Manifestantes protestam contra contingenciamento na Educação e programa Future-se

Publicação: 2019-10-02 15:57:00 | Comentários: 0
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Estudantes, professores e movimentos sindicais estão concentrados na avenida Salgado Filho para um ato unificado em defesa da educação. Na pauta, estão os contingenciamentos no Ministério da Educação e o programa Future-se, anunciado recentemente pelo Governo Federal.

O movimento programado pelos estudantes em defesa da Educação ocupou a avenida Senador Salgado Filho, zona Sul de Natal, e modifica o trânsito no entorno. Os estudantes iniciaram a concentração em frente Midway Mall e, por volta das 17h10, começaram a caminhada em direção à sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern). Segundo a organização, o ato não vai se estender pela BR-101.
Protesto é em defesa da educação e contra o Future-se
Protesto é em defesa da educação e contra o Future-se

Segundo uma das organizadoras, Gabriela Leopoldo, da União Metropolitana dos Estudantes (Umes), o ato faz parte de um movimento nacional de 48h convocado por estudantes. Em todo o Brasil, o ato está previsto para esta quarta (2) e quinta (3), mas aqui em Natal o movimento só acontece nesta quarta, devido o feriado em homenagem aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. De acordo com os organizadores, o ato conta com 7 mil participantes.

A estudante Marília Caraú, de 16 anos, estudante do 1° ano do Ensino Médio está participando do ato e se mostrou preocupada com os contingenciamentos. Segundo ela, sua participação é para garantir seu futuro e dos seus colegas. "Me preocupa. Eu com 16 anos tenho medo de não entrar na faculdade e não conseguir emprego na minha área", comentou. Ela veio ao ato junto de colegas da escola e da professora Idinária Faustino.

As professoras do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), Keila Cruz e Valcinete Macedo vieram ao ato para defender o instituto, um dos afetados com os contingenciamentos.

Mesmo com a recente liberação, elas comentam que a "a luta continua". "Essa liberação deixa pouco tempo para organizar o direcionamento desses recursos. Basicamente fica para pagar o que já foi consumido", reforçou Keila.

Docentes dos campus da zona Norte e Ceará-Mirim, respectivamente, elas comentam que os bloqueios dos recursos têm afetado desde a  itens básicos nas unidades, a perspectivas de ações de extensão, pesquisa e questões estruturais.

O movimento conta com dois carros de som e tem o apoio de representantes dos professores, como o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Estadual do RN (Sinte-RN).

A Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU) acompanha o ato e orienta os motoristas a utilizarem rotas de fuga. De acordo com o inspetor Franz Fulco, o fluxo está sendo desviado nas avenidas Alexandrino de Alencar, Alberto Silva, Romualdo Galvão, Bernardo Vieira no (sentido Romualdo Galvão) e Bernardo Vieira com a Prudente de Morais.

As rotas de fuga indicadas pela STTU para quem busca o sentido Parnamirim são as avenidas Prudente de Morais, São José, Jaguarari, Romualdo Galvão e a Rui Barbosa.

Os bloqueios

Desde o início do Governo Bolsonaro, o Ministério da Educação vem sendo afetado com uma série de contingenciamentos de recursos, com as universidades sendo as mais afetadas.

Na última terça-feira (30), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou um desbloqueio parcial do orçamento. Ao todo, quase R$ 2 bilhões foram desbloqueados e 58% desses recursos, R$ 1,2 bilhão, irão para universidades e institutos federais.

Esse montante corresponde a metade da verba que havia sido congelada para essas instituições (R$ 2,12 bilhões). Apesar do desbloqueio, R$ 3,8 bilhões ainda estão congelados no MEC.

Com o desbloqueio, essas instituições, que tiveram, em média, 30% dos recursos discricionários bloqueados no início do ano, seguirão com cerca de 15% dessas verbas contingenciadas.

Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o montante vai permitir que as universidades federais paguem as contas de setembro e outubro. A posição da entidade é que a liberação foi uma boa notícia, entretanto, alerta que as instituições ainda vão precisar de mais recursos para fechar o ano com as contas em dia.

O restante da verba vai para compra e distribuição de livros didáticos (R$ 290 milhões), bolsas da Capes (R$ 270 milhões) e exames de educação básica (R$ 105 milhões).


Atualizada às 17h23



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