Música ao vivo é muito melhor

Publicação: 2018-05-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Nem telão com transmissão de jogos de futebol ou lutadores ensanguentados no ringue, a música ao vivo ainda encanta e atrai público para bares e restaurantes, seja em formatos mais tradicionais ou com novas e inusitadas propostas.

Júlio Freitas e Múcio Albuquerque assumem o violoncelo e o piano para privilegiar o pop e o rock em shows divertidos
Júlio Freitas e Múcio Albuquerque assumem o violoncelo e o piano para privilegiar o pop e o rock em shows divertidos

Num giro pela noite de Natal, além do tradicional 'voz e violão' de MPB, é possível ouvir duos de jazz e blues, grupos de música instrumental, erudita, rhythm'n'blues, samba, soul, música pop e eletrônica, para citar alguns estilos e formatos que até pouco tempo não tinham oportunidade.

Mas o que chegou a ser inusitado em um passado relativamente recente, tem ganhado cada vez mais espaço e admiradores, seja como trilha para uma cerveja gelada ou pratos requintados.

Bárbara Porpino, proprietária do Mormaço Pizzaria, em Nova Descoberta, acredita que Natal tem a necessidade de abrir o leque musical para a diversidade da cultura musical. Público para isso existe, segundo ela. “Nós, que somos responsáveis por bares e restaurantes, temos o dever de levar isso para as pessoas.”

Para Bárbara, a música ao vivo sempre agrega valor à casa, pois, além de ver e ouvir os artistas, o público gosta de interagir com eles. Ela comenta ainda que cada casa deve buscar o seu perfil musical. “Isso dá escolha ao cliente de ter uma diversidade de estilo para escolher onde ir na sua noite. Gosto muito da mistura, da boa mistura musical.”

Mas o que pensam os músicos?  O cantor e ator Dudu Galvão apresenta, todos os sábados, no restaurante A Cozinharia, em Ponta Negra, um repertório voltado para standards de jazz e blues, além de soul e black music. Ele também apresenta versões em blues e bossa nova para canções pop de Anitta e Pabllo Vittar.

“Eu faço um jazz que as pessoas super curtem. O meu desejo é cada vez mais popularizar isso. Se for feito de uma forma bem bacana, se for bem feito, bem pensado, com inteligência e sensibilidade, eu acho que qualquer tipo de estilo começa a pegar”, analisa Dudu, que percebe  o espaço maior que estilos diferenciados têm ganhado na noite natalense.

Cantar na noite também é uma forma de sobreviver para Dudu, apesar de não se pagar tão bem assim, em sua opinião. Para ele, uma das questões mais cruciais para o artista da noite é valorizar o seu trabalho, mesmo que seja cantando em um bar. “Ajuda muito no orçamento.”

Quando Júlio Freitas e Múcio Albuquerque colocam no palco o violoncelo e o piano, os clientes dos restaurantes onde costumam se apresentar logo pensam que vão ouvir peças de Beethoven ou Mozart. Engano. Os dois formam o Duo Rock – Cello & Piano e tocam rock clássico e música pop — Led Zeppelin, Gun N' Roses, Scorpions e até temas de séries famosas, como Game of Thrones e La Casa de Papel, e de filmes como O Poderoso Chefão. 

Júlio conta ter sido bem difícil emplacar a proposta do duo no começo, pelo caráter inusitado, mas que agora a aceitação do público é muito boa.  “Quando vamos tocar em algum evento, o nosso público das casas onde nos apresentamos sente falta e pergunta por nós.”

O Duo Rock – Cello & Piano se apresenta todas as quartas e sextas-feiras na Cozinharia, quintas-feiras no Lotus Japanese Fusion Cuisine, ambos em Ponta Negra; e aos sábdos no restaurante Agaricus, em Petrópolis.

Tocando com o pianista Múcio Albuquerque há um ano, Júlio diz perceber uma abertura maior do mercado natalense para outros ritmos e estilos, além da MPB tradicional. E percebe até outros duos como eles se apresentando em bares e restaurantes, o que considera muito bom.

“Hoje a gente percebe amigos músicos que antes tinham receio de tocar nesses lugares, nos pedirem contatos e dão até material deles para entregar aos proprietários”, revela Júlio.


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