Mais visibilidade para o livro potiguar

Publicação: 2013-06-13 00:00:00
Yuno Silva - Repórter

“O pouco incentivo gera o pouco consumo, consequentemente, um menor conhecimento da literatura local”. O trecho acima sintetiza a justificativa apresentada pela Professora Eleika Bezerra Guerreiro, vereadora em Natal pelo PSDC, que elaborou projeto de lei aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal determinando a disponibilidade mínima de 2,5% do espaço em livrarias para obras de autores potiguares. A lei aguarda sanção do Poder Executivo para começar a valer de fato, e o prefeito Carlos Eduardo tem até o próximo dia 18 para apreciar a matéria.
Se aprovada, a lei vai determinar que livrarias locais dediquem 2,5 por cento de suas prateleiras (em destaque) a obras de autores potiguares
“Estamos com uma expectativa muito positiva quanto à sanção dessa lei”, adiantou a vereadora Professora Eleika, informando que apenas uma emenda foi incorporada antes da aprovação unanime. “Como trata-se de relação de consumo, além da Fundação Capitania das Artes, o Procon também estará entre os órgãos da Prefeitura com poder de fiscalizar o cumprimento da lei”.

Ela disse que a proposta surgiu por acaso, a partir de uma conversa informal que a vereadora teve com o sebista e editor Abimael Silva, do Sebo Vermelho. “Encontrei com ele na calçada do (Colégio) Atheneu, e Abimael citou leis semelhantes que já existem em Recife e Fortaleza”, lembrou.

Abimael Silva, do Sebo Vermelho, ressalta que “pelo menos” 30% das prateleiras do sebo são ocupadas por autores potiguares. “A base para essa lei surgiu de uma outra, de Pernambuco, que determina que a primeira vitrine é destinada aos autores pernambucanos. Aqui em Natal o autor local tem que se humilhar para conseguir algum espaço; já lancei 380 títulos e apenas a Cooperativa da UFRN vende meus livros”, reclama Abimael.

O gerente da Potylivros da Salgado Filho, Ivonilson Nascimento, disse que, independente da lei, “a livraria sempre abriu espaço. Temos estantes só de escritores locais, mas não sei precisar a porcentagem dessas obras diante do nosso acervo”, observou.

"Relevância de conteúdo"

A proposta da parlamentar natalense coincide com o fato do Brasil ter sido escolhido o convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, em 2013. Considerada a maior feira do gênero no mundo, com 64 anos de tradição, Frankfurt receberá este ano, entre seus mais de 7 mil expositores, títulos publicados pelas editoras da UFRN e a Manimbu – esta última responsável pelas obras viabilizadas pelo Governo do RN.

A Feira de Frankfurt acontece entre os dias 9 e 13 de outubro, e as obras que serão enviadas pelo Governo do RN devem ser definidas até o início do próximo mês. “Fizemos uma primeira reunião aqui na Fundação José Augusto para colher sugestões e elaborar a primeira lista de livros”, explicou Márcio Rodrigues, diretor da Biblioteca Câmara Cascudo, responsável, ao lado da secretária Isaura Rosado, pela articulação da participação do RN no evento e pela seleção das obras que irão à Alemanha.

“Fiz uma análise desse primeiro lote de títulos e até o fim de junho nos encontraremos novamente para definir a lista final. Outras sugestões ainda serão apresentadas”, disse Rodrigues, que preferiu não adiantar nenhuma obra ou autor. “Não adianta levar muitos livros, adotamos um critério de escolha que considera a relevância do conteúdo”. Além de obras da editora Manimbu, a FJA irá publicações de outras editoras locais.

O local destinado aos livros selecionados pelo Governo Estadual  irá ocupar o espaço reservado ao RN no estande da Biblioteca Nacional, com sede no Rio de Janeiro. “Nos informaram que irão dividir o estande por Estado”, acrescenta.

Parcerias

A Editora da UFRN, vinculada a Associação Brasileira de Editoras Universitárias que reúne 105 instituições de todo o país, também já garantiu espaço em Frankfurt. “Sempre participamos de feiras, festivais e bienais, tanto nacionais como internacionais, através dessa Associação”, disse Margarida Dias, diretora da EDUFRN. “Ano passado estivemos na Feira de Guadalajara (México) e na Bienal de São Paulo, onde fomos homenageados pelos 50 anos da editora, e agora em julho estaremos na Bienal do Rio de Janeiro”, adiantou. Ela disse que foram escolhidas dez obras “significativas” de literatura e poesia, que falam de autores de relevância e outros que tratam de brasilidade, questão indígena e afro-brasileira. “Vamos levar apenas dez cópias de cada, pois o principal intuito não são as vendas e sim a divulgação, os contatos e as possibilidades de parceria com outras editoras”, destacou Margarida.

Feira de Frankfurt

A Feira do Livro de Frankfurt é considerado o maior encontro mundial do setor editorial. Realizado desde 1949 na Alemanha, atrai anualmente mais de 7 mil expositores e cerca de 280 mil visitantes. Desde 1988, um país é convidado para apresentar a literatura nacional. A literatura brasileira foi o centro das atenções em 1994, e repete a dose este ano.