Manifestantes invadem Congresso do Equador

Publicação: 2019-10-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Quito (AE) - Manifestantes ligados à Conferência Nacional Indígena do Equador (Conaie) invadiram o prédio da Assembleia Nacional em Quito, horas depois de o presidente Lenín Moreno transferir a sede do governo para Guayaquil, no litoral, em razão do caos instaurado na capital. Os indígenas, uma das principais forças políticas do país, tomaram o edifício aos gritos de "Fora, Moreno!", mas foram retirados pela polícia minutos depois.

O prédio foi invadido depois de os manifestantes romperem grades de proteção na entrada principal. Os líderes da Conaie pediram aos manifestantes, muitos deles jovens, que não entrassem em confronto. Segundo testemunhas, a polícia cercou o quarteirão da Assembleia e disparou bombas de gás lacrimogêneo.

Mais de 10 mil pessoas se concentram em Quito à espera de uma grande manifestação hoje contra o presidente. Moreno ofereceu ontem o "diálogo" aos indígenas, mas eles dizem que somente conversarão depois da mobilização. Acuado, o governo do Equador afirmou que aceitaria a mediação da ONU ou da Igreja Católica. "A única resposta é diálogo e firmeza ao mesmo tempo", disse o secretário da presidência, Juan Sebastián Roldán, a uma rádio local.

"Não temos problema em aceitar a mediação sugerida pela ONU, por alguns membros da Igreja e reitores (das universidades)." Ontem, morreu o segundo manifestante na onda de protestos. Segundo o governo, 570 pessoas já foram presas.

A crise no Equador tomou novas dimensões ontem, no sexto dia de protestos. Diante da chegada à capital de milhares de indígenas que rejeitam o fim dos subsídios aos combustíveis decretado pelo presidente, Moreno decidiu transferir a sede do governo de Quito para Guayaquil, com base no estado de exceção decretado na semana passada para tentar sufocar a rebelião.

Com o estado de exceção - que em princípio foi decretado por 60 dias, mas que a Corte Constitucional restringiu para apenas 30 -, os militares foram enviados às ruas e o governo pode limitar direitos e impor censura prévia à imprensa.

Os protestos contra Moreno começaram no dia 3, depois de o governo anunciar o corte de subsídios para combustíveis como parte de uma reforma econômica prevista em acordo de empréstimo de US$$ 4,2 bilhões do FMI. Sem os subsídios, que nas últimas quatro décadas drenaram US$ 60 bilhões do Estado, os preços dos combustíveis subiram até 123%. Os protestos contra o aumento do preço dos combustíveis levaram à invasão de três campos petrolíferos do Equador, na noite de segunda-feira, fazendo com que a estatal Petroamazonas suspendesse as operações. Segundo o ministro das Relações Exteriores, José Valencia, o prejuízo chega a 53 mil barris de petróleo e três suspeitos foram presos.

Rafael Correa, ex-presidente do Equador, negou ontem que esteja orquestrando um golpe contra Moreno em seu exílio voluntário na Bélgica. Ontem, o presidente também acusou Correa de tentar derrubá-lo com ajuda do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. "São tão mentirosos que se contradizem. Dizem que sou tão poderoso que, de Bruxelas, com um iPhone, poderia liderar os protestos. Estão mentindo", disse Correa à agência Reuters.





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