Memórias e Reflexões na Pandemia

Publicação: 2020-04-09 00:00:00
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Garibaldi Filho
Ex-senador da República

Todos estão fazendo as suas reflexões neste momento no qual precisamos ficar em isolamento social por recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das autoridades nacionais e estaduais desta área. Nesta circunstância, alguns acompanham o noticiário com uma frequência ainda mais acentuada, outros recorrem às leituras prediletas ou procuram os livros que estavam abandonados nas prateleiras.
Nesta conjuntura, reconhecemos a atuação dos profissionais de saúde, que se tornam cada vez mais essencial e que precisam ser cada vez mais valorizados. 

Confesso que gostaria de ter mergulhado mais nas leituras, não só agora que precisamos ficar reclusos, se não fosse uma vida política tão intensa. Vida essa que me levou a acompanhar experiências bem menos dramáticas que atual, mas que tiveram ocasiões críticas e também angustiantes para muitos que contavam com a assistência do Poder Público.

Uma dessas situações foi quando os trabalhadores das chamadas frentes de emergência se acotovelavam em filas nas portas dos bancos para receber um mísero salário. E havia todo um cuidado para se evitar fraudes, como aquela que levou ao descobrimento de que estava alistada uma miss de um concurso de beleza.

Por ocasião de um desses pagamento, na qualidade de deputado estadual, deslocava-me para as cidades do interior para fiscalizar aquele procedimento. Na Assembleia Legislativa, convivia com filas que se revezavam todos dias, muitas vezes até altas horas da noite, para solicitar sobretudo um encaminhamento de emprego.

Relatei, em artigo anterior, que me deparei com a descomunal fila que se formou desde do prédio da Prefeitura, no Centro, até a rodoviária da Ribeira. Quando governador, também encontramos a formação de longas esperas da população, que sofria também em enormes filas para solicitar documentos. Essa situação só foi resolvida depois que criamos as chamadas Centrais do Cidadão, que passaram a prestar um serviço com qualidade e agilidade, assegurando conformo e atendimento melhor para as pessoas que procuravam os órgãos  públicos disponíveis neste espaço.

Foram situações enfrentadas no nosso dia a dia como político.

Hoje, recolhido nesta quarentena, afloram as lembranças desse passado de lutas. Tivemos, na capital e no interior, diversos momentos nos quais precisamos agir com serenidade e, ao mesmo tempo, com firmeza.

Agora, todos nós estamos  passando por uma crise sem precedentes que exige das autoridades que têm a responsabilidade de conduzir o enfrentamento desta situação o equilíbrio necessário para tomar as decisões com base nas informações técnicas, nos estudos científicos e nas orientações qualificadas.

Nesta hora, os mais otimistas, como nós, percebem que a prioridade, sim, é salvar vidas, sem deixar de pensar que logo virá o momento da reconstrução com visão de futuro.

Precisamos adotar toda a precaução, sim, mas também fazer todo o esforço necessário e recomendado para a população voltar a ter perspectivas.

Certos de que não perderemos a confiança na nossa capacidade de nos reerguermos, apoiando os que mais precisam da solidariedade em circunstâncias críticas. Assim, o momento de reconstrução poderá encontrar uma opinião pública mais amadurecida.




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