Metade da população do Rio Grande do Norte tem renda média per capita de até R$ 289

Publicação: 2019-10-17 00:00:00 | Comentários: 0
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A desigualdade de renda no Rio Grande do Norte, a exemplo do País, alcançou patamar recorde em 2018, aponta a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados, divulgados nesta quarta-feira (16), mostram que a metade da população potiguar, quase 1,740 milhão de pessoas, tem renda média mensal per capita de até R$ 289 – o equivalente a 69% da média nacional. No Brasil, quase 104 milhões de pessoas viviam, em 2018, com R$ 413 mensais,  considerando todas as fontes de renda. 

Rendimento da população 10% mais rica do RN é 46 vezes maior em relação aos 10% mais pobres
Rendimento da população 10% mais rica do RN é 46 vezes maior em relação aos 10% mais pobres

A PNAD revela que o rendimento da população 10% mais rica do Estado em relação aos 10% mais pobres é 46 vezes maior. Essa concentração é a mais alta registrada nos últimos sete anos. Em 2012, os 10% mais ricos ganhavam 32 vezes mais que os 10% mais pobres. Em 2017, essa razão foi de 36 vezes. Em valores absolutos, os 10% mais ricos ganhavam em 2018 perto de R$ 7.100, um valor 18% maior do que o registrado em 2017 (R$ 6.060). Entre os 10% mais pobres, o rendimento entre 2017 e 2018 reduziu 7,7%, passando de R$ 168 para R$ 155.

Em 2018, o rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 944 no Rio Grande do Norte, registrando crescimento de 8,9% em comparação a 2017, quando atingiu R$ 867, mas ainda está abaixo do máximo obtido em 2016, R$ 963, e do nível de 2015, R$ 961. Já o rendimento médio nacional per capita foi de R$1.337, o que representou crescimento de 4% em relação a 2017, R$1.285.

No Rio Grande do Norte, as mulheres têm rendimento médio mensal de 81% da renda dos homens; no Brasil, de forma semelhante, o rendimento médio mensal é de 79% do obtido pelos homens. Já as pessoas pardas têm rendimento médio mensal equivalente a 73% das brancas; as autodeclaradas pretas, 66%.

Cenário nacional
No País, o 1% mais rico - somente 2,1 milhões de pessoas - tinha renda média de R$ 16.297 por pessoa, no ano passado. Ou seja, essa pequena fatia mais abastada da população ganhava quase 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide populacional. Se considerados apenas os trabalhadores com renda do trabalho, a fatia de 1% mais bem remunerada recebia R$ 27.744 mensais, o que corresponde a 33,8 vezes o rendimento dos 50% dos trabalhadores com os menores rendimentos, que recebiam, em média, R$ 820, menos que o salário mínimo em vigor no ano. A diferença foi a maior da série histórica da pesquisa. 

O Piauí é a unidade da federação em que há a maior disparidade entre esses dois grupos populacionais: os 10% mais ricos ganham 72 vezes mais que os 10% mais pobres. Santa Catarina apresenta uma diferença de 12 vezes, a menor do Brasil.

Em todo o País, 10,4 milhões de pessoas (5% da população) sobrevivem com R$ 51 mensais, em média. Se considerados os 30% mais pobres, o equivalente a 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita subia a apenas R$ 269. Mesmo passada a crise econômica, a desigualdade se agravou. A renda domiciliar per capita dos 5% mais pobres caiu 3,8% na passagem de 2017 para 2018. Ao mesmo tempo, a renda da fatia mais rica (1% da população) cresceu 8,2%.

Índice de Gini
No Brasil, o Índice de Gini -  medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade - foi estimado em 0,545 em 2018. No RN, esse Índice foi estimado em 0,535. Já o Índice de Gini do rendimento médio mensal real de todos os trabalhos foi estimado em 0,509 no Brasil. No RN, esse Índice foi estimado em 0,529. Isso significa, segundo análise do IBGE, que a desigualdade de renda entre os trabalhadores do Rio Grande do Norte é maior que a nacional.

No geral, os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos, confirmou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad. Para a pesquisadora, o fenômeno tem relação com a crise no mercado de trabalho, que afetou especialmente o extrato de trabalhadores com menor qualificação e menor remuneração. "Continuam no mercado de trabalho aqueles que ganham mais", justificou Maria Lucia Vieira.

PNAD Contínua mostra distância entre ricos e pobres:
desigualdade info


Sudeste na frente
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1 285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886.

Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos, de acordo com dados da Pnad Contínua. O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes - medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade - teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513.

O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

O IBGE mostra que, com mais pessoas trabalhando, a massa de renda de todas as fontes cresceu de R$ 264,9 bilhões em 2017 para R$ 277,7 bilhões em 2018. Mas a concentração de renda aumentou, os 10% mais pobres detinham 0,8% da massa de rendimentos, e os 10% mais ricos concentravam 43,1%.

Aposentadorias e pensões
As aposentadorias e pensões vêm ganhando importância na renda das famílias nos últimos anos. Por outro lado, encolheu a contribuição dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Em meio a um cenário de envelhecimento da população e mercado de trabalho ainda precário, as aposentadorias e pensões, que representavam 19,9% da renda domiciliar per capita em 2017, aumentaram sua fatia para 20,5% em 2018.

"Teve valorização do salário mínimo. A maioria dos aposentados recebe de um a dois salários mínimos. Isso contribui. Tem o peso demográfico, tem um quantitativo de pessoas a mais se aposentando, e tem o próprio processo de valorização monetária do beneficio", avaliou Adriana Araújo Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Por outro lado, os programas de transferência de renda vêm perdendo participação na renda das famílias ao longo dos anos. Segundo o IBGE, o porcentual de famílias que recebem Bolsa Família caiu em sete anos, passando de 15,9% dos lares brasileiros em 2012 para 13,7% em 2018.

No RN, o  percentual de domicílios com recebimento de dinheiro do programa social é o menor do Nordeste, 23,3%. Já o Maranhão é o estado com maior proporção de domicílios com recebimento do Bolsa Família no Brasil, 37,4%. Os brasileiros que ainda permaneciam beneficiários do programa em 2018 tinham renda domiciliar per capita de R$ 341.

Alta no emprego
O mercado de trabalho brasileiro registrou 90,1 milhões de pessoas ocupadas com idade igual ou superior a 14 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma recuperação da queda anotada há três anos. Os dados fazem parte da avaliação dos rendimentos de todos os tipos de trabalho e de outras fontes de pessoas residentes no Brasil, incluída na PNAD Contínua.

Entre 2012 e 2015, o crescimento médio anual foi de 1,2%. A trajetória foi interrompida em 2016, quando houve queda de 1,0%. Em 2017, se manteve estável para, em 2018, subir um pouco: 1,5%. Entre 2012 e 2018, a alta ficou em 4,6%.

Embora as mulheres representem mais da metade da população em idade para trabalhar (52,3%), cabem aos homens a maior parcela de trabalhadores: 56,7%. A participação masculina supera a feminina em todas as regiões do país. No ano passado, o Sudeste anotou a maior participação feminina na ocupação atingindo 44,6%. Entretanto, se for observado o período de seis anos, em relação a 2012, o Nordeste teve o maior avanço, passando de 39,8% em 2012 para 42,1% em 2018.

A pesquisa mostra que o nível de instrução foi determinante para o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos: as pessoas que não possuíam instrução recebiam R$ 856. Para quem tinha ensino fundamental completo ou o equivalente, houve um valor 67,8% maior, e alcançou R$ 1.436,00.No caso do ensino superior completo, o rendimento médio (R$ 4.997) era cerca de três vezes maior dos com ensino médio e cerca de seis vezes para os sem instrução.












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