Mercado formal tem pior desempenho em 16 anos

Publicação: 2020-05-28 00:00:00
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Margareth Grilo 
Editora Executiva

O mercado de trabalho formal no Rio Grande do Norte, registrou, em abril deste ano, o pior desempenho para o mês nos últimos 16 anos. Com a pandemia do novo coronavírus, o RN teve, em abril de 2020, um saldo mensal entre admissões e desligamentos três vezes maior do que o pior resultado da série histórica (2004-2019), que foi no mês de abril de 2009, com o fechamento de 2.627 empregos formais. De acordo com dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados  (Novo Caged),   divulgados nesta quarta-feira (27), pela Secretaria de Trabalho, do Ministério da Economia, o RN contabilizou, no mês passado, 4.389 admissões e 12.692 desligamentos, com um saldo recorde de 8.303 empregos formais a menos. Em abril de 2019, o saldo negativo foi de 501 vagas fechadas.

Créditos: Magnus Nascimento


No acumulado deste ano (de janeiro a abril), o Estado perdeu 13.108 empregos com carteira assinada. Foram 40.043 admissões contra 53.151 desligamentos. No mesmo período de 2019, foram 46.517 admissões contra 52.444 desligamentos, com fechamento de 5.927 postos formais de trabalho. Os dados comparativos, inclusive os de 2019, foram extraídos da estatística do antigo Caged e os de 2020 do Novo Caged, que teve alteração metodológica na captação de informações da base de dados sendo feito no Sistema de Escrituração Fiscal Digital das Obrigações Fiscais Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), e foi divulgado nesta quarta-feira após quatro meses.

No Nordeste, o RN teve o quarto maior saldo negativo, ficando atrás apenas da Bahia (-32.482); Ceará (-29.870) e Pernambuco (-24.965). Em todo o Nordeste, o saldo mensal negativo foi de 190.081 empregos formais a menos. Foram 592.704 admissões contra 782.785 desligamentos. 

Panorama em Natal
Na capital do Estado, Natal, foram fechados no mês de abril deste ano 4.382 vagas com carteira assinada, o que significa 19 vezes o o saldo negativo registrado em abril do ano passado, que foi de 223 postos fechados. No acumulado deste ano, a capital perdeu 6.085 empregos formais, ante 201 nos quatro primeiros meses de  2019.

Cenário nacional
No Brasil, o dado de fechamento de vagas de emprego formal em abril, com saldo negativo de 860.503, também é o pior para todos os meses da série histórica, segundo a coordenadora-geral de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos da Secretaria de Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Mariana Eugênio. De acordo com os dados do Caged o pior desempenho para o mês havia sido em abril de 2015, que registrou saldo negativo de 97.828. Em abril de 2019, as empresas tinham fechado 129.601 vagas de carteira assinada. De janeiro a abril, o saldo negativo foi de 763.232, também o pior da série histórica.

Em coletiva à imprensa sobre os números, Mariana ponderou que, apesar do pior resultado, o mês de abril foi atípico em razão da pandemia do novo coronavírus, e pelo fato de a crise ter afetado muito as admissões. Foram 598.596 contratações e 1.459.099 desligamentos no período. "A ressalva é que é um mês totalmente atípico. Houve queda muito grande nas admissões, o que contribuiu para o saldo negativo", disse ela.

Em janeiro, o saldo foi de 113.155, com 1.461.965 admissões e 1.348.810 demissões. Já fevereiro registrou 1.553.294 contratações e 1.328.476 desligamentos, com saldo positivo 224.818. No mês de março, o resultado foi negativo em 240.702, com 1.386.126 contratados e 1.626.828 demitidos.

O Secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco reforçou a declaração, afirmando que é o mês "mais diferente". "Não é o mais negativo, é o mais diferente. É de fato uma situação mais inusitada", disse. Segundo ele, o ponto positivo é o que o governo está conseguindo "preservar empregos", mesmo que a série aponte para um nível menor de contratações. 

Para o secretário de Trabalho da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, Bruno Dalcolmo, é preciso considerar que, em outras crises, os efeitos negativos no emprego foram percebidos de forma mais lenta, diferentemente da pandemia. "Essa crise se diferencia não pela profundidade, mas pela velocidade", disse.

Mínimo
O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada teve alta real em abril ante o mesmo mês de 2019, de R$ 1.496,92 para R$ 1.814,62, segundo dados do Novo Caged.

Dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados divulgados ontem

RIO GRANDE DO NORTE - Abril 2020*

Admissões  
4.389
Desligamentos 
12.692

Saldo 
 -8.303

Acumulado do ano – 2020

Admissões 
40.043

Desligamentos 
53.151

Saldo 
-13.108

NATAL - Abril 2020*

Admissões 
2.089

Desligamentos 
6.471

Saldo 
-4.382

BRASIL - saldo mês a mês – 2020
Janeiro (+113.155)
Fevereiro (+224.818)
Março (-240.702)
Abril (-860.503)
Acumulado no ano (-763.232)

SALDO POR SETOR ECONÔMICO
Comércio (- 2.167)
Serviços (- 1.775) 
Alimentação e alojamento (-1.545)
Indústria (- 848)
Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-791)
Construção (- 775)
Transporte, armazenamento e correio (- 422)

*Dados sem ajustes, sujeitos à atualizações nos próximos meses



Fonte: Novo Caged – SEPRT/ME e Caged antigo








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