Marconi Perillo é preso pela PF

Publicação: 2018-10-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) foi preso nesta quarta-feira, 10, ao chegar à superintendência da Polícia Federal, em Goiânia (GO), para prestar depoimento na Operação Cash Delivery, que investiga o repasse de R$ 10,3 milhões da Odebrecht para o tucano. Perillo, que era candidato ao Senado e foi derrotado no último domingo, havia sido alvo de busca e apreensão no dia 28 de setembro. Na ocasião, Jayme Rincón, ex-tesoureiro do tucano, foi preso pela PF acusado de ser um dos intermediários dos repasses da empreiteira.

Marconi Perillo foi convocado para depor e, ao chegar, recebeu informação sobre decreto da prisão
Marconi Perillo foi convocado para depor e, ao chegar, recebeu informação sobre decreto da prisão

Por meio de nota, o Ministério Público Federal (MPF) informou que o ex-governador não havia sido alvo de mandado de prisão porque era candidato ao Senado e a lei eleitoral proíbe detenção na semana anterior ao pleito. O prazo dessa proibição terminou na terça-feira, 9. Ao decretar a prisão preventiva de Perillo, o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal Criminal, em Goiânia, afirmou que a medida é necessária para prevenir o envolvimento do tucano em outros atos de recebimento de valores e de eventual saldo de propina. As acusações contra Perillo foram feitas pelos delatores da Odebrecht Fernando Reis e Alexandre Barradas. Aos investigadores, eles citaram repasses de R$ 10 milhões ao ex-governador - R$ 2 milhões na eleição de 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

"Observada a quantidade de propina descrita na representação policial, associada à apreensão ocorrida na fase ostensiva da operação (mais de R$ 1 milhão), somada à extensão temporal em que se desenvolveram as práticas delitivas, torna imprescindível a decretação da custódia cautelar com amparo na garantia da ordem pública", diz trecho da decisão de Slomp. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende o tucano, afirmou que "não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto da prisão do ex-governador". Após a prisão, Kakay informou que Perillo prestou depoimento e respondeu a todas as perguntas da PF. A defesa vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.

No pedido de prisão, o MPF afirma que o tucano "montou e mantém uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro formada por empresas parceiras para ocultar a origem da propina recebida da Odebrecht".  Segundo o Ministério Público, os valores seriam usados "para comprar apoio político de 66 candidatos aliados na forma de financiamento fraudulento, dissimulado como oficial". As investigações apontam que Perillo era identificado em planilhas de propinas da Odebrecht por "Master", "Padeiro", "Calado" e "Patati".

A Procuradoria diz que o cruzamento das informações entregues pelo doleiro Alvaro Novis com as quebras de sigilo telefônico, datas das entregas da propina e respectivas localizações à época indicadas pelas antenas de celular dos investigados permitiu identificar 21 eventos de entregas de valores em espécie, em 2014, que totalizam R$ 10,3 milhões, feitas a mando e por coordenação da Odebrecht em favor de Perillo.




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