Tádzio França
Repórter

Uma história de amor contada em um rastro colorido de papéis dobrados. A relação de 57 anos entre Câmara Cascudo e a esposa Dhália Freire serviu de inspiração para a intervenção “Idílio”, criada pelo artista visual Max Pereira, em parceria com Daliana e Camila Cascudo, netas do folclorista. O trabalho, composto por milhares de origamis, está exposto no Instituto Ludovicus, o mesmo lugar em que o casal viveu, e hoje funciona como museu, na Cidade Alta. A homenagem romântica também visa destacar a importância que Dhália teve na vida de Cascudo, como parceira e apoiadora de sua obra. 

Max Pereira
Caminho de origamis vai do quarto do casal até o escritório onde Cascudo trabalhava em casa

Caminho de origamis vai do quarto do casal até o escritório onde Cascudo trabalhava em casa


Max define “Idílio” como uma “materialização da narrativa da história de amor entre Dhália e Cascudo”. Não à toa, o caminho de origamis instalado no piso do casarão centenário, vai do quarto do casal até o escritório em que o historiador e escritor trabalhava. O visitante acompanha a trajetória de papéis coloridos – que podem ser flores, estrelas ou fractais, dependendo da visão de cada um – e imaginar a profundidade da relação que existiu entre os antigos proprietários. O artista montou a intervenção em uma manhã. 

“Idílio” foi pensada a três. “Daliana e Camila me convidaram para criar algo no Instituto. Quando elas me mostraram um depoimento que Dhália escreveu após uma madrugada chuvosa naquela casa, me veio a ideia de fazer um trabalho que exaltasse aquela relação, e principalmente, aquela mulher”, conta Max. Segundo ele, as netas foram bastante receptivas à ideia, e lhe deram total liberdade para montar a intervenção nos espaços que ele determinou. Max já vem confeccionando as peças desde janeiro.

O artista visual explica que “Idílio”, além de celebrar o amor, também deseja jogar um pouco mais dos holofotes para dona Dhália. “Foram mais de 50 anos de casamento, mas quando se fala do casal, o foco é sempre em Cascudo. Mas Dhália foi muito importante na vida dele. Ela soube atuar nos bastidores, dar suporte ao trabalho dele. Tive acesso a algumas memórias dela, e era uma mulher muito inteligente, romântica, e que escrevia muito bem”, explica. Cascudo a chamava de “a flor sem espinhos”. 

Dobras
Os origamis coloridos se tornaram uma das marcas registradas do trabalho de Max Pereira desde 2008. Já os montou em lugares tão diversos como a Casa da Ribeira, Fundação José Augusto, Funcarte, na Biblioteca Mário de Andrade (em São Paulo), e até mesmo nas ruas da Ribeira, através da exposição “Starscape”. Sua última ação com os origamis foi a exposição individual “Efemérides”, na qual ia à casa das pessoas para aplicar suas imagens.     

O origami é a arte tradicional japonesa de dobrar papel em diferentes dobras que, combinadas, formam um desenho complexo. É um exercício que Max tem feito ao longo dos anos. O processo criativo dessas imagens emerge de um padrão repetido, um processo recorrente e interativo. Fazer as mesmas dobras, escolher paisagem, espalhar origamis, fotografar e recolher. Os fractais são figuras da geometria não clássica, que pode ser dividida em partes, cada uma das quais semelhantes ao objeto original.

Serviço:
Intervenção “Idílio”, no Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, Cidade Alta. Aberto até 20/10. Visitação de segunda a sexta, das 12 às 17h. Tel.: 98827-3866.

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