Festival dá mais acesso à dança potiguar

Publicação: 2017-08-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

É com o objetivo de dar maior visibilidade a dança contemporânea produzida no Rio Grande do Norte, que o Encontro de Dança chega a sua décima edição. Depois da primeira etapa em maio, quando o evento apresentou espetáculos de companhias e bailarinos internacionais e locais, o projeto agora conclui sua primeira década de atividades com a etapa nacional, cujos destaques na programação são a Mostra Plataforma (de trabalhos locais) e as apresentações dos espetáculos “TraZ-Humante”, do Camaleão Grupo de Dança (MG), e “Lub Dub”, do Balé Teatro Castro Alves (BA). O Encontro de Dança começa nesta quarta-feira (9) e segue com programação até o dia 15 de agosto. As apresentações acontecem no Teatro Riachuelo, Cine Teatro de Parnamirim e Teatro de Cultura Popular, sempre com entrada gratuita.

Fundadora do Encontro de Dança, a produtora cultural e coreógrafa Diana Fontes acredita que a Mostra Plataforma reúne o que de mais relevante está em produção na dança contemporânea no Estado. “São oito espetáculos de Natal e Mossoró. São solos, alguns com música ao vivo, outros que estão em circulação pelo país, como o de Alexandre Américo, selecionado no Palco Giratório, e outros, como o do GiraDança, feito em parceria com artistas estrangeiros”, comenta.

De Mossoró, a intérprete Nathália Negreiros apresenta o solo ‘Aviso Prévio’ (Foto: Thatiane Mendes)
De Mossoró, a intérprete Nathália Negreiros apresenta o solo ‘Aviso Prévio’ (Foto: Thatiane Mendes)

Dentre os espetáculos de fora do Estado, “Lub Dub”, do Balé Teatro Castro Alves, da Bahia, será o responsável por abrir oficialmente o Encontro de Dança, no Teatro Riachuelo. “É um grupo de 35 anos. Estão com um espetáculo novo, montado em 2017 por um coreógrafo coreano. O trabalho é inovador, tem uma força grande, uma brasilidade com a energia baiana”, comenta a Diana. Vindo de Minas Gerais, a o Camaleão Grupo de Dança apresenta em Natal o espetáculo “TraZ-Humante”, de direção de Omar Carrum e Vladimir Rodriguez. Segundo a sinopse, “caminhantes traçam suas rotas deslocando-se entre objetos. Às vezes o que a princípio parece lixo pode, na verdade, ser vestígio da história de alguém”. Para Diana, o trabalho “utiliza muito bem o conceito de transição”.

10 anos de encontro
Diana acredita que o Encontro de Dança tem cumprido sua missão de difundir e fortalecer a dança potiguar. Segundo ela, o projeto tem dois focos: abrir mercado para a produção de dança local e exibir trabalhos relevantes para um público diversificado. “O Rio Grande do Norte tem uma produção significativa e de relevância nacional. Com Encontro, sempre foquei em trazer curadores, produtores, diretores e demais envolvidos com a dança no mundo para que conhecessem o que é realizado no Estado. Isso é algo importante para dar visibilidade”, comenta. Para ela, após dez anos de evento, a dança potiguar já colhe alguns resultados. “Bailarinos e companhias do RN já se apresentam pelo Brasil e pelo exterior, são convidados para participar de importantes festivais. Já há um reconhecimento”.

O outro foco do projeto é oferecer aos potiguares, não só os envolvidos com a dança, mas o público em geral, a oportunidade de entrar em contato com o que está sendo produzido no Estado, no país e no mundo. “A difusão da dança no Brasil como um todo é complicada. Não há incentivos para a circulação. Então são por meio de encontros e festivais que se pode assistir a espetáculos como o que nós trazemos”, explica. Ela reconhece que para alguns a dança contemporânea ainda é algo de difícil assimilação, mas a cada edição ela se surpreende com a participação de pessoas não iniciadas na dança. “As pessoas tem o interesse. Trazer o público diverso para o teatro é o que mais queremos”.

Diocecena em “Seca D’água”, parte de uma série de coreografias (Foto: Bruno Martins)
Diocecena em “Seca D’água”, parte de uma série de coreografias (Foto: Bruno Martins)

Para as próximas edições, Diana estuda fazer algumas mudanças. Primeiro tornar fixo o mês de maio como o período de realização do Encontro. “O primeiro semestre é difícil para capitação, mas fica melhor pra gente trazer artistas e companhias porque já existe uma circuito nesse período”, justifica a produtora que está em constante diálogo com produtores e curadores do mundo da dança. “Iniciamos conversas e estamos trabalhando para concretizarmos uma rede de festivais de dança na América Latina. Seria uma saída para o cenário de escaços recursos no Brasil e nos países vizinhos”.

Outra mudança pensada é com relação a se criar uma maior ligação do público com a dança potiguar. “Nos nossos dez anos de evento as apresentações sempre foram gratuitas. Tudo bem as pessoas terem esse direito já que o evento é patrocinado. Mas para uma maior valorização da dança potiguar por parte do público, gostaria de saber até que ponto as pessoas estão dispostas a participar. Será que se o ingresso tiver um valor simbólico o povo desistir de assistir a espetáculos de dança?”, questiona a produtora. “Mas não há nada ainda definido quanto a isso. Talvez criemos condições para a participação voluntária das pessoas”.

“O Encontro é esse espaço de trocas. Cada vez mais penso na capacitação e diálogos e não somente foco nas exibições. Queremos oxigenar a cena local como um todo”, ressalta Diana, atentando para o que ela chama de “Dança-Mundo”. “É a algo que  está sendo articulado em rede e que favorece o intercâmbio entre realizadores e linguagens”.

Em  Persona”, Cia Domínio discute os sentimentos (Foto: Bruno Martins)
Em Persona”, Cia Domínio discute os sentimentos (Foto: Bruno Martins)

Dentro dessa visão, ela conta que um projeto de residência envolvendo três estados do Brasil, mais o prestigiado Festival de Stuttgart e coreógrafos de Israel foi confirmado pelo governo israelense e deve ser realizado em 2018. “Vai acontecer em setembro do próximo ano e Natal, está incluída no projeto, ao lado de Salvador e Curitiba. Os coreógrafos israelense farão uma residência em cada uma das três cidades, onde serão montados espetáculos com artistas locais. Depois, em outubro, os espetáculos entrariam em circulação”, explica.

Esta segunda etapa da 10ª edição do Encontro tem o patrocínio da Lei de Incentivo à Cultura, O Boticário na Dança, Prefeitura Municipal de Natal, Programa Djalma Maranhão, Unimed, Beach Resort Natal, CEI, parceria cultural da Prefeitura Municipal de Parnamirim, apoio FJA, TCP e realização da Espaço Vivo Promoções e Ministério da Cultura.


Dia 9 de agosto
“Lub Dub”, do Balé Teatro Castro Alves (BA)
20h | Teatro Riachuelo

Dia 10 de agosto
“Persona”, da Domínio Cia de Dança (Natal)
20h | Teatro de Parnamirim

Dia 11 de agosto
Seminário Pensando Dança “Desafios Contemporâneos”
19h | IFRN Cidade Alta

Dia 12 de agosto
“Aviso Prévio”, de Nathália Negreiros (Mossoró)
20h | Teatro de Parnamirim

“Pot Pourri”, de Diocecena (Mossoró)
20h30 | Teatro de Parnamirim

“Salão”, de Entre Nós Coletivo de Criação (Natal)
21h | Teatro de Parnamirim

Dia 13 de agosto
“A Quarta Parede”, de Anízia Marques Cia de Dança (Natal)
18h | Teatro de Cultura Popular

“TraZ-Humante”, de Camaleão Grupo de Dança (MG)
20h | Teatro de Parnamirim

Dia 14 de agosto
“Cinzas ao Solo”, Alexandre Américo (Natal)
18h | Teatro de Cultura Popular

“die einen, die anderen (alguns outros)”, da Cia GiraDança (Natal)
20h | Teatro de Parnamirim

Dia 15 de agosto
“Ponto Móvel”, de Patrícia Leal (Natal)
20h | Teatro de Parnamirim

Confira outros dias e horários no www.encontrodedanca.com

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