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Rubens Lemos Filho
Marinho Chagas, troféu na decisão
Publicado: 00:00:00 - 06/04/2022 Atualizado: 00:10:09 - 06/04/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

O campeão potiguar de 2022 receberá prêmio  nobre: por iniciativa do Sistema Tribuna de Comunicação (Jornal e Portal Tribuna do Norte e Rádio Jovem Pan News), será entregue o troféu Marinho Chagas a quem levar a melhor na disputa entre ABC e América.


Já na primeira partida, o belo trabalho do design gráfico Iran Araújo estará na Arena das Dunas, porque, se vencer, o ABC leva o título sem necessidade de jogo extra. Mas o América, por mais esse motivo, não topa entregar o ouro e vai brigar pelo segundo turno. 

A iniciativa do Sistema Tribuna do Norte, à frente o seu comandante  Flávio Azevedo, não se limitará a este ano. O troféu será entregue todo campeonato ao vencedor do estadual, gesto de reconhecimento à maior instituição humano-esportiva do Rio Grande do Norte em qualquer tempo, Marinho Chagas.  

O troféu, belíssimo, ajuda a resgatar o tratamento indigno dispensado por Natal ao seu filho mais ilustre nos gramados. Natal é péssima mãe, ótima madrasta. 

Marinho Chagas faria 70 anos em fevereiro e nenhuma homenagem especial a ele foi prestada. Nenhuma, vírgula. O Sistema Tribuna, por sua raiz de vanguarda, botou a injustiça para escanteio com a inovação. 

É uma prova de que o Sistema Tribuna não se limita à missão de comunicar bem, com diversidade de pensamentos, liberdade dos seus formadores de opinião e constantes novidades tecnológicas para melhorar a vida dos seus leitores no papel, na internet e no rádio. O Sistema Tribuna é partícipe da vida do Estado. 

O Rio Grande do Norte - exceto a estátua engolida à força por alguns -, nunca tratou Marinho Chagas com o respeito merecido. Marinho Chagas é – os eternos são conjugados no tempo presente -, ídolo no São Paulo, do qual foi escolhido melhor lateral-esquerdo da história tricolor, no Botafogo, onde também é o camisa 6 dos sonhos, recuando a Enciclopédia Nilton Santos para a quarta-zaga e em todos os times nacionais e internacionais por onde desfilou, passadas de gazela e beleza anárquica nos pés. 

Os grandes amigos de Marinho Chagas no futebol, sumidades dos anos 1970/80 : Zico, Paulo Cézar Caju, Falcão, Rivelino, Jairzinho, Platini, Beckenbauer,  Romerito, Chinaglia,  Mário Sérgio, Zé Sérgio, Marco Antônio, Roberto Dinamite, Reinaldo, Cruijff, Gerd Muller, Overath, Neeskens, Trésor, o mais elegante líbero francês, Nelinho, Brito, Marinho Peres, Roberto Miranda, Afonsinho, Carpeggiani, Dirceuzinho, Clodoaldo, Ademir da Guia, Leivinha, Tostão e Dirceu Lopes. 

E um certo Pelé. Em 1972, na estreia de Marinho Chagas no Botafogo, o Rei tomou um chapéu e uma caneta do menino loiro e atrevido a quem pediu respeito e recebeu de troco um palavrão digno de puteiro. O jogo foi 1x1 e Marinho Chagas meteu um golaço de falta. Pelé o indicou em 1979 ao Cosmos dos Estados Unidos, onde também exercitou a monarquia da arte em chuteiras. 

Marinho Chagas despontou no Riachuelo, o time da Marinha, no campeonato local de 1969. O ABC o contratou antes da temporada acabar e mesmo sem poder usá-lo no campeonato estadual. O moleque da Salgadeira, imediações do Cemitério do Alecrim, foi trocado por material esportivo. 

No alvinegro, campeão em 1970. Num time com Erivan; Preta(ou Otávio), Edson Capitão, Josemar e ele, o Monstro; William e Correia; Zezé, Alberi, Petinha e Burunga. Marinho Chagas não perdeu para o América (2x1/0x0/0x0/1x1). 

Quinze anos depois, Marinho Chagas vestiu a camisa do América, contratado pelo patrocinador, futuro deputado federal Flávio Rocha. Atuava onde sempre deveria ter jogado: no meio-campo. Estava a fim de sua meta inegociável: ser feliz. Só jogou um ABC x América, vencido pelo alvinegro por 2x1 no Castelão(Machadão). 

Percorreu o Rio Grande do Norte batendo peladas e trazendo votos para Flávio Rocha. Ninguém está livre do fim de Marinho Chagas, vencido pelo álcool. Seu sofrimento, perverso, passou a diversão nas mesas dos bares de Natal. Sadismo e inveja. 

Marinho Chagas, menino grande, espiritualmente, quem sabe, irrequieto, está em seu túnel de cemitério. Os 22 homens de ABC e América, ficam obrigados a mostrar qualidade. Marinho Chagas nunca perdoou quem maltratava a bola, sua fêmea.  Com ele, jamais adúltera.

Var 
Gol da Federação ao implantar o VAR,  árbitro assistente de vídeo, na decisão do segundo turno. Dá segurança ao juiz e aos torcedores. 

Diferencial 
O diferencial no ABC x América está na vinda de operadores do Rio de Janeiro. 

Cuidado 
Só é preciso ter cuidado o árbitro Zandick Gondim para acertar se ou quando for necessário acionar o VAR. Todos os olhos estarão voltados para Gondim. 

Torcida única 
Quem pediu torcida única – a bem da verdade – não foi o promotor Luiz Marinho, mas os vândalos que se devoravam no estádio impondo a violência.

Chance 
Os “torcedores” de determinadas organizadas tiveram 800 segundas chances e vão sentir na pele o peso da punição. Mesmo que nada os impeça de agir.

Lembrar 
Que a final do primeiro turno teve torcida única. Coerente não haver no segundo. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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