Meu segundo 21 de junho

Publicação: 2020-02-28 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Créditos: DivulgaçãoMeu segundo 21 de junhoMeu segundo 21 de junho


Quando o juiz alemão Rudi Glöckner apitou o fim da decisão da Copa do Mundo de 1970, na distante tarde de 21 de junho, a estreita rua em que eu morava ficou minúscula para caber tanta gente feliz que se aglomerou na porta e janela do meu vizinho, um dos únicos três moradores detentores de televisão num raio de alguns quarteirões do bairro. Enquanto adultos e crianças pulavam enloquecidos, uma senhora septuagenária derramava lágrimas na cadeira.

Chorando muito, perguntou quando aquilo iria acontecer de novo, e se na próxima ela ainda estaria viva para presenciar tanta felicidade. Era Dona Lili, a sogra do dono da casa, o professsor de geografia Seu Daniel. Depois daquele dia, e pelas copas que acompanhei vida afora, sempre lembrava dela quando via a seleção brasileira fracassar. E assim se passaram 24 anos até acontecer aquele improvável tetra com o esquema de Parreira. Ela já havia partido.

Alguém disse uma vez que se a felicidade se resumisse numa partida de futebol, o mundo seria um lugar melhor para se viver. O rei Pelé, que ganhou tudo, disse que “quanto mais difícil é a vitória, maior é a felicidade em ganhar”.

Ontem, quando vi no noticiário a morte do técnico Valdir Espinosa, lembrei de como ele me permitiu um deja vu emocional num outro 21 de junho, em 1989, quando o Botafogo encerrou um vazio de título que já perdurava 21 anos.

A experiência de soltar um grito contido, de estravasar a alegria após um tempo alongado de ausência, acontecera em 1977 com a gigantesca torcida do Corinthias, que como a do Botafogo, esperava uma conquista há 21 anos.

A campanha vitoriosa e recente do Flamengo, vencendo a Copa Libertadores depois de 38 anos, é o retrato ampliado daquela felicidade corintiana em 1977, da epifania botafoguense em 1989 e do civismo verde-amarelo em 1994.

A morte de Valdir Espinosa me leva de volta àquela tarde de 21 de junho, uma quarta-feira. Eu estava beirando os 30 anos, havia mais um filho a caminho, mas a paixão clubista impôs fugir do trabalho, na Dumbo, para esperar o jogo.

Marquei com o amigo Carlos Soares, que fazia dupla comigo na agência, para esticar o primeiro expediente durante o almoço e sair perto das 17h para sua casa, na avenida Norton Chaves, vizinha do prédio da sede dos Correios.

Daquele dia há uma foto, na calçada, onde nós conversávamos com o sociólogo Homero Costa; ele sentado na sua motocicleta e eu e Carlos em pé ao lado. Pertinho do início da grande final carioca, entramos para assistir.

Um dos maiores nomes do futebol inglês, o histórico técnico do Liverpool, Bill Shankly, falou que “O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito, mas muito mais importante que isso”. Espinosa me fez entender a assertiva.

Porque só quem espera tanto a alegria de um título que parece não vir entende a essência imprescindível de uma conquista. E naquela noite, graças a Valdir, milhares espremidos no Maracanã e eu na sala de Carlos, confirmaríamos.

Não foi um jogo tão bonito quanto à final da Copa de 1970, mas provocou no eu adulto a felicidade que sacudiu o eu menino na tarde de 50 anos atrás. E a estrela solitária parecia conduzir o Fogão, pois até Zico esteve apagado.

Foi quando o “galinho” saiu, substituído por Marquinhos, que o ponta Mazolinha cruzou da esquerda, Maurício meteu a ponta da bota e fez o gol do título. Na noite gloriosa que Valdir Espinosa me deu. E também por isso ele valeu ter existido.

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