Mal que não termina e bem que não chega

Publicação: 2019-07-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Cassiano Arruda

Em 189 dias de mandato da Governadora do Estado, a terceira mulher a ocupar o posto, única sem nenhum parente entre os seus antecessores, a professora Fátima Bezerra não passou um só desses dias que não tenha buscado uma maneira de atualizar o pagamento do funcionalismo estadual.

São cerca de 110 mil servidores, entre ativos e inativos, contra a população total do Rio Grande do Norte, em torno de três milhões e cem mil habitantes.

Ela assumiu um Estado com mais pagamentos em atraso por mais de três anos, e não foram quatro anos, porque um ano o pagamento foi mantido em dia, graças ao uso de cerca de R$ 1 bilhão que formava o fundo previdenciário, fundo que, se tivesse sido preservado, teria deixado a situação do RN muito menos difícil do que se encontra. Evidentemente que nesta busca de uma solução, não faltaram mágicas ou mesmo pedaladas.

Limites do governo
Ai apareceu um problema que, como sindicalista ou parlamentar, Fátima Bezerra não havia tido necessidade de conviver:

 - E o resto?

Sim. Ela nem fez campanha, nem foi eleita para ser, apenas, a governadora da folha de pessoal.

Nunca se viu, em nenhuma campanha reivindicatória de aumento, alguém, entre os que promoviam a campanha,  falar nas despesas correntes. O salário ocupava toda a tela com a lista dos assuntos tratados.

Mas, e a Segurança Pública, a Saúde e a Educação não poderiam ser interrompidas nos seus custos para sobrar o dinheiro do salário.

Como reduzir as macas ocupando os corredores dos hospitais, sem o pagamento dos medicamentos e dos outros custos com diferentes insumos?

E garantir a Segurança Pública, sem combustível para os carros de Política, ou mesmo comida para os apenados?

Sem falar no funcionamento das escolas sem o suprimento alimento para a merenda e a realização de um mínimo de manutenção dos prédios escolares, ou aquisição de livros e cadernos, ou mesmo de giz e a farda dos alunos.

Luta grande
Certamente que alguém sem  conseguir manter os salários do pessoal em dia não vai conseguir fazer nada bem feito;  por mais que se deseje fazer o máximo ou por mais cuidado que se tenha na aplicação dos recursos disponíveis.

Quando um doente enfrenta um mal generalizado, é difícil existir um órgão que não seja atingido.

O mesmo raciocínio também vale para qualquer tipo de organização, mesmo uma organização governamental...

Mesmo para o  a busca de recursos, indispensáveis para virar o jogo, as dificuldades são muito grandes. Mesmo o Governo contando com o emprenho de um grupo vontadoso e qualificado que comanda a máquina tributária e arrecadadora do RN.

Infelizmente, a situação geral não se estabiliza, nem mesmo numa situação negativa conhecida. O que está ruim pode sempre piorar, pelo acúmulo de carências não supridas, inclusive atingindo as áreas que pareciam protegidas, como, por exemplo, a situação do pessoal.

Queda e coice
Como explicar – ou justificar - que num Governo com essas preocupações, a situação do servidor público possa ter piorado.

São os prejuízos indiretos que começam a aparecer, pegando todo mundo de surpresa porque num elenco de prioridades eles nunca apareceram.

É o caso típico do problema do dia. O problema do dia de hoje,     que não havia sequer sido conjecturado até aqui, e surge como um tipo de prejuízo indireto, acertando direto no bolso do funcionário estadual.

Enquanto buscava alternativa para conseguir algum dinheiro extra, “vendendo” a conta única a uma  instituição bancária, o Banco do Brasil, que atende a essa conta desde que o Bandern, de saudosa memória, foi fechado (em setembro de 1986)  e o nosso Rio Grande do Norte tornou-se um “sem banco”  recebeu a relação das contas     que o BB tem para receber. Ai apareceu um novo pepino.

Novo pepino
De repente, surge um buraco de Cr$ 108 milhões. Dinheiro do Servidor Público que, para suprir o próprio rombo teve de recorrer ao leonino crédito consignado. Uma consultoria do Banco do Brasil apresentou uma conta de R$ 108 milhões de atrasados do empréstimo consignado feito pelo servidor e descontado do seu contra-cheque, mas não pago a quem emprestou.

Um tipo de empréstimo que o tomador compromete o salário futuro, para pagamento do empréstimo feito. Deixando de receber o salário em dia, o empréstimo consignado terminou sendo a primeira alternativa para o funcionário, muitos dos quais imaginavam renovar esse empréstimo como se estivesse pedalando a bicicleta até a situação se normalizar, e termina descobrindo que não pode fazer o novo empréstimo, até que o antigo tenha sido pago.

Como o Banco do Brasil não era o único a trabalhar como crédito consignado para o funcionário estadual, será que não existem outros buracos que liberaram empréstimo garantido pelo salário do servidor para desconto do servidor e não pago ao seu credor por quem ficou com o seu dinheiro?

Como a Controladoria Geral do Estado, auditando essa rubrica, para continuar a negociação com o Banco do Brasil descobriu esse debito, certamente pode  encontrar outros.

É a verdadeira herança maldita acertando dois alvos ao mesmo tempo. O débito com a instituição financeira e o prejuízo causado ao servidor.




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