Manifestação em Natal foi pacífica

Publicação: 2017-04-29 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Yuno Silva
repórteres


A marcha dos populares contrários às Reformas Trabalhista e da Previdência reuniu em Natal, conforme dados das Centrais Sindicais organizadoras do ato, 60 mil pessoas no momento de maior  de participação popular.  A Polícia Militar não confirmou o quantitativo de participantes. Ao longo de 4,4 quilômetros, que separam o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) na Av. Sen. Salgado Filho, onde ocorreu a concentração, da Praça Pedro Velho, em Petrópolis, onde houve a dispersão, os participantes do protesto criticaram as propostas do Governo Federal para alterar as leis trabalhista e da Previdência Social, bem como os políticos envolvidos na Operação Lava Jato. Não houve registros de atos de violência ou vandalismo.
Manifestação contra as reformas Trabalhista e da Previdência reuniu representantes de pelo menos nove Centrais Sindicais, dezenas de Sindicatos e trabalhadores
Da Praça Pedro Velho, parte dos manifestantes seguiu para o apartamento do  deputado estadual Rogério Marinho, relator da Reforma Trabalhista. Na frente do prédio, em Petrópolis, eles gritavam palavras de ordem em desfavor do parlamentar, enquanto líderes sindicais discursavam em cima de um carro de som. Dois manifestantes picharam o portão de ferro que dá acesso à garagem do prédio do deputado estadual, depois que um dor moradores jogou um ovo na multidão que ali estava reunida. Rogério Marinho não apareceu no local. Após as pichações, três policiais se posicionaram na frente do portão pichado. Um deles estava armado com um disparador de armas de borracha. Não houve, porém, confronto.

O movimento reuniu representantes de pelo menos nove Centrais Sindicais e dezenas de Sindicatos. Também estiveram maciçamente presentes estudantes, trabalhadores de profissões diversas dos setores público e privado. "Hoje eu senti a responsabilidade de mudar alguma coisa que está errada. Por minha filha, por minha família, por mim. Eu estou aqui protestando. As reformas são ruins para os funcionários e a Previdência sem ouvir os trabalhadores é ruim. Eu não tenho partido", disse Edilene Alves, orientadora social, ontem durante o ato.
Manifestantes carregam bandeira do Brasil no protesto
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta do Estado do Rio Grande do Norte (SINSP-RN), Janeayre Souto, o movimento do ontem foi o maior da história no Estado potiguar. "Natal deu a resposta. Foi um dia para parar a cidade e mostramos que estamos prontos para a luta. Contra a reforma Trabalhista e contra a reforma previdenciária proposta pelo governo do presidente Michel Temer. Iremos continuar lutando", afirmou. A Central Única dos Trabalhadores (CUT/RN), em consonância com representações sindicais no interior, mobilizou atos em outros 105 municípios potiguares. Os maiores deles foram em Mossoró, Pau dos Ferros e Caicó. A presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindasp/RN), Vilma Batista, destacou que a união das categorias de servidores estaduais tem o poder de mudar posições políticas e derrubar propostas consideradas intransigentes e negativas para os trabalhadores.

Os trabalhadores que dependiam do transporte público ontem tiveram dificuldade em chegar aos locais de trabalho na hora certa. Com o fechamento das garagens por Centrais Sindicais, os veículos ficaram impossibilitados de circular. A frota já estava reduzida em 60%, atendendo determinação do Tribunal Regional do Trabalho. Quase um milhão de pessoas utiliza o transporte público de Natal e Região Metropolitana por dia. Bancos, escolas e algumas lojas ficaram fechadas ontem.  Pela manhã, durante a mobilização contra as reformas um grupo usou tubos de concreto para tentar bloquear a passagem do trem urbano.

Bala perdida
Um homem que caminhava às margens da BR-101 Norte, nas proximidades do Conjunto Parque dos Coqueiros, na zona Norte de Natal, foi atingido por um tiro durante uma das manifestações realizadas ontem. A vítima foi socorrida, cirurgiada e não corre risco de morte. Um motorista furou o bloqueio feito por sindicalistas na entrada de uma garagem de ônibus e fugiu atirando. O atirador não foi identificado.

Fábrica fechada
Os trabalhadores da Confecções Guararapes, a maior fábrica do Distrito Industrial de Extremoz, foram impedidos de entrar no local no início da manhã de ontem. Líderes sindicais impediam a passagem dos ônibus com os quase 10 mil funcionários do parque têxtil. O acesso só foi liberado após as 09h, quando a maioria dos ônibus já tinha voltado para seus locais de origem, sem deixar os trabalhadores na fábrica.

Trânsito
O início da manhã de ontem foi complicado para quem desejava entrar em Natal pelos acessos Norte e Sul. Na BR-101 Norte, os sindicalistas fecharam o acesso na altura do entroncamento com a BR-406, que dá acesso ao Aeroporto Internacional, em São Gonçalo do Amarante. Na zona Sul, um longo engarrafamento foi provocado no início da manhã em decorrência do fechamento da BR-101 Sul. O trânsito voltou a fluir por volta das 08h30.



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