Melancolia

Publicação: 2017-10-06 00:22:00 | Comentários: 0
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Dácio Galvão


Posso afirmar que me trespassou a alma por esses dias a flecha da melancolia. Instalou-se quando sintonizei na telinha da Tv SESC e vi na expressão facial, no tom e também no ritmo do falar o escritor João Gilberto Nool, deslanchar a música do multi-instrumentista Johann Sebastian Bach, no desaguadouro da mais profunda tristeza sonora de uma obra universalmente conhecida.

Nesse mesmo sumidouro colocou convincentemente os poetas do Romantismo, movimento artístico que atravessou os séculos XVIII e XIV, bem representado no Brasil por Álvares de Azevedo, Fagundes Varela e Junqueira Freire no tocante ao tom angustiante mais um grande exemplo do quanto esse estado emocional humano pode sobrecarregar obras de grande valia artística literária. Acresceu outros, Machado de Assis entre eles. Arriscaria com convicção acentuar a própria escritura de Nool, apontada por uns estudiosos, dentro do ambíguo conceito literário da pós modernidade.

Até aí tudo bacana apesar de involuntariamente contaminado, passeando em outros canais fui destilando informes relativos á tragédia do Festival Country em Las Vegas. Surto psicótico de um inveterado jogador apostador. Ou atentado terrorista como assume o Estado Islâmico? Um saldo de 59 pessoas mortas, atingidas que foram por disparos de arma de fogo quando curtiam o som do artista Jason Adean, ganhador de dois discos de platina e um de ouro, certificados na Recording Industry Association of America (RIAA). Pintava como a maior atração da noite. Tristeza e comoção para o mundo. Doideira geral, famílias em pavorosas e agora se contabiliza mais de 500 fãs feridos.

Antoni Gaudí, Joan Miró e Salvador Dalí estão certamente estonteados com o que acontece em Barcelona. Só mesmo o dadaísmo, surrealismo e modernismo juntos poderiam traduzir em linguagem pictórica bem acima da obviedade separatista onde prevalece a discussão econômica, o caos social e político.  As escolas aonde se localizam esteticamente esses artistas maiores entre os maiores fazedores de arte, eternizariam as cenas lamentáveis de vieses libertários ou repressivos que assistimos em tempo real. Pablo Picasso ratificou isso quando fez Guernica! Um quadro-guerra contra a guerra civil espanhola, em 1937. Desumano demasiado desumano. Tristeza. O Futbol Club Barcelona pode ser de há muito o grande marketing para o mundo da Catalunha, me alertou certo dia o colega Dionísio. E daí? Lionel Messi seu grande craque deve ter a resposta.

 O Papa Francisco autorizou a canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçu. A história circulariza e volta no tempo. A intolerância religiosa entre calvinistas e católicos brutalizou a convivência e relações.  Resulta em mortes bárbaras inaceitáveis. O autor da História da Companhia de Jesus, o padre português, Dr. Serafim Leite, em carta endereçada no início dos anos de 1950, ao historiador Helio Galvão, revela fundamental importância alicerçando parcos dados biográficos do padre André de Soveral; ...” nasceu no Brasil, em São Vicente, por volta de 1572. Entrou na Cia. de Jesus dia 6 de agosto de 1593, na Bahia. Depois de entrar estudou latim quatro anos e Teologia Moral ano e meio. Sabia admiravelmente a língua Brasílica... acresce algumas linhas constantes no livro História da Fortaleza da Barra do Rio Grande. Penso ser dever de todo cristão aprofundar a pesquisa biográfica desse sacerdote intelectual. Com 35, em 1607 anos estava em Olinda. Daí em diante nada se sabe.

Trucidado por Jererera, filho do Cacique Janduí, tairiús, tapuias usados como massa de manobra bélica nos deixa historicamente desolados pela falta de dados do sacerdote morto na Capela de Nossa Senhora das Candeias.

O cantor Zeca Baleiro, recitou versos no campo da utopia da paz, na vã tentativa de ressuscitar o bem. Versos que produzimos para música “Mirando Marolas”, CD Poemúsicas, inspirado no trovador galego-português, Martim Codax: “Jererera, Soveral vinde comigo / Cunhaú ainda chama – Não há conciliação? / E miraremos a Capela Nossa Senhora das Candeias!”

Assim o arremate do grand finale fica por conta do avanço da extrema direita na Alemanha, o maior desde a Segunda Guerra Mundial. E o sempre pano de fundo da Operação Lava Jato, operação...

Ah! Para não ficar de todo baixo astral muito me consolou um texto do histórico folião do Galo da Madrugada, pernambucano Gustavo Krause. Receita inteligente, espécie de bula, vacina contra o vírus da melancolia, tristeza, depressão e outros males do antropoceno. Mas isso é outra história. Rsrsrs



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