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Natal
Menos ambulâncias estão nas ruas
Publicado: 00:00:00 - 17/11/2016 Atualizado: 22:50:16 - 16/11/2016
Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - Samu paradas e parte dos funcionários das unidades de saúde,  hospitais e maternidades municipais,  de braços cruzados marcaram o primeiro dia de greve da saúde em Natal. Na manhã de ontem (16), os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde não sabiam dizer qual era o percentual de adesão da paralisação, mas adiantaram que a expetativa era de que até 70% dos trabalhadores poderiam aderir à greve por tempo indeterminado. Em assembleia, os sindicalistas colocaram que a principal reivindicação é o pagamento dos salários dentro do mês trabalhado.
Das nove ambulâncias do Samu/Natal, cinco ficaram no pátio da base. Ocorrências devem passar por regulação minunciosa
A paralisação faz parte da greve unificada do Sindicato dos Servidores Públicos de Natal (Sinsenat), Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do RN (Sindsaúde), Sindicato dos Enfermeiros do RN (Sindern) e  Sindicato dos Odontologistas do RN (Soern). Os servidores da Saúde Municipal reclamam, entre outros pontos, a falta do pagamento dos salários no último dia útil do mês trabalhado e a implementação da correção das 30 horas dos profissionais de Enfermagem, cuja lei foi promulgada pelo prefeito Carlos Eduardo em abril passado.

“Nos locais de trabalho, a paralisação será de 30% a 50% dos trabalhadores. Mas tem setor que não vai parar porque só tem um servidor trabalhando, além de profissionais que não estão recebendo por insalubridade há 5 anos”, disse a diretora do Sindicato dos Servidores em Saúde (SindSaúde/RN), Célia Dantas. Segundo a sindicalista, o percentual de greve ainda não foi definido. “A partir de amanhã iremos nas unidades para ver o percentual, e quem não aderiu vamos chamar”, declarou a dirigente.

As unidades de saúde com maior adesão são as das Zonas Norte e Oeste de Natal. Célia Dantas explicou que o Hospital Municipal de Natal não tem grande adesão à greve, pois a maior parte dos funcionários trabalham com contrato temporário. Segundo a sindicalista, o Município possui 15 mil servidores da saúde e 70 unidades.

Em função da paralisação, cinco  ambulâncias do Samu/Natal ficaram paradas no estacionamento da base, em Dix-Sept Rosado.  Das nove ambulâncias equipadas como Unidades de Suporte Básico, quatro não saíram da garagem. Das três Unidades de Suporte Avançado, também chamadas de Unidades de Terapia Intensiva Móveis, uma ficou parada na sede.

A coordenadora do Samu Municipal,   Cecília Karla Picinin afirmou que os serviços de urgência não serão prejudicados com a paralisação. A médica  externou que no dia-a-dia, o Samu presta serviços que não são, essencialmente, de sua competência, como transferência de pacientes. “Quando a frota está diminuída voltamos para a essência do Serviço de Atendimento Móvel , que é o atendimento de urgência”, explicou Cecília.

Segundo a coordenadora do Samu Municipal, em média são feitos 72 atendimentos locais pelas equipes. No mês de outubro, foram atendidas 2.166 chamadas na capital, destas, 16% (351) são de transferências. “Ao meu ver, talvez a população não perceba essa greve no que se refere ao Samu. Vamos ter um rigor maior nos atendimentos”, disse a coordenadora.

Município
Sobre a greve dos servidores da Saúde, o secretário de saúde do município, Luiz Roberto Fonseca disse que os efeitos da paralisação são “graves”.  De acordo com o secretário, a paralisação é legítima, mas não pode prejudicar os serviços considerados indispensáveis. “Vamos conversar com o sindicato e com o Ministério Público. Em serviços essenciais, como UPA, Prontos Socorros, SAMU e portas de entradas de maternidades, as paralisações devem garantir, pelo menos, 75% de capacidade de assistência”, disse.
Luiz Roberto, secretário
Luiz Roberto Fonseca ainda lembrou os efeitos que a paralisação trará para o SAMU. Dos cerca de 290 profissionais do SAMU, aproximadamente 50% são servidores efetivos. “Em uma paralisação dessas, os efeitos são graves. Você tem menos ambulâncias circulando, ainda tem o problema da retenção de macas em hospitais, em algum momento a cidade vai ficar sem ambulância da SAMU circulando. No setor de regulação, vamos acabar fazendo a escolha entre um paciente grave, muito grave e com capacidade letal. Com a redução dos serviços, o SAMU vai acabar tendo que atender apenas os casos de capacidade letal”, disse.

Nesta quarta-feira, a Prefeitura do Natal pagou mais uma parte dos salários dos servidores, sendo que agora 88% desses trabalhadores estão com os vencimentos referentes ao mês de outubro pagos. Segundo o secretário de Saúde, se algum desses 88% paralisar as atividades, poderá ter o ponto cortado. “Segundo a nova legislação referendada pelo STF, o serviço público não pode pagar servidores que fazem greve sem que haja motivação. Mas ainda vamos conversar com Ministério Público e Procuradoria do Município para decidir sobre isso. O que podemos afirmar é que a Prefeitura está fazendo de tudo para regularizar essa situação, inclusive com medidas que já estão na Câmara Municipal”.

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