Maioria aceitaria receber salário menor

Publicação: 2017-02-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Sete em cada dez desempregados (68%) no Brasil estão dispostos a ganhar menos do que recebiam no último emprego, como forma de voltar ao mercado de trabalho. O índice é maior entre os homens (74%) e os que pertencem às classes C, D e E (70%), mostra a pesquisa “O desemprego e a busca por recolocação profissional no Brasil”, realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela ‘Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Os dados foram levantados nas 27 capitais e foram divulgados ontem.
Ana SilvaOs desempregados têm, em média, 36 anos, ensino médio completo e filhos. O tempo médio de desemprego é de mais de 12 mesesOs desempregados têm, em média, 36 anos, ensino médio completo e filhos. O tempo médio de desemprego é de mais de 12 meses

De acordo com a pesquisa, as principais justificativas entre os trabalhadores que aceitariam remuneração menor são que o que importa atualmente é arrumar um emprego para pagar as despesas (29%) e que o importante é voltar ao mercado de trabalho (25%). Por outro lado, 32% não estão dispostos a receber menos, principalmente as mulheres (36%) e os que pertencem às classes A e B (44%), sendo a razão mais citada o fato de encararem o salário menor como regressão profissional (15%), seguido da possibilidade de ser difícil voltar ao patamar salarial que possuía antes (12%).

O levantamento revela que, considerando aqueles que participaram de ao menos uma entrevista desde que estão desempregados, 50% chegaram a recusar alguma proposta, sendo que 20% o fizeram porque a remuneração e/ou benefícios eram insuficientes, enquanto 10% alegam que o local era muito distante de casa.

Perfil

A pesquisa mostra ainda que os desempregados têm em média 36 anos, possuem ensino médio completo e têm filhos. 37% eram os principais responsáveis pelo sustento da casa. O tempo médio de desemprego é de mais de 12 meses. E a maior parte das demissões ocorreu devido à crise.

“O Brasil ainda vive sua pior recessão dos últimos vinte anos e os impactos sentidos pela indústria, comércio e serviços resultam em uma taxa de desemprego que se aproxima dos 20%, levando em conta quem está sem trabalho e procura por emprego, quem tem empregos com poucas horas semanais ou aqueles que já desistiram da busca”, observam as entidades em texto para apresentação da pesquisa.

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro, destacou ontem o impacto do desemprego no mercado.

“Números como esses repercutem gravemente em todo o quadro social, pois menos pessoas trabalhando significa retração no consumo, aumento da inadimplência, impactos negativos no padrão de vida das famílias e, em geral, ampliação da recessão e resultados piores para a economia do país”, explica.

A pesquisa do SPC Brasil e da CNDL mostra o seguinte perfil dos entrevistados: 58% são do sexo feminino, com média de idade equivalente a 35,7 anos; 65% têm até o ensino médio completo, 89% pertencem às classes C, D e E e 55% têm filhos, sendo que destes 75% têm filhos com idade abaixo de 18 anos.

Pesquisa
Foram entrevistados pessoalmente 600 brasileiros desempregados acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro geral é de 4,0 pontos percentuais para um intervalo de confiança a 95%.

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