Maré mais alta do ano atinge Ponta Negra hoje e amanhã

Publicação: 2012-08-02 00:00:00
Roberto Lucena - repórter

A Prefeitura do Natal ainda não recebeu o repasse de 25% do valor solicitado ao Governo Federal para as obras emergenciais de reconstrução do calçadão de Ponta Negra. Dos R$ 4 milhões solicitados, espera-se que R$ 1 milhão seja repassado até sexta-feira. Os recursos são oriundos do Orçamento Geral da União (OGU) e por se tratar de obras de recuperação em situação calamitosa é dispensada a contrapartida por parte do Município. Banhistas e comerciantes da praia temem que o atraso prejudique ainda mais o calçadão. Desde ontem, ocorre as marés mais altas do ano e a Defesa Civil monitora o local para evitar possíveis prejuízos materiais.

As equipes de trabalho da Defesa Civil trabalharam nas primeiras horas de ontem – antes do horário da maré alta – que, segundo a tábua de marés, apresentou ondas que variaram até 2,5 metros com relação ao nível do mar. A força da água vai continuar durante essa semana e fim de semana. De acordo com os dados divulgados pela Capitania dos Portos, entre hoje e domingo, a variação ficará entre 2,2 metros e 2,5 metros.

Segundo o diretor da Defesa Civil de Natal, Irimar Matos do Nascimento, o órgão fará o monitoramento das marés até hoje. “Já sabíamos que as marés seriam mais altas e reforçamos a contenção em alguns pontos”, disse. Entre os quiosques 15 e 21, foram colocados sacos de areia. “Vamos continuar monitorando. Amanhã [hoje], o trabalho vai começar por volta das 4h”, completou.

Ontem à tarde, por volta das 16h,  poucas pessoas andavam no calçadão da praia. No mar, alguns surfistas aproveitam as altas ondas. Comerciantes reclamavam da situação e dizem que a prefeitura está demorando a tomar providências. “Há quantos estamos nessa situação? Estão demorando demais. O turista sumiu daqui”, disse o ambulante Francisco Medeiros. Além do calçadão destruído, o comerciante reclama de um poste de iluminação que está inclinado. “Já liguei na Cosern e eles dizem que é com a Prefeitura. Não resolvem nada”, disse.

O valor pleiteado pela Prefeitura do Natal para recuperação do calçadão é de R$ 4.050.800,00. Dos quais, R$ 3.674 milhões para a recuperação de 700 metros de trecho danificado pela erosão costeira. A quantia solicitada é para obras de recuperação e requalificação dos espaços urbanos destruídos pela força do mar na praia de Ponta Negra. “Todos os documentos já foram enviados para o Governo Federal. Estamos esperando somente o repasse da verba”, disse Irimar. “Acreditamos que até sexta teremos uma resposta positiva”.

O valor solicitado será destinado, segundo a prefeita Micarla de Sousa, para obras paliativas. “As obras estruturantes, definitivas, estão orçadas em cerca de R$ 100 milhões e já há um sinal positivo do Ministério do Turismo”, disse a prefeita durante entrevista coletiva no dia 26 de julho.

Para as obras paliativas, a expectativa é de celeridade no acesso aos recursos, já que por decreto presidencial os recursos para situações de calamidade não precisam esperar o fim do pleito eleitoral.

Calçadão está interditado desde o início de julho

Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que a maré mais alta deste ano, na costa potiguar, deverá ocorrer hoje e amanhã. Neste período o mar atingirá picos de 2,5 metros, causando forte ressaca e ondas violentas. A ocorrência desta maré motivou a ação impetrada pelo Ministério Público, mediante os estragos causados por maré semelhante ocorrida no último dia 5 de julho. Intempéries, como a erosão costeira e a força das marés, derrubam a estrutura, a cada preamar - que tem se acentuado nos últimos dias. O temor é que, sem medidas de contenção realizadas até agora, a maré alta do início de agosto leve ao chão o que resta do passeio público.

Memória
O calçadão de Ponta Negra não resistiu à força das marés e ruiu em cerca de doze pontos, ao longo dos 2,5 quilômetros do passeio. No último dia 7 de julho, o juiz da 4ª Vara Civil de Natal, Otto Bismarck, determinou a interdição do calçadão, em caráter liminar. A decisão atende ação civil impetrada pela Promotoria de Meio Ambiente, que busca a reordenação da orla de Ponta Negra. Além de medidas de isolamento e sinalização dos trechos, a decisão requer a elaboração de laudo que aponte soluções emergenciais e definitivas para impedir a erosão costeira.

O estado de calamidade pública do calçadão de Ponta Negra, foi decretado pela Prefeitura do Natal, no dia 13 de julho. O documento prevê prazo de 90 dias, renovável por igual período. Embora a interdição tenha sido determinada entre os quiosques 12 e 18, os problemas começam já a partir da descida para a Avenida Erivan França, a partir dos quiosque 5. Além dos canos de água e esgotos estourados, postes de iluminação pública e de fios de conexão à internet e telefone tiveram que ser relocados devido ameaça de desabamento. Em diversos pontos do calçadão,  quiosques foram removidos pelos proprietários.