Mais uma perspectiva do samba-canção

Publicação: 2020-02-28 00:00:00
A+ A-
Renato Vieira

No livro Copacabana - A Trajetória do Samba-Canção (1929-1958), lançado em 2017, o jornalista e musicólogo Zuza Homem de Mello esquadrinhou a história do gênero que se disseminou no aconchego noturno das boates cariocas. No álbum Copacabana - Um Mergulho nos Amores Fracassados, baseado em seu texto, ele mistura várias gerações de cantores para mostrar que o gênero continua presente na canção brasileira.

Créditos: DivulgaçãoCopacabana - A Trajetória do Samba-Canção (1929-1958), lançado em 2017, esquadrinhou a história do gênero que se disseminou no aconchego noturno das boates cariocasCopacabana - A Trajetória do Samba-Canção (1929-1958), lançado em 2017, esquadrinhou a história do gênero que se disseminou no aconchego noturno das boates cariocas


A intenção de fazer o disco surgiu quando Zuza montou um show para marcar o lançamento do livro, que ocorreu no Sesc 24 de Maio. "Nos ensaios, eu e o produtor Thiago Marques Luiz vimos que a ideia era muito boa. Mas descartamos a ideia de gravar o show", conta.

O projeto de um álbum feito em estúdio foi levado para o selo do Sesc, que editou Copacabana em parceria com a Editora 34 e aprovado pela instituição.

Zuza conta que fez questão de botar intérpretes novos no álbum. Ayrton Montarroyos e Anna Setton representam a geração contemporânea. "Ambos são muito bons e terão uma carreira linda. Não bastava ser um bom cantor, tinha que ter uma vinculação com o samba-canção", conta Zuza, que também convidou para participar do disco Edy Star, Doris Monteiro, Luciana Alves, Toninho Ferragutti e Zé Luiz Mazziotti.

Com 14 faixas, o disco mostra um painel amplo do samba-canção. O repertório não é óbvio, mas canções que marcaram o estilo não ficaram de fora. É o caso da faixa-título, que coube a Luciana e Mazziotti.

A música de Braguinha e Alberto Ribeiro, lançada por Dick Farney em 1946, renovou o gênero e estabeleceu novidades harmônicas e melódicas que culminariam na bossa nova.

Os dois intérpretes voltam a se reunir no medley que junta dois sambas-canção que Dorival Caymmi fez com Carlos Guinle, integrante da abastada família que construiu o hotel Copacabana Palace, Não Tem Solução e Você Não Sabe Amar - esta também assinada pelo pianista Hugo Lima. Convidada para o disco, Doris Monteiro é a única personagem retratada no livro Copacabana ainda viva. Com voz delicada, ela já era cool antes de essa postura ser comum.

Para o álbum, ela releu Fecho Meus Olhos... Vejo Você, incluída no lado B do primeiro disco da cantora, um 78 rotações que saiu em 1951. "Sempre gostei muito dessa música, que Doris nunca regravou", aponta Zuza.

Nos shows de lançamento, Doris também canta seu primeiro sucesso, Se Você Se Importasse, lado A do disco de estreia.

Meu Vício é Você, sucesso de Nelson Gonçalves, pode ser considerada um exemplar cafona e caricato do gênero. Zuza quis colocá-la no repertório de Copacabana, mas precisava achar um cantor que soubesse dar a interpretação correta. Recorreu a Edy Star.

Hoje com 82 anos, ele foi um dos pioneiros do glam rock no Brasil, ao lado de Ney Matogrosso. Definindo-se como "um cabareteiro", referência aos cabarés onde trabalhou no Rio e na Espanha, ele mantém a verve performática.

Canções de compositores renomados que tiveram pouca repercussão quando lançadas podem ser reouvidas no disco, como Ocultei, de Ary Barroso, interpretada por Setton, e Solidão, parceria de Tom Jobim e Alcides Fernandes, que aparece em versão de Montarroyos. Por ora, não há previsão de um segundo volume de Copacabana. "Mas material é o que não falta", aponta Zuza.







Deixe seu comentário!

Comentários