Mais velha, menos verde

Publicação: 2013-01-26 00:00:00 | Comentários: 3
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Yuno Silva - repórter

“Se fosse de rosca já teriam terminado!”, respondeu de ‘bate-pronto’ o jardineiro Mariano Viana da Silva, 58, ao ser questionado sobre a demora nas obras da Cidade da Criança que se arrastam desde 2009. Mariano, a cadelinha Bibi e três galinhas são os únicos moradores fixos do lugar, uma das últimas áreas verdes públicas de lazer no bairro do Tirol. Ele vive há 19 anos às margens da Lagoa Manoel Felipe, e a princípio sua função era cuidar dos animais mantidos pelo minizoológico que funcionou nos tempos áureos do parque – “Também fui vigia noturno, mas minha carteira (de trabalho) está assinada como jardineiro”, explicou. Viana recorda que o local era bem frequentado e, ao olhar em volta de sua casa, cercada por montanhas de areia (que será utilizada na terraplanagem da área) e material de construção, arrisca: “Pelo jeito vai custar pra terminar esse serviço, só não derrubaram a capelinha por que não deixaram”.
Adriano AbreuÉ visível a diminuição da área verdeÉ visível a diminuição da área verde

Fechada para o público desde 2008, após o Ministério Público constatar falta de segurança no entorno da lagoa, a Cidade da Criança completa 51 anos dia 31 de janeiro vislumbrando um novo prazo para conclusão de sua reforma: 1º de setembro deste ano. A informação é do engenheiro responsável Márcio Ferreira, da Construtora Ramalho Moreira, empresa que assumiu o projeto após a M&K Comércio e Construções Ltda sair de cena.

Esta nova etapa da reforma está orçada em R$ 3,9 milhões com recursos do Governo do RN. A obra está sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Infraestrutura (SIN), mas a gestão do parque é da FJA.

“A construção das novas edificações está bem adiantada, temos que erguer apenas mais um pequeno prédio e trabalhamos basicamente no acabamento”, adiantou o engenheiro. “A maior demanda será na área externa do parque como o serviço de terraplanagem, construção da pista de cooper, paisagismo e iluminação. Nossa meta é iniciar essa etapa a partir de março”. Ferreira informou que as plantas atualizadas do projeto foram fornecidas há alguns dias pela SIN. “Ainda falta o detalhamento dos projetos com as inclinações e acessos entre os blocos e sonorização do auditório, por exemplo, mas nada que prejudique o andamento da obra”, garantiu.

Obra parou mais uma vez por falta de energia

Muitas intervenções estão sendo refeitas por estarem fora dos padrões, como calçadas sem fundação adequada e largura mínima exigida de 1,5 metro; o muro de contenção em volta da lagoa também será reforçado, pois o serviço de dragagem retirou tanta areia que muitos trechos já estão desabando. Além da necessidade de refazer o que foi mal feito, outro ‘pequeno detalhe’ vem prejudicando o andamento dos trabalhos: a falta de energia elétrica no canteiro de obras. Os operários trabalham há quase três meses sem eletricidade para mover máquinas e equipamentos necessários.

“A Cosern já instalou um novo transformador para atender a demanda da obra, mas ainda falta ligar os fios ao nosso quadro de luz. Por enquanto vamos fazendo o que dá”, afirmou Açueris Pereira, encarregado do canteiro. No momento ele coordena 24 operários, que ontem trabalhavam no assentamento do piso do auditório, na construção de dutos que permitem manutenção da tubulação subterrânea da lagoa, entre outros pequenos reparos no anfiteatro e telhados. “Se a eletricidade for restabelecida, na próxima semana teremos mais gente tralhando”.

Açueris não chegou a frequentar a Cidade da Criança, mas acredita que “vai ficar muito bonita quando estiver pronta”. Ele mostrou a situação do muro de contenção e a calçada que circula a lagoa: “Está toda oca, vamos ter que quebrar tudo e fazer de novo. Também estamos fazendo testes hidráulicos para corrigir ligações erradas”, avalia. O mestre de obras informou que será necessário drenar parte da água da lagoa para poder trabalhar no muro de arrimo.

Questionado sobre o plano da FJA em instalar equipamentos da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado (Fapern), que darão forma à Cidade da Ciência, ele desconhece: “Acredito que se houver alguma alteração, a empresa terá um aditivo no prazo de conclusão”. O engenheiro da Construtora Ramalho Moreira, Márcio Ferreira, já ouviu falar no assunto mas o contrato firmado com a empresa não prevê nenhuma adequação ou novas construções.

Coisas do passado

Inaugurada em 1962, pelo então governador Aluízio Alves, a Cidade da Criança ofereceu ao longo de décadas atrações gratuitas como escolinha de artes, biblioteca, minizoológico, museu taxidérmico (animais empalhados), passeio de quadriciclo e de pedalinho na lagoa Manoel Felipe, playground e anfiteatro para shows. Testemunha desse período, o jardineiro Mariano Viana que mora desde 1994 no local e chegou a cuidar de nove macacos, seis araras, um casal de tucanos, jabuti, pavão e papagaio – animais recolhidos pelo Ibama quando o minizoológico foi desativado – aguarda uma definição quanto ao seu destino.

RESPONSABILIDADE

O subsecretário de obras da SIN, Thiago de Souza Índio do Brasil, que fiscaliza o andamento das obras, afirmou que o fornecimento de energia elétrica deverá estar regularizado nos próximos dias. “Técnicos da Cosern estiveram ontem (quinta-feira, 24) na Cidade da Criança e nesta sexta-feira ou sábado deverão voltar ao local para fazer a ligação no quadro de luz do parque”, informa. Índio explicou que a falta de luz “não chegou a ser um problema”: “O que existe é a necessidade de um prazo para instalar o transformador”. Ele disse que a Cosern retirou a instalação anterior – antiga e tecnicamente superada. “Acredito que a partir da semana que vem, com o restabelecimento da eletricidade, poderemos aumentar frentes de trabalho”.

Sobre a responsabilidade jurídica da M&K Comércio e Constrões Ltda quanto às intervenções que serão refeitas, afinal 50% do orçamento previsto para a reforma já foi utilizado e o desperdício de recursos públicos é evidente, o subsecretário de obras da SIN adiantou que uma comissão está avaliando as causas dos problemas verificados. “A equipe de fiscalização está apurando para definir essas situações, pois alguns problemas não competem à M&K”. Índio do Brasil também não descartou a possibilidade de acionar judicialmente a empresa caso fique constatada de que houve má prestação no serviço.

Em tempo: a assessoria da Cosern informou que efetuou o desligamento da instalação anterior, a pedido da Fundação José Augusto, em 27 de maio de 2011, e que o pedido para reativação foi recebido em 7 de dezembro do ano passado. De acordo com a empresa, o prazo regulatório para realizar um estudo de reativação e aumento de carga é de até 30 dias - se houver necessidade de realização de obras na rede elétrica, o prazo é de 45 dias. "Tão  logo as adequações sejam concluídas e informada à Cosern, a ligação será realizada", declarou a assessoria de comunicação da Cosern.

Planetário também deve ir parar no parque

A assessora de imprensa da Fapern, Mônica Costa, ressaltou que as adaptações necessárias para instalação de um planetário e outros equipamento da Cidade da Ciência não irão atrasar o andamento das obras. “O projeto original diminuiu e pode ser executado após a conclusão da reforma sem prejuízos para o funcionamento da Cidade da Criança”. A máquina do planetário foi adquirida há cerca de três anos com recursos da Petrobras e está sob a guarda da Marinha.

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Comentários

  • fran_fabiano

    Enquanto tivermos corruptos repassando de um governo para o outro, nada muda. Enquanto não reformularmos a legislação contra a corrupção, nada muda. Parabéns ao governo Wilma e parabéns ao governo Rosalba pela incompetência e má gestão de nossos recursos. Já tão falando que o governo "Faria" tá disparado nas pesquisas para voltar o mesmo do mesmo, ou seja, nada.

  • flaviogeo

    Titulo: "Mais velha, menos verde". Na reportagem não observei nada falando do "verde"!!! Não entendi!!!

  • caro.costaferreira

    CIDADE DA CRIANÇA: Um exemplo de desperdício de dinheiro público, desinteligência, e descompromisso com a população. Aonde deveriam terem sido feitos apenas alguns reparos e preservação do local aberto para utilização das famílias, e em especial das crianças, criou-se um monstro inacabado. Desfiguraram completamente o parque enchendo de edificações inacabadas, doando ainda para completar uma parte do terreno para o hospital da polícia, e permanece fechada após 5 anos do início das obras. Alguém pode explicar tamanho descaso com a população?