Mercados tentam se reinventar

Publicação: 2019-05-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Luiz Henrique Gomes
repórter

Mais de 50 anos de história marcam os mercados públicos de Natal, que acompanham o desenvolvimento da cidade e precisam se transformar para continuarem ativos. Existem oito mercados públicos espalhados em três zonas da cidade (Norte, Leste e Oeste), mais de 450 espaços disponíveis para pequenos restaurantes, feirantes, bares, sebos e até o inclassificável numa dessas categorias, tamanha variação de produtos. Mas, nem todos estão ocupados – o Mercado das Rocas tem apenas dois de 83 boxes em funcionamento – e a sensação generalizada é de abandono do poder público.

O tradicional Mercado da Avenida 6, no Alecrim, é o mais frequentado de acordo com a Semsur, mas ainda busca um novo perfil
O tradicional Mercado da Avenida 6, no Alecrim, é o mais frequentado de acordo com a Semsur, mas ainda busca um novo perfil

Os mercados são administrados pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Natal (Semsur). Oficialmente, a secretaria tem o papel de responder pela organização e administração das atividades, acompanhamento e solicitações das demandas dos ocupantes – chamados de permissionários. No entanto, transitar nesses locais é escutar reclamações constantes. As mais comuns são a falta de limpeza, segurança e mais esforço para tornar os mercados mais atrativos para os moradores de Natal e turistas. A sensação é de que caíram no esquecimento desde o surgimento de outras formas de consumo, como o supermercado.

Nelson Marques, crítico de cinema que há 10 anos está no Mercado de Petrópolis, o único considerado reconhecidamente como cultural, relembra essa insustentabilidade do mercado público continuar como um espaço de venda de hortifrútis e carnes. “Aqui era um mercado como qualquer outro. A medida que foram surgindo outras formas de compra desses produtos, aqui foi se tornando um mercado voltado para a cultura para continuar suas atividades. E se desenvolveu bem. Aqui está a sede do Cineclube Natal, antiquários, sebos e temos o espaço cultural Abraham Palatnik, na parte superior do mercado”, afirma.

Se o Mercado de Petrópolis conseguiu ganhar essa nova identidade, o tradicional Mercado da Avenida 6, no Alecrim, é o mais frequentado de acordo com a Semsur, mas ainda tateia um novo perfil. As antigas barracas de frutas e açougues deram lugar ao artesanato e a restaurantes. “Mas ainda está atrás do que poderia ser. Eu entrei aqui em 1958 e digo que sempre foi um mercado que o poder público não dá atenção que tem que dar”, afirma Honorato Rodrigues, 82 anos, vendedor de artesanato e cereais, o mais antigo no local.

A última reforma no local foi nos banheiros, em 2015. A Prefeitura de Natal reconhece que novas obras são necessárias na estrutura e cobertura. Não é o único: o Mercado das Rocas, que passou por uma reforma durante sete anos e teve um investimento de R$ 5 milhões, passou por uma nova reforma no ano passado de R$ 432 mil reais para pintura do teto “com uma tinta especial para refletir o calor” e abrir algumas partes da estrutura para melhorar a ventilação. Agora, precisa de reparos no teto novamente porque, segundo a Semsur, as chuvas recentes o danificaram.

Para o Mercado da Redinha, o segundo mais frequentado, existe um processo de revitalização mais amplo, que vai modificar a orla com o objetivo de transformar o local em um pólo turístico da cidade. Os permissionários consideram que hoje existe uma boa estrutura e presença da secretaria no local, mas temem que essa revitalização cause o mesmo efeito de abandono ocorrido no Mercado das Rocas. “Nas Rocas, retiraram todo mundo que trabalhava lá. A gente tem medo que isso aconteça conosco e o mercado morra”, sintetizou Ivani Florêncio.

‘Mercado da 4’ tem situação crítica

O Mercado da Avenida 4, chamado também de Mercado da Pedra, é uma exceção entre os mercados públicos de Natal há anos. Ele é o único que não conta com um administrador da Semsur, nem com limpeza e equipe de segurança. Está entregue aos permissionários, que pode ser qualquer um que monte barraca e comercialize o que quiser. A Prefeitura de Natal reconheceu, por meio de nota, os problemas de segurança e buscou o Ministério Público do Estado no início deste ano para tentar encontrar uma solução, até agora não apresentada.

O local tem espaço para 200 permissionários, mas hoje é impossível contar quantos estão presentes, entre barracas montadas nos corredores e comércio feito de qualquer maneira. Para se manter minimamente limpo, parte dos comerciantes paga uma equipe de limpeza, segundo Elisoneide Silva, no local há 25 anos. “Existe um abandono total. A Prefeitura só vem aqui dizendo que via fechar”, relata.

Nos três últimos anos, a Polícia Militar fez pelo menos três operações no local para apreender  produtos de contrabando e drogas ilícitas. As operações foram divulgadas pela imprensa na época, contribuindo para a imagem de um mercado violento e perigoso. Oficialmente, o resultado dessas operações foram oito prisões em flagrantes.










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