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Max Pereira criou 'Efemérides', sua primeira exposição individual
Publicado: 00:00:00 - 03/08/2021 Atualizado: 22:17:04 - 02/08/2021
Uma exposição que vai até o visitante é tudo que um apreciador de arte precisa durante esta fase de mostras remotas. Foi no que pensou o artista visual e fotógrafo Max Pereira quando criou “Efemérides”, sua primeira exposição individual. De 13 de agosto a 30 de setembro, Max irá até o solicitador para aplicar suas colagens de origamis e fotos, seja na casa da pessoa ou num muro indicado por ela. As inscrições online para os dois formatos devem ser feitas até o dia 10 de agosto.  

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A idéia de “Efemérides” nasceu da reflexão de Max sobre o distanciamento forçado que a pandemia gerou entre obra de arte e visitante. Mesmo que o virtual tenha se tornado o formato padrão das mostras desde o ano passado, é fato que ainda não é possível perceber a exposição como um todo, de captar totalmente as sensações que algumas delas podem provocar no visitante online.

A partir daí o artista resolveu “radicalizar” no seu formato de exposição, colocando seus trabalhos dentro das casas das pessoas, deixando-as livres para exibir onde e como desejar, criando um espaço expositivo temporário e íntimo. Os solicitadores terão um tempo todo próprio para olhar, refletir, e sentir as imagens em seu cotidiano. Além de aplicar o trabalho, Max também dialogará com cada morador sobre o processo de criação das imagens que estarão nas paredes que protegem aquelas pessoas.

O apreciador de arte que em vez de visitar será visitado tem duas opções para receber “Efemérides”: para a aplicação da exposição em casa, 30 inscritos receberão nove imagens em tamanho A4 para montar do jeito que quiser. Já se a escolha for por um muro, 18 pessoas cederão um espaço externo onde será colada uma das nove imagens da série em tamanho grande.

Cenas imaginadas
Os trabalhos de Max Pereira são fotografias criadas a partir de cenas imaginadas pelo artista em suas buscas por caminhos não dados. São intervenções em diversas superfícies que criam uma paisagem efêmera. Max olha para um lugar, imagina, espalha os origamis, fotografa e recolhe: uma pedra que brota origamis coloridos, um chão de origamis que sustenta uma geometria de ferro, um cofre que guarda origamis multicores, um rio de origamis ou um origami que se entrelaça com as folhas.

O artista produziu mais de 15 mil origamis com pequenas variações no formato, sendo de cores e tamanhos diferentes, usando-os em diversas situações, ações e objetos. Todos os origamis lembram fractais. Os fractais são figuras da geometria não clássica, que pode ser dividida em partes, cada uma das quais semelhantes ao objeto original. Os fractais possuem detalhes infinitos e uma estrutura geométrica complexa. Em muitos casos um fractal pode ser gerado por um padrão repetido, um processo recorrente ou interativo.

O origami é a arte tradicional japonesa de dobrar papel em diferentes dobras que, combinadas, formam um desenho complexo. É um exercício que Max tem feito ao longo dos anos. O processo criativo dessas imagens emerge de um padrão repetido, um processo recorrente e interativo. Fazer as mesmas dobras, escolher paisagem, espalhar origamis, fotografar e recolher. Uma proposta de imaginação que invade a casa das pessoas e afirma para elas que fotografar não é apenas registrar, mas é também criar imagens impossíveis.

Max Pereira é um antigo entusiasta da arte que sai das galerias fechadas e vai para as ruas. Em 2013 ele já embelezava os muros e fachadas da Ribeira com a exposição “Starscape”, na qual origamis fractais coloridos e reproduções ampliadas de ilustrações de contos de fadas de Andersen alegravam as paisagens da cidade baixa com um toque lúdico. Agora, a arte de Max pode ir novamente aonde o povo – que solicitá-la – está. O projeto “Efemérides” foi realizado com recursos da Lei Aldir Blanc RN.

Serviço:
Exposição “Efemérides”, por Max Pereira. De 13/08 a 30/09. Interessados devem se inscrever até 10/08 pelo link https://linktr.ee/MaxPereira71 ou @maxwelpereira









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