Meia volta

Publicação: 2019-02-03 00:00:00 | Comentários: 0
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Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Lá se foram as férias, o ano mal  começou. O colunista cansando de guerra volta ao batente. Janeiro passou veloz, muito rápido, rapidíssimo, sem tempo nem mesmo de uma esticada às praias da moda para desfrutar do festivo palco do veraneio, onde o mar, mais das vezes, fica em segundo plano. Os sábados e domingos foram os mesmos de décadas sempre ao redor das Queimadas de Baixo saudando as primeiras chuvas do ano. Já tem babugem e muita esperança, certeza mesmo, de ano de bom inverno. De festa, gostei de ver o Boi de Reis e o João Redondo que assisti na Praça João Ancelmo, em Lagoa de Velhos. Deífilo Gurgel teria gostado muito e Chico Daniel, também. Como é bonita e rica a cultura popular nordestina!  Sempre é bom lembrar que Lagoa de Velhos é a terra onde nasceu Fabião das Queimadas, o maior poeta popular do Rio Grande do Norte.

Voltando ao batente anuncio alterações nesta coluna que está nas vésperas de completar 55 anos de existência, mais ou menos o tempo de 14 copas do mundo e, de sobra, o tempo da aposentadoria pela previdência social (a atual e a que Bolsonaro prega). Tudo começou no dia 15 de março de 1964, quando esta Tribuna do Norte tinha suas portas abertas para a Tavares de Lira, do outro lado da avenida ficava a   Peixada Potengi onde, às vezes, a pauta era discutida. A coluna saía, como sai hoje, na segunda página, tendo como vizinhos, quase sempre, Berilo Wanderley, Sanderson Negreiros, Newton Navarro. 

Naquelas eras eu já somava 11 anos de jornalismo que começou no Diário de Natal, final de 1953. Andava pelos 17 anos, primeiras lições ensinadas por Xavier Pinheiro, secretário de redação (hoje o posto é chamado de editor-chefe), com o adjutório de Domício Ramalho e Luís Maria Alves nas reportagens policiais.  Minha primeira passagem pela Tribuna do Norte aconteceu três anos depois, em 1956. Tinha deixado o Diário convocado para ser recruta do Exército. Um ano e um dia de caserna, como está provado no certificado de reservista (“incluído em 7 de fevereiro de 1956, excluído em 8 de fevereiro de 1956. Especialidade: Arquivista Burocrata; graduação: Cabo – Apto a 3º Sargento”). Nunca fui sargento. No mês seguinte, convocado por José Gobat, vim para a Tribuna, redação comandada por Waldemar Araújo. Dois anos depois Luís Maria Alves, que havia assumido a direção dos Diários Associados, me leva de volta para o Diário.
Começo de 1964, o retorno a Tribuna. O jornal, fundado por Aluízio Alves, passava por uma reforma sob a direção de Walter Gomes.  Lá se vão 55 anos nesta casa de tantas histórias, incluindo a ditadura militar, que sufoco! Colunista, repórter, redator, editor. Muito tempo, suor e lágrimas. A partir de agora, a coluna não será mais diária. Encerro a carreira de diarista para ser “semanarista”, uma vez só, cada domingo.  A soma de tudo que passou chega a 65 anos de profissão, longo, esticado batente.  Mas o Jornal de WM vai continuar (pretendo) do mesmo jeito, derna de como começou, na batida dos teclados das velhas remingtons, redações apertadas, mais das vezes servindo de parada para esticadas pela velha boemia da Ribeira que não existe mais. Até porque este colunista já passa dos 82 outonos.

Inclusão e direitos
A professora natalense Débora Araújo Seabra de Moura é convidada da Escola de Magistratura Federal da 5ª Região, sediada em Recife, para ministrar uma aula sobre o tema “Inclusão e direitos das pessoas com deficiência”, que faz parte do programa do Curso de Iniciação à Magistratura Federal (Concurso para Juiz Federal Substituto).
A aula acontecerá dia 7, quarta-feira que vem. Débora, também escritora, é portadora de Síndrome de Down e tem tido uma atuação marcante pelo país afora na luta pelos direitos das pessoas com deficiência.

Nélida Piñon  
A imprensa de Lisboa registra o lançamento (foi sexta-feira) em Portugal do novo livro de Nélida Piñon, “Uma Furtiva Lágrima”, editado lá pela editora Temas e Debates.
No dia 20 haverá um lançamento especial do romance durante o festival literário Correntes d’Escritas, que acontecerá na Sala dos Atos do Cine-Teatro Garret, em Póvoa de Varzin, cidade onde nasceu Eça de Queiroz. O livro será apresentado pela jornalista e escritora Leonora Xavier.
Em dezembro do ano passado, Nélida Piñon foi agraciada com o Prêmio Vergílio Ferreira, promovido pela Universidade de Évora. O Jornal de Notícias, de Lisboa, destaca: “Nelida Piñon é um dos nomes maiores da literatura em português”.

Mais literatura  
No Rio de Janeiro já se fala dos preparativos para a Flip (Festival Literário de Paraty) que acontecerá entre os dias 10 e 14 de junho. O autor homenageado deste ano é Euclides da Cunha. Viva!

Do Brumadinho  
De Elio Gaspari, em sua coluna na Folha de S. Paulo, do dia 30 de janeiro, com o título “O conservador e o atrasado”:
- As mineradoras nacionais moveram-se nos escurinhos do poder, e mesmo depois do desastre de Mariana bloquearam as iniciativas que aumentariam a segurança das barragens. Deu Brumadinho. As perdas da Vale nas Bolsas e com as faturas dos advogados superarão de muito o que custaria a proteção de Brumadinho. Será a conta do atraso.
- Com menos de um mês de governo, Jair Bolsonaro foi confrontado pela diferença entre conservadorismo e atraso. Seu mandato popular ampara-se numa plataforma conservadora com propostas atrasadas. Muita gente que votou nele pode detestar o Ibama e as ONGs do meio ambiente. Também pode achar que bandido bom é bandido morto.

Chuva  
Kleber Bezerra comemora as chuvas que caíram no começo da semana em sua fazenda de Serra Caiada, região do Agreste-Trairi. Foram 135 milímetros. Equivalem a quase um mês inteiro de chuva num ano de inverno bom. Fazia tempo que não chovia por lá. A última vez foi no mês de agosto do ano passado.
A chuva de Serra Caiada só perdeu para a que sacudiu o município de Coronel João Pessoa, na “tromba do elefante”, quase extrema com o Ceará: 190 milímetros.

Maior chuva  
Janeiro foi bom de chuva no semiárido nordestino. Do Piauí a Pernambuco, passando pelo Ceará, Paraíba e, claro, o Rio Grande do Norte. A maior chuva potiguar aconteceu no município seridoense de Jucurutu, acumulada de   355 milímetros, muito acima da média mensal que é ao redor de 80 milímetros. Na região Oeste a maior acumulada aconteceu em Janduís, 243 milímetros.
Os sinais para fevereiro, segundo os meteorologistas cearenses, são também animadores emendando com os de março, mês de São José. Amém.





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