MEJC aguarda transferência de bebês para reabrir urgência

Publicação: 2020-08-04 00:00:00
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Com os 23 leitos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal lotados, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), em Natal, depende da transferência de pelo menos cinco recém-nascidos para reabrir as portas do atendimento de urgência e emergência na unidade que é referência para casos de gravidez de alto risco. Nesta segunda-feira, 3, representantes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) se reuniram com o superintendente da MECJ, Luiz Murillo Lopes de Brito, e anunciaram a abertura de novos leitos neonatais, mas não detalharam quando e tampouco onde. 

Créditos: Magnus NascimentoCom todos os leitos neonatais ocupados desde a sexta-feira passada, dia 31, superintendência da MEJC decidiu fechar unidadeCom todos os leitos neonatais ocupados desde a sexta-feira passada, dia 31, superintendência da MEJC decidiu fechar unidade


“Só vamos abrir assim que não tivermos mais bebês no CRO (Centro de Recuperação Obstétrica). É um lugar para se fazer uma cesárea ou um parto, e como não tem vaga na enfermaria nem UTI neonatal, os bebês nascem e ficam lá. Essa perspectiva (de reabertura) é a medida que for surgindo vagas em hospitais, ou se os bebês tiverem altas. Tem dois que são da UTI neonatal”, declarou Luiz Murillo Lopes de Britto. “

Na reunião, foi formalizado um acordo entre a MEJC e a Sesap/RN que vai modificar outra pactuação feita no início da pandemia do novo coronavírus, em março deste ano. A partir de setembro próximo a Maternidade Escola Januário Cicco vai passar a receber gestantes com suspeita ou diagnosticadas com covid-19, situação que estava restrita ao Hospital Dr José Pedro Bezerra (Santa Catarina), na zona Norte de Natal.

“Nosso hospital é um hospital de ensino, universitário, em que a função primordial dele é promover o ensino e formar profissionais de saúde. Essa parte assistencial é uma responsabilidade da Sesap. É tanto que eles reconhecem essa deficiência de vagas materno infantis, e se comprometeram a aumentá-las”, frisou o superintendente Luiz Murillo Lopes de Britto.

De acordo com o secretário adjunto de Saúde do Rio Grande do Norte, Petrônio Spinelli, além do acordo viabilizado para essa mudança no fluxo de pacientes parturientes, caso a Maternidade Escola Januário Cicco receba um fluxo que supere a capacidade da unidade, as gestantes serão reguladas para o Hospital Santa Catarina, que prestará suporte no atendimento dessas gestantes. A partir de setembro, a MEJC e o Hospital Santa Catarina deverão retomar o fluxo de atendimentos existente antes da pandemia. Segundo a superintendência da Maternidade Escola Januário Cicco, 16 leitos foram viabilizados na unidade para atender esses pacientes da 3ª região, que é a do Mato Grande.

“Até lá, nós criamos um mecanismo de alerta que a regulação vai identificar a partir de um determinado ponto de risco de superlotação da Maternidade Escola. Então, quando houver esse risco, o fluxo que está cortado, muda, passa a redirecionar todos os pacientes para outras unidades de maternidade do Estado, de forma que não volte a acontecer a superlotação da Maternidade Escola. Com isso equaciona o problema”, comentou Petrônio Spinelli. 

Conforme relatou Spinelli, a perspectiva da Sesap/RN é abrir leitos neonatais no Hospital Regional de São José de Mipibu, mas ainda não há prazos para essa operação. Atualmente, segundo o secretário de Saúde adjunto, o fluxo de gestantes de alto risco é regulado para o Hospital Santa Catarina, Maternidade Escola Januário Cicco e o Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e Infância de Mossoró (Apamim). No caso do alto risco para bebês, além dessas unidades, o Hospital Universitário Ana Bezerra, também vinculado à UFRN e localizado em Santa Cruz, é referenciado pela Sesap/RN.

Superlotação
A Maternidade Escola Januário Cicco está superlotada desde o fim de semana passado, quando ocorreu o fechamento de suas portas para recebimento de novas gestantes em virtude da falta de espaço. A MEJC é a principal unidade materno-infantil do Estado para casos de gravidez de alto risco. A decisão pela suspensão de acolhimento de novas pacientes aconteceu após a Sesap/RN ter regulado 27 parturientes para a unidade quando já não havia mais leitos no local, segundo o superintendente da MEJC, Luiz Murillo Lopes de Brito.

“Estávamos com o hospital lotado, pedimos para a regulação não enviar pacientes, mas mesmo assim nos enviaram 27 gestantes. Faltou berço, faltou cadeira, faltou leito, não tinha ponto de oxigênio, a equipe ficou desesperada. Esse foi o estopim para fecharmos a Maternidade. Estávamos completamente lotados. Hoje (ontem, segunda-feira, 3) ainda amanhecemos com 10 bebês no Centro de Recuperação Obstétrica porque não tinha onde colocar. Conseguimos transferir 5, mas ainda temos cinco bebês. É um lugar que não é tão adequado para os bebês”, comentou o médico.

Dados
Atualmente, a Maternidade conta com 128 leitos, 23 consultórios ambulatoriais, três salas de cirurgias ambulatoriais, seis salas de cirurgias hospitalares, três salas de recuperação, duas salas de parto normal e três consultórios médicos de urgência e emergência. Em 2019 foram feitos 3.500 partos, 43 mil consultas e 24 mil procedimentos ambulatoriais. Além disso, segundo dados da unidade, pelo menos 10 mil internações foram feitas no ano passado.