Malha aérea do RN é maior entrave, diz secretaria de Turismo

Publicação: 2019-05-12 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Ricardo Araújo
Editor de Economia

A problemática da reduzida malha aérea do Rio Grande do Norte é, hoje, o calcanhar de Aquiles do trade turístico local e do próprio Governo do Estado. O encerramento das operação da companhia aérea Avianca no Aeroporto Int. Gov. Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, ampliou ainda mais a elevação dos custos das passagens aéreas partindo e chegando ao Rio Grande do Norte. Nos Estados vizinhos, o valor é menor e muitos potiguares optam por embarcar ou desembarcar em terminais aeroviários diferentes do  inaugurado em 2014 na Região Metropolitana de Natal.
Ana Maria da Costa, secretária de Turismo do RN
Ana Maria da Costa, secretária de Turismo do RN

Uma possível solução para esse imbróglio deverá ser anunciada nos próximos meses pela Secretaria de Estado do Turismo, que montou uma força-tarefa junto a outras Secretarias de Estado para rever normas e modificar processos em vigência ligados ao setor aéreo no Rio Grande do Norte. Um deles é o decreto que permitiu a redução do ICMS do querosene de aviação, mas não condicionou o benefício ao aumento de voos ou barateamento do valor da passagem aérea.

Na entrevista a seguir, a titular da Setur/RN, Ana Maria da Costa, detalha esse e outros pontos ligados ao Turismo no Estado.

Como a senhora avalia o atual cenário do Turismo no RN, que acumula perda de turistas nacionais e internacionais? O que a Setur/RN pretende executar para reverter esse quadro?

Além da crise financeira do país nesses últimos anos, houve também problema no nosso Estado em relação à segurança pública. Apenas sobre esse tema tivemos dois episódios principais, o primeiro em 2017 com a rebelião em um presídio, e outro problema na alta estação do ano passado, devido à greve da polícia. Estivemos em destaque nas mídias nacionais e isso afastou muitos turistas. Outra questão que julgamos ter tido um grande impacto para essa queda foi o fato de o nosso aeroporto ter passado cerca de dois meses sem operação noturna. Esses foram os principais motivos para essa queda de turistas e a recuperação não é tão rápida como as pessoas imaginam. Na questão da segurança pública já estamos bem encaminhados, fato percebido inclusive pela população local e dados confirmados em pesquisas que mostram redução dos índices de violência. Agora precisamos resolver sobre a nossa malha aérea e criar mais opções de roteiro além do “sol e mar” para os turistas que nos visitam. Com a revitalização da Fortaleza dos Reis Magos, o Complexo da Rampa e a ampliação do novo Centro de Convenções estamos abrindo as portas para o turismos histórico-cultural e de eventos. Com o trabalho focado no desenvolvimento turístico de cidades do interior do Estado somado à grande promoção e divulgação que estamos realizando nos principais polos emissores de turistas, seja regional, nacional ou internacional, acreditamos que vamos mudar essa realidade.

Em relação à problemática das passagens aéreas, por quais motivos a Setur/RN ainda não anunciou nenhuma medida efetiva para mitigar essa crise? Se as têm, quais medidas são essas e a partir de quando deverão surtir efeito?

Estamos trabalhando nesse tema desde que a nova gestão assumiu. Criamos um grupo de trabalho com as Secretarias de Tributação e a de Desenvolvimento Econômico, além da Inframérica. Realizamos o estudo do plano de incentivo que foi feito anteriormente e também os de outros Estados, já conversamos com as companhias aéreas e estamos tentando desenhar um novo plano de incentivo, desde que, efetivamente, tenhamos contrapartidas bem definidas e que atenda as nossas necessidades em relação à melhoria da malha aérea aqui no Estado. Creio que em breve teremos um desfecho em relação a essas negociações.

Do seu ponto de vista, há uma espécie de indiferença das companhias aéreas em relação ao Rio Grande do Norte, o que acaba provocando a crise atual no setor aéreo local?

É importante entender que as companhias aéreas, como empresas privadas, buscam retorno financeiro, ou seja, a lucratividade, que é algo normal no mercado. Assim, elas priorizam onde há retorno imediato e onde existe maior demanda, ou então quando têm compromissos formais com incentivos recebidos de governo. Quando uma ação de redução de impostos para estímulo e atração de empresas é realizada, é importante assegurar contrapartidas, gerando desta maneira compromissos em ambas as partes. Acredito que o problema aqui no RN foi que esse compromisso não ficou estabelecido formalmente, uma vez que foi oferecida a redução do QAV e não ficou acordada a contrapartida das companhias aéreas, seja no aumento do número de voos ou redução do valor das passagens aéreas. Entendo que não haja uma indiferença, mas que as regras não foram estabelecidas claramente, e agora estamos em busca de regularizar a situação.

Por quais motivos, sob sua ótica, a redução da alíquota do querosene de aviação não foi suficiente para atrair mais voos e baratear o custo das passagens aéreas?

Como falei anteriormente, porque as contrapartidas não foram estabelecidas claramente quando o QAV baixou de 18% para 12%. Todas as companhias aéreas receberam esse incentivo, porém não ficou acordada a contrapartida de responsabilidade das companhias.

Como a Setur/RN e a Inframerica, administradora do terminal aeroportuário de São Gonçalo do Amarante, discutem esses temas? Há algum trabalho em conjunto para solucionar essas questões?

A Inframérica participou conosco, tanto do estudo dos decretos, como também, das primeiras reuniões com as companhias aéreas, temos cobrado deles, essa aproximação com o Governo e o trade, entendemos que ela tem total interesse nesse tema, até porque administram o nosso aeroporto, portanto temos que trabalhar unidos para resolver essa questão.

De que forma o fim da atividade da companhia aérea Avianca no Estado irá impactar o Turismo local? A senhora teme que o Rio Grande do Norte perca mais turistas?

Quero deixar claro que a falência da Avianca é uma questão nacional, talvez o RN tenha sido o Estado que perdeu menos, porque entre as companhias aéreas que voam para o RN a Avianca possuía a menor quantidade de voos, apenas três voos diretos. Porém, entendemos que na atual conjuntura perder qualquer voo é muito ruim, temos clareza disso. O que vamos tentar fazer é, nessa nova negociação com as outras aéreas, incluir essas rotas que estamos perdendo da Avianca, não podemos deixar esse vácuo. Entendemos que a Gol, Latam e Azul, devem assumir os slots (pousos e decolagens) que pertenciam à Avianca, mas precisamos ser cautelosos nessas novas conversas para conseguirmos extrair o melhor acordo em relação à nossa malha aérea e sair com um saldo positivo em relação a número de assentos e também de conectividade aérea, para que, definitivamente, consigamos destravar essa problemática para o turismo do Estado. Estamos trabalhando nessa questão e otimistas quanto ao número de turistas.

Por quais motivos vemos Estados vizinhos evoluírem no número de voos e atração de turistas e o Rio Grande do Norte, com potencial muitas vezes maior, fica para trás?

O RN já foi o segundo Estado do Nordeste em vendas nas principais operadoras do País, já elenquei os motivos pelos quais tivemos redução no número de turistas. Essa questão da malha aérea é hoje, a meu ver, o maior entrave que temos no turismo, Estados como o Ceará e Pernambuco têm hub de companhias aéreas, além de serem  maiores, com um número populacional superior ao nosso, facilitando assim esse movimento aéreo. O turismo é uma das prioridades do governo Fátima Bezerra, estamos trabalhando para resolver esses problemas e acredito que vamos conseguir virar esse jogo, estamos todos unidos: Governo, Prefeitura e entidades do trade turístico, para que num futuro breve, consigamos ter um turismo sustentável, com infraestrutura, qualificação de pessoal, conectividade aérea e equipamentos turísticos de excelência.

O trade turístico reclama da falta de divulgação do Estado. Quanto a Setur/RN pretende investir este ano em divulgação turística e em quais locais isso deverá ocorrer?

Não temos essa reclamação direta do trade na Secretaria de Turismo, uma vez que realizamos diversas ações em parceria. Tanto que diversos representantes do setor privado participam conosco das feiras e eventos de turismo mais importantes dos nossos mercados prioritários nacionais e internacionais. Estivemos em janeiro na feira Vakantibeurs, na Holanda, onde lançamos um voo charter ligando Amsterdã e Natal e estamos custeando parte dessa divulgação na Europa. Em março, participamos da ITB Berlim, na Alemanha, a maior feira de turismo do mundo. No mesmo mês estivemos na BTL Lisboa, com estande próprio em um evento em Portugal, que é um dos nossos mercados internacionais prioritários. Ainda em março realizamos um evento próprio para os principais mercados da América do Sul, passando por quatro países. No nacional estivemos presente em uma das mais expressivas feiras de turismo da América Latina, a WTM, participamos também da Aviesp, no interior de São Paulo, o nosso principal mercado emissor. Além de eventos e convenções de grandes empresas como Azul Viagens, CVC, FRT operadora e estamos partindo para uma grande capacitação nacional da Decolar. Estamos trabalhando uma campanha de divulgação  para incentivar o fluxo interno, entre os polos turísticos do Estado e em todas essas ações temos o apoio do trade turístico potiguar, que sempre soma nas feiras, negociações e roadshows que nos propomos a participar. Temos definido o calendário de ações a realizar até dezembro, onde estão contempladas as feiras mais relevantes de turismo nos mercados emissores, além de outros eventos de divulgação que incluem visitas a agências de viagens, capacitação para operadores e agentes de  turismo, ocasião que entregamos material institucional dos polos, com a campanha “Tudo Começa Aqui”. A presença de prefeituras e setor privado nos eventos fortalece a imagem do destino, bem como o incremento nas mídias sociais.


continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários