Miami e Areia Preta, lugar de esportes à beira-mar

Publicação: 2019-01-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Primeira praia de Natal oficializada como balneário público nos idos de 1908, Areia Preta e a vizinha Praia de Miami são as mais organizadas da orla na zona Leste da cidade. Único trecho do litoral urbano que ainda ostenta faixa de areia mesmo em períodos de maré alta, as praias de Areia Preta e Miami são as preferidas para quem quer se exercitar à beira mar: cones coloridos espalhados na areia permitem os treinos funcionais, quadras atraem adeptos do beach tênis, vôlei e futevôlei, e ondas fortes conquistam os surfistas. O local também conta com equipamentos para exercícios simples de barra. O banho de mar requer noções de natação, e cuidados extras com as pedras e os pontos de correnteza sinalizados pelo Corpo de Bombeiros.

Letreiro instalado pela Prefeitura de Natal faz sucesso entre turistas. Areia Preta e a Praia de Miami ocupam juntas 1 quilômetro e possuem equipamentos para a prática de esportes
Areia Preta e a Praia de Miami ocupam juntas 1 quilômetro e possuem equipamentos para a prática de esportes

É em Areia Preta que fica o letreiro com o nome da cidade mais fotografado pelos turistas. Área de descanso e convivência, um relógio de sol e os grafites que começam a cobrir o cinza do paredão erguido para evitar desmoronamento do calçadão e da via asfaltada completam a gama de atrações do lugar.

Localizadas entre a Via Costeira e a Ladeira do Sol, Areia Preta e Miami se estendem – juntas – por cerca de 1 quilômetro. O tamanho reduzido das praias, somado ao entendimento entre moradores dos grandes condomínios de luxo construídos na orla a partir de 1994 com a comunidade do bairro de Mãe Luiza que ocupa a duna que compõe a paisagem original da costa desde a década de 1940, proporcionou uma organização local diferenciada em relação às demais praias urbanas. É sobre essa duna que se encontra o Farol de Natal inaugurado em 1951 – o Farol de Mãe Luiza possui 37 metros de altura e seu facho de luz tem alcance de 72 km.

“Criamos um grupo com moradores, comerciantes e esportistas para garantir uma ocupação mais organizada”, disse Max da Silva Fonseca, de 34 anos, tido como um dos “líderes” do grupo que toma conta da praia. Ex-surfista que trocou as ondas pelo tatame após um acidente de moto, Max é morador de Mãe Luiza e diz que “há quatro anos vivemos uma trégua aqui na orla”, que trouxe mais tranquilidade aos frequentadores: “não vemos mais assaltos nem brigas por aqui”, garante.

Ele disse que o espaço para a instalação das quadras de futevôlei e beach tênis, e a implementação dos três chuveiros foram temas definidos dentro do grupo de discussão de moradores.

“Estamos em cima”
O comerciante Carlão, de 57 anos, que há mais de 20 anos mantém a única barraca estruturada da Praia de Miami, reforça o discurso de organização. “A praia ficou mais democrática e mais tranquila depois que os moradores se organizaram, estamos sempre limpando e  ajeitando os canteiros. Temos policiamento rondando e a iluminação está boa. Qualquer coisa que falta, vamos logo em cima da Prefeitura cobrar”, informou o comerciante. Ele garantiu que “dava para ficar aberto até tarde da noite se tivesse um quiosque mais estruturado para atender o movimento”. Também contou que a Praia de Miami recebe surfistas de todos os bairros da cidade.

Carlão: a praia ficou mais democrática e mais tranquila depois que os moradores se organizaram
Carlão: “a praia ficou mais democrática e mais tranquila depois que os moradores se organizaram”

As ondas ganharam tamanho forma e volume após a instalação de um quebra-mar construído para evitar a erosão marinha – como consequência, o projeto reduziu as ondas na vizinha Praia dos Artistas. “Temos sempre campeonatos de surfe por aqui, o próximo será dia 20 de janeiro, com direito à roda de samba”, avisou o comerciante.

Entre as reclamações mais recorrentes estão a falta de banheiros públicos e a língua negra de esgoto doméstico despejado 'in natura' à beira mar na altura da nova escadaria que dá acesso de Mãe Luiza até a orla.

História
Areia Preta foi a primeira praia urbana de Natal oficializada como balneário público em 1908, e na década de 1930 era destino de veranistas abastados da cidade. Seu nome deriva da cor escura da areia devido o material ferruginoso diluído das pedras que tingem a beira mar; em 1956, o então governador Sílvio Pedrosa (1918-1998) inaugurou um trampolim no mesmo local onde atualmente se encontra o letreiro de Natal – os vestígios do trampolim resistiram até a década de 1980.

Já a Praia de Miami foi batizada por soldados norte-americanos que se instalaram na capital do Rio Grande do Norte durante a Segunda Guerra Mundial. Na porção mais ao Sul da pequena enseada que tem cerca de 1 km de extensão, sobre a falésia, um casarão construído nos anos 1970 e que nunca chegou a ser ocupado pontua a paisagem. Segundo informações históricas, a mansão pertencia à família de Otacílio Maia, proprietário do desativado e saudoso Cine Rio Grande. Não há confirmação de que a União e/ou a Marinha chegaram a autorizar a ocupação da residência, motivo que pode ter desmotivado a conclusão do imóvel, cujo projeto é assinado por Ubirajara Galvão e Moacyr Gomes (arquiteto do estádio Machadão, que deu lugar ao estádio Arena das Dunas no bairro de Lagoa Nova).
areia preta

Característica da praia:
Ondas fortes boas para o surfe, orla com pedras e pontos de correnteza – detalhes que exigem atenção dos banhistas nos locais sinalizados pelo Corpo de Bombeiros

Possui faixa de areia mesmo em períodos de maré alta oferecem espaço para a prática de esportes como futevôlei, vôlei, treinos funcionais e beach tênis

A Praia de Areia Preta ainda convive com problema de esgoto, e às vezes se encontra imprópria     para o banho devido a poluição

Áreas de descanso, apreciação da paisagem e de convivência são um dos diferenciais desse trecho do litoral urbano. O local também é endereço do Farol de Mãe Luiza

O letreiro de Natal é o mais fotografado entre os quatro instalados na cidade (Redinha, Ponta Negra e na Praça da Árvore do bairro de Mirassol)

Acesso facilitado a partir da Via Costeira e da Ladeira do Sol


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