Maio, mês de Nossa Senhora

Publicação: 2017-05-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo Metropolitano de Natal

Queridos irmãos e irmãs!

Na piedade popular, o mês de maio é consagrado a Nossa Senhora. Três momentos são significativos: o dia 13, aniversário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal, este ano comemorando o centenário, o dia das mães, em que podemos lembrar da Mãe de Deus e nossa, e o dia 31, encerramento do mês e festa da Visitação de Nossa Senhora a Isabel. Em muitas paróquias e comunidades, o Terço de Nossa Senhora é rezado todos os dias. E, em algumas comunidades, a imagem de Nossa Senhora é levada de casa em casa, para rezar o Terço em família. Assim como Isabel foi visitada por Maria, as famílias são visitadas pela imagem de Nossa Senhora lembrando a todos que ela é mãe e cuida de cada um.

Maio é uma oportunidade especial para refletir sobre a importância da Virgem Maria na vida e na missão da Igreja. O Papa Francisco, devoto de Nossa Senhora, manifesta sua confiança na intercessão de Maria, em várias ocasiões, por exemplo, quando viaja, sempre vai à Basílica de “Santa Maria Maggiore”, oferecer um ramalhete de flores e agradecer pela viagem. Na Solenidade da Mãe de Deus, em 1º de janeiro deste ano, fez a seguinte declaração: “Nos Evangelhos, Maria aparece como mulher de poucas palavras, sem grandes discursos nem protagonismos, mas com um olhar atento que sabe guardar a vida e a missão do seu Filho e, consequentemente, de tudo o que Ele ama. Soube guardar os alvores da primeira comunidade cristã, aprendendo deste modo a ser mãe duma multidão. Aproximou-se das mais diversas situações, para semear esperança. Acompanhou as cruzes, carregadas no silêncio do coração dos seus filhos. Muitas devoções, muitos santuários e capelas nos lugares mais remotos, muitas imagens espalhadas pelas casas lembram-nos esta grande verdade. Maria deu-nos o calor materno, que nos envolve no meio das dificuldades; o calor materno que não deixa, nada e ninguém, apagar no seio da Igreja a revolução da ternura inaugurada pelo seu Filho. Onde há uma mãe, há ternura. E Maria, com a sua maternidade, mostra-nos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes; ensina-nos que não há necessidade de maltratar os outros para sentir-se importante (cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 288). E o santo povo fiel de Deus, desde sempre, A reconheceu e aclamou como a Santa Mãe de Deus” (FRANCISCO. Homilia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. 1 de janeiro de 2017).

Na nossa espiritualidade cristã, a Virgem Maria não é mais uma devoção. Ela é o sinal mais eloquente de relação com Cristo. De fato, em Maria, a Igreja proclama que a sua fé não é algo que se perde no vazio, ou que desaparece na escuridão. Pelo contrário, o “princípio mariano”, tão evocado pelos papas, lembra a todos nós que o seguimento a Jesus passa pelas características da vida de Maria de Nazaré: em primeiro lugar, uma vida cheia da graça divina, que envolve todo ser humano, o reconhecimento de que Deus nos chama para fazer a sua vontade, a disponibilidade para escuta da Palavra e para o seguimento confiante na ação do Espírito, a vida de atenção ao sofrimento do outro, “estar” junto à Cruz do Filho, permanecer na oração com os irmãos e irmãs. Essas características estiveram presentes em Maria. Elas também precisam estar na nossa vida. Celebrar a devoção à Mãe de Deus é deixar-se conduzir pelo Espírito, é aceitar que Deus olha para nós e nos convida ao seguimento do seu Filho. Maria viveu tudo isso e é exemplo para todos nós.

Neste mês, procuremos fortalecer o nosso compromisso com a fé em Deus. Maria, a Serva e Mãe do Senhor, é um exemplo de fé. Necessitamos dessa fé para seguir o nosso caminho. Não tenhamos medo, não desistamos, Deus caminha conosco. Ele não nos escolhe para uma missão e depois nos despede. Pelo contrário, e isso aprendemos da vida da Virgem Maria: Deus nos envolve sempre e nunca nos abandona. A missão acontece por causa de sua própria presença, fazendo-nos mulheres e homens determinados, confiantes e otimistas, capazes de dizer sim, como Maria, e seguir até o fim, testemunhando o amor de Deus pelo ser humano.


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