Maternidade Escola Januário Cicco interrompe atendimentos por superlotação

Publicação: 2020-08-01 12:05:00
Luiz Henrique Gomes
Repórter

A Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal, parou de receber pacientes e entrou em colapso na noite desta sexta-feira, 31, por superlotação. Na manhã deste sábado, 1, 25 mulheres com bebês recém-nascidos estavam em leitos improvisados nos corredores da maternidade. Outras cinco aguardavam um leito para realizar uma cesárea, mas o centro cirúrgico também estava lotado. A superintendência da unidade justificou que a situação foi causada por falta da regulação de pacientes, responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap), para o Hospital Dr. José Pedro Bezerra, o Santa Catarina.

Créditos: Magnus NascimentoMulheres com bebês recém-nascidos foram colocadas em leitos improvisados nos corredores da maternidadeMulheres com bebês recém-nascidos foram colocadas em leitos improvisados nos corredores da maternidade

Segundo a gestora de atenção à saúde da Januário Cicco, Maria da Guia de Medeiros, durante a pandemia do novo coronavírus a unidade passou a receber uma média de 27 pacientes grávidas por dia para realização de parto. A média mensal de partos passou de 300 por mês, anterior à pandemia, para 430. “Nós não temos mais condições de manter um número de atendimento tão alto. Não há mais onde colocar pacientes, por isso decidimos fechar”, disse.

O aumento foi causado depois de um acordo entre a Sesap e a gestão da maternidade no início da pandemia, em março, para separar as pacientes grávidas com Covid-19 do restante. Tanto a Januário Cicco quanto o Hospital Santa Catarina são referências na rede pública de saúde para receber pacientes com gravidez de alto risco, mas, com o acordo, a Januário Cicco aumentou a área de atendimento para o Santa Catarina ficar exclusivo para casos de Covid-19. Pacientes da região do Mato Grande, antes regulados para o Hospital Santa Catarina, passaram a ser transferidos para a Maternidade Escola Januário Cicco.

Com o número de pacientes cada vez maior, a superintendência da Januário Cicco solicitou na manhã da quinta-feira, 30, uma reunião com o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, para reorganizar A regulação. Segundo Maria da Guia de Medeiros, a reunião não havia sido marcada até a noite da sexta-feira, o que levou à decisão de interromper o atendimento de novos pacientes pela falta de leitos. “Nós somos um ponto de atendimento da rede pública, não somos os únicos responsáveis”, afirmou.

A reunião foi marcada na manhã deste sábado para ocorrer nesta segunda-feira, 3. Segundo a superintendência da Januário Cicco, a unidade vai permanecer fechada para novos pacientes até a situação ser repactuada. Em nota, a Sesap afirmou que “está aberta ao diálogo e que se a MEJC optar por passar a atender pacientes Covid, a distribuição de atendimento voltará a acontecer da maneira existente antes da pandemia.”

Veja nota da Sesap na íntegra:

"No final do mês de março, a Secretaria de Estado da Saúde reuniu-se com a direção da Maternidade Escola Januário Cicco e o Comitê Materno Infantil do Estado para organizar o fluxo de atendimento a gestantes de alto risco partir daquele momento tendo em conta a pandemia do novo coronavírus. 

Na reunião, foi pactuado que a MEJC não receberia pacientes Covid e que passaria a atender pacientes da 3ª região de saúde (Mato Grande). Já o Hospital José Pedro Bezerra (HJPB) continuou a receber gestantes de alto risco não Covid da zona Norte de Natal e Região Metropolitana (RM) e Covid do Agreste (1ª região de saúde), Mato Grande (3ª), Seridó (4ª), Potengi/Trairí (5ª) e Região Metropolitana (7ª). 

A pactuação existente antes da pandemia era de que o atendimento na MEJC seria direcionado a moradoras das 1ª, 4ª e 5ª regiões de saúde e zona Sul de Natal e o HJPB a moradoras da zona Norte de Natal, RM e 3ª região de saúde. 

A Sesap reforça que está aberta ao diálogo e que se a MEJC optar por passar a atender pacientes Covid, a distribuição de atendimento voltará a acontecer da maneira existente antes da pandemia, com o HJPB atendendo pacientes da região do Mato Grande. Lembra ainda que todas as maternidades de risco habitual do Estado estão com fluxo para atendimento de pacientes com suspeita ou confirmados com o novo coronavírus."


Leia também: