recorda.

Como sempre se destacou nas equipes que teve a oportunidade de defender, não foi difícil chamar a atenção das pessoas que praticavam o handebol em um nível mais alto, aquele que beira o alto rendimento.

“Quando ainda adolescente, no meu último anos de Juvenil, recebi o convite de Paulinho da Palco, para jogar pela equipe do Atlanta, esse time reunia os os caras que eu tinha como ídolos e ainda são, até hoje como os professores Roberto Leite, Nonato Bandeira e Plínio entre outros. Também consegui me destacar entre tantas feras e as portas foram se abrindo”, frisou.

Divulgação
Vestir a camisa da Seleção Brasileira foi um sonho realizado pelo craque Renato Neto

Vestir a camisa da Seleção Brasileira foi um sonho realizado pelo craque Renato Neto


Mas nessa época Renato descobriu o outro lado do esporte: o financeiro, que costuma ser uma barreira que divide a carreira de muitos jovens promissores. O atleta viu que num esporte que não movimenta massas como no futebol e cujo a maior parte dos clubes atua de forma amadora, o talento não seria tudo e foi quando pensou em desistir por falta de dinheiro para viajar junto com a equipe para as competições fora do RN, onde os atletas são obrigados a arcar com os próprios custos.

“Tiveram muitas outras competições que não pude participar, porque não tinha espaço, não tinha dinheiro para viajar com as equipes, pensei e desisti de jogar em 1998”, ressaltou. A ideia de aposentadoria precoce durou apenas dois anos, quando mais uma vez o professor Plínio surgiu com um convite classificado como irrecusável para quem ama o handebol. “Voltei a jogar em 2000, também a convite de Paulinho da Palco, não parei mais. Coloquei a minha motivação e a força de vontade na frente de tudo, melhorava a cada competição, me superava em meio a tantas críticas e só pensava em seguir em frente”.

Com tamanha motivação, Renato Neto voltou a se destacar no RN e não demorou para fama de bom jogador romper as barreiras potiguares e chegar nos demais estados nordestinos. “Após ser artilheiro de três estaduais seguidos e ficar entre os três primeiros nos dois anos seguintes, cheguei na seleção do RN. Fui o maior artilheiro do País em uma só edição do campeonato estadual com 110 gols em 11 jogos, o que deu uma média de dez gols por partida. Depois bati a marca de 364 gols em 36 jogos em estaduais, o que fez a média de gols chegar a 10,11 por jogo. Então comecei a receber convites para defender equipes do Sergipe, Bahia, Alagoas, PB e Ceará. Sempre me destacando”.

Os anos foram passando e as boas marcas foram sendo mantidas e o jogador mossoroense perseverando dentro do esporte, na idade quando a carreira de atleta costuma caminhar para o fim, eis que surge o convite de Altair e Douglas Ramalho, para Renato Neto integrar a equipe da AABB-Natal na disputa do Brasil Master Cup em Maceió-AL.

“Foi a primeira vez que tive a oportunidade de jogar essa categoria master. Fomos campeões e fiquei na vice-Artilharia da competição, a partir de então vieram outros convites para defender outras equipes, mas optei por continuar na AABB. Até que veio o convite que faria eu dar um passo além no esporte, o de defender o BMC, em São Paulo. Esse foi mais um sonho realizado, o de poder jogar na Arena São Bernardo, o berço da Seleção Brasileira. Ano passado, voltei a defender a AABB e conseguimos o bicampeonato na Brasil Master Cup, na competição realizada em João Pessoa, onde tive a oportunidade de sair mais uma vez como o vice-artilheiro”, ressaltou.

Espanha

Com relação ao convite para disputar a competição na Europa, o atleta potiguar disse que o convite foi realizado a ele e a Douglas Ramalho, Renato entende esse momento como Deus mostrando que é possível, quando se tem fé e força de vontade. Usando a própria vida dentro do handebol como exemplo, ele diz que o recado que fica é nunca desistir de seus sonhos, sempre buscar melhorar, ter fé em Deus. “Os sonhos se realizam cedo, ou tarde, porém, nunca tarde demais”.

Renato reforça que o handebol brasileiro vem abrindo espaço no mercado do Velho Continente há algum tempo. “Na última década os principais clubes da Europa começaram a contratar jogadores de handebol da equipe masculina brasileira, isso acontece da mesma forma que os clubes de futebol têm feito por mais de 30 anos. A maioria das estrelas dos grandes clubes são formados por brasileiros: Barcelona (Espanha), RK Vardar (Macedônia), TKW Kiel (Alemanha), dentre diversos outros. Tudo isso se deu a partir de grandes feitos e resultados com a glória máxima do handebol nacional: o título do Campeonato Mundial de Handebol Feminino do ano de 2013, disputado na Sérvia com a Seleção Feminina (campeã mundial) e Masculino ( campeã Pan-americana )”, explicou.

Para prolongar a vida útil dos jogadores ocorreu uma espécie de expansão de faixas no esporte que além da categoria adulto ganhou também a companhia da senior e master, todas com bastante visibilidade.

Apesar da alavancagem conquistada nos últimos anos, o handebol ainda não atingiu o alcance que o basquete e o vôlei, que de amadores passaram a ser esportes bastante difundidos no mundo e hoje pagam bons salários aos atletas. Também conquistaram um nível de excelência em termos de organização e captação de recursos.

“Como todo esporte amador, falta muito do incentivo do poder público e o olhar como instrumento de inclusão social. Políticas públicas efetivas e de formação dos jovens atletas, sobretudo nas escolas públicas. Espero um dia ver o handebol nacional no patamar que merece: rivalizando com os grandes europeus e sendo instrumento de transformação de vidas”, afirmou. “De certa forma, fiquei surpreso com o convite para jogar na Europa: veio através de um amigo comum em face da formação de uma liga europeia master. Fiquei muito feliz e lisonjeado. Espero poder representar bem o País e continuar jogando motivado por muitos anos. O esporte é vida!”, reforçou Renato Neto.

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