MADA apostou na diversidade sonora

Publicação: 2017-10-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro/ Tádzio França e Cinthia lopes
Equipe do Viver


Uma celebração à diversidade. O mote do Festival MADA 2017 também se refletiu nos palcos, espaços por onde passaram uma colorida variedade de música contemporânea. Diversidade que reflete os gostos, estilos e hits de uma geração que se move por redes sociais, blogs, sites de streaming, rádios virtuais, e demais canais por onde a música se espalha hoje em dia. Parte dela esteve no festival.Público numeroso, principalmente no segundo dia.

Pitty cantou Gonzagão e fez dueto de “Respect”, com Karol Conka
Pitty cantou Gonzagão e fez dueto de “Respect”, com Karol Conka

A primeira noite começou morna e foi esquentando a medida que o público chegava. Da programação, fora Plutão Já Foi Planeta e Nando Reis, todas as outras atrações estreavam no palco do evento. Os potiguares Eliano e Seu Ninguém, além dos paulistas Deb and The Mentals abriram os trabalhos.

Último nome a ser confirmado no festival, o rapper soteropolitano Baco Exu do Blues foi um dos destaques, sendo a primeira atração a levantar em peso os natalenses. Foi o primeiro festival do artista baiano. Baco mostrou na cidade seu bem repercutido disco de estreia “Esú”, lançado em setembro. Músicas como “Esú” e “Te Amo, Disgraça” encontraram eco nos presentes e instigou o artista a descer do palco e cantar com a galera.

A carioca Mahmundi mostrou seu pop eletrônico com influências oitentistas, em uma apresentação elegante, mas não cativou o grande público ainda bastante disperso durante a apresentação. O show que ganhou alguns minutos extras e no final o público já ensaiavam um bailinho.

Jogando em casa, a Plutão Já Foi Planeta reforçou a ótima fase, fazendo um show competente e em plena sintonia com a plateia. No encerramento da apresentação, a vocalista Natália Noronha fez um discurso contra a decisão de um juiz que autorizou a chamada “Cura Gay”. Ela também chamou ao palco cerca de 20 jovens e promoveu um beijaço contra a homofobia.

Plutão fez um show competente e encerrou com um ‘beijaço’
Plutão fez um show competente e encerrou com um ‘beijaço’

Os goianos da Banda Uó fizeram jus a história de que são uma festa que virou banda ao promoverem o show mais dançante do primeiro dia. O público pirou com vários sucessos, com pico de loucura nas músicas “Toda Arregaçada”, “Búzios do Coração” e “Corpo Sensual” - hit da Pabllo Vittar, com a participação de Matheus Carrilho da banda Uó.

 Nando Reis encerrou a sexta com show que começou com as músicas do disco novo “Jardim-Pomar” (2016). A apresentação só esquentou mesmo na metade final, quando o ex-Titãs lembrou os grandes sucessos da carreira.

Da estrutura do festival, praticamente todos os serviços funcionaram adequadamente, sem longas filas de espera. A separação vip entre rockstage e pista, soa cada vez mais bizarra, além de fazer pouco sentido, já que os serviços são praticamente os mesmos – fora a possibilidade de assistir o show na beira do palco para quem adquire o ingresso rockstage. Outra impressão é a de que, apesar da eficaz estrutura do Arena das Dunas, o festival é pequeno para o espaço – só ocupa metade do gramado, com as arquibancadas vazias.

Sábado cartático 
A noite de encerramento da 19ª edição do festival  MADA foi uma bem resolvida celebração à diversidade.  Em um sábado de vários embalos, a noite começou com o vigoroso rock garageiro do Kung Fu Johnny. O trio natalense demonstrou o mesmo pique de sua apresentação no Rock in Rio deste ano. Uma volta ao MADA com moral elevada. Em seguida, a incensada banda goiana Carne Doce embalou a plateia com seu rock cheio de camadas sonoras psicodélicas e melodias envolventes. A vocalista Salma Jô, autora de letras poéticas que são marca do grupo, declama, canta e dança com a animação que o rock exige.

Os “reis da noite” natalense, DuSouto, fizeram o primeiro show oficial do novo álbum, “Conecta”, que continua a habitual mistura eletrônica/jamaicana/ brasileira que faz a delícia dos fãs. Mesmo que “Conecta” seja um pouco mais denso que os discos anteriores, o show manteve o astral típico, entre a séria “Armagedom” e o velho hit “Cretino”.

Karol Conka voltou para sua terceira apresentação no MADA. Com mais tempo e (ainda) mais hits à disposição, a MC teve a plateia na palma da mão. Rimou, embalou, fez brincadeira de lipsync (dublagem), afrontou e tirou onda na medida que seu público gosta. E repetiu o encerramento com Amy Winehouse do ano passado - “a pedidos por inbox”, brincou.

Pitty, também velha conhecida dos palcos do MADA, fez a sua apresentação mais eclética. A cantora, que sempre gostou de citar outras canções de rock em suas músicas, ampliou o repertório. Vieram citações a “Asa branca”, de Luís Gonzaga, “Dê um rolê”, dos Novos Baianos, uma versão de “Respect”, de Aretha Franklin, com participação de Karol Conka, e de “Duas Cidades”, com o conterrâneo Russo Passapusso nos vocais. Ao lado das versões, os velhos hits como “Me adora” e “Máscara” fizeram a alegria dos fãs.

O festival encerrou com o catártico carnaval cyberpunk do Baiana System. As imagens do palco ao lado de um som grave, dançante e ao mesmo tempo pesado ofereceram hipnose coletiva à plateia. A identidade visual do Baiana é forte. Não à toa, todos queriam as famosas máscaras.

Baiana levou o público ao delírio com seu carnaval elétrico
Baiana levou o público ao delírio com seu carnaval elétrico

Russo Passapusso é um frontman cheio de carisma, que atravessa as fronteiras entre o MC, o cantor de rock e o puxador de trio elétrico, encarnando todos ao mesmo tempo. Levou o público para onde quis, e formou as populares “rodas”, onde o pogo punk encontra o “tira o pé do chão” carnavalesco. O público quis bis, mas até o carnaval do Baiana tem seu fim. Quem sabe ano que vem?



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