Marco Maia quer evitar disputa política na CPI

Publicação: 2012-04-17 00:00:00
Curitiba (AE) - O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), apelou nesta segunda, em Curitiba, para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deve ser instalada de forma mista para investigar os negócios mantidos pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, não seja uma disputa política entre governo e oposição. “Nós queremos é desmantelar esta rede de poder paralelo que foi constituída por esse cidadão chamado Cachoeira e que vai desde o Legislativo, passa pelo Executivo e pelo Judiciário, pelo setor privado e pela imprensa brasileira”, afirmou Maia.
Carlinhos Cachoeira: anúncio da transferência no mesmo dia em que morreu e foi enterrada a mãe
O deputado destacou a necessidade de fazer uma investigação ampla. “Talvez o telefone celular dele seja o de maior memória do País pela quantidade de contatos que tinha”, disse. “Todos serão investigados independente de onde estejam, de qual papel tenham cumprido.” O presidente da Câmara acentuou que nenhum partido, incluindo o PT, está realizando qualquer movimentação para barrar as investigações. “Todos estão mobilizados”, garantiu. Maia, que esteve em Curitiba também como representante da Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional para conhecer o projeto dos ônibus movidos a biodiesel, acentuou a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar rapidamente o processo do mensalão, de preferência antes das eleições.

Cachoeira vai ser transferido de Mossoró para Brasília

São Paulo (AE) - O contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, será transferido de Mossoró (RN) para Brasília nos próximos dias. O desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Tourinho Neto, aceitou o pedido de transferência feito pelos advogados de Carlinhos Cachoeira. De acordo com o TRF, o desembargador afirmou, em sua decisão, que Cachoeira não cometeu nenhum crime hediondo e não representa alto risco para a sociedade.

Os advogados de Cachoeira argumentavam que não havia necessidade de seu cliente ficar no presídio federal de Mossoró, onde a rotina de segurança foi apontada como desnecessária, já que seria a primeira vez que ele era preso. Além disso, os advogados afirmavam que tinham dificuldades para despachar com o cliente e que a família de Cachoeira tinha problemas para visitá-lo, devido à distância. Ele ficará na área reservada a presos federais no presídio da Papuda, no Distrito Federal.

Sepultamento

Os políticos famosos sumiram, empresários de renome também, mas cerca de 600 pessoas estiveram, nesta segunda, no velório de Maria José de Almeida Ramos, 82 anos, a dona Zezé. Mineira de Araxá, a matriarca da família de Carlinhos Cachoeira morreu na madrugada de ontem e foi sepultada, no final da tarde, em Anápolis (GO).

Apesar da expectativa, Carlinhos Cachoeira, não compareceu. Acusado de comandar a máfia dos caça-níqueis em Goiás, e de investir dinheiro na campanha de políticos, ele permaneceu recluso no presídio de segurança máxima em Mossoró (RN). “Ela foi a matriarca dos Cachoeira”, disse o vereador de Anápolis, Wesley Silva (PMDB). “Eu sou amigo da família”, afirmou. O vereador negou que tenha recebido doação financeira da família Cachoeira, em sua campanha política.

Quem também negou ajuda, mas esteve presente, foi o ex-deputado Frei Valdair, vinculado ao PTB e à Igreja Católica Apostólica Romana, e atualmente sem mandato por ter sido pego na Lei da Ficha Limpa. “Fiz muitos batizados e casamentos na família da Dona Zezé”, disse o frei. “Também batizei um dos filhos do Carlinhos (Cachoeira); mas não pedi apoio financeiro a ele”, garante.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, e o prefeito de Anápolis, Antonio Roberto Ottoni Gomide (PT) não mandaram representantes, mas três secretários municipais marcaram presença, entre eles, Ademir Marinho (Esportes). Envolvido no escândalo das escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB) mandou uma coroa de flores.

“Eles são todos gente boa”, disse Jorge Fernandes Marques, 79 anos, o primeiro vizinho dos Cachoeira, em Anápolis. “Nós fomos vizinhos a partir de 1948, entre as ruas Floriano Peixoto e Goiás; minhas filhas namoraram os filhos deles e eles são gente boa pra fazer negócio”, disse. Seu Jorge acredita que os Cachoeira estão sendo perseguidos porque ganharam muito dinheiro: “Hoje, eles têm negócios até nos Estados Unidos”, comentou.

Fred Paraíba, ex-presidente da Anapolina, o principal time da cidade mas que acabou de descer para a segunda divisão, diz que os Cachoeira sempre gostaram de futebol e, nunca deixaram de ajudar. “Ele fizeram muitos amigos na cidade”, diz apontando para as filas enormes do funeral.

“Aqui, em Anápolis, eles (os Cachoeiras) não têm inimigo”, disse José Antunes, de 79 anos, admirador da família. “A Dona Zezé descansou”, disse. “Ela andava doente e muito preocupada com o noticiário com o filho, o Carlinhos”, comentou.

De acordo com o boletim médico do Hospital Evangélico de Anápolis, Maria José de Almeida Ramos, “morreu às 02h30min devido à falência múltipla de órgãos”. Mas, o viúvo Sebastião de Almeida Ramos, 86 anos, disse que Dona Zezé “fumou a vida inteira” e sofria de fortes dores no pulmão. O casal teve 14 filhos.