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Brasil
Microcefalia cresce no Sudeste
Publicado: 00:00:00 - 21/06/2016 Atualizado: 21:03:53 - 20/06/2016
Brasília (ABr) - O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage Carmo, disse ontem que nas últimas cinco semanas, há indicativo de que o problema da microcefalia está se agravando na Região Sudeste, que não só acompanhou o crescimento de casos suspeitos em relação à Região Nordeste, mas a ultrapassou por uma pequena margem: 172 contra 171 bebês que podem ter microcefalia.
Número de crianças com indicativo de malformação cerebral tem crescimento maior no Sudeste
No acumulado de casos, o Nordeste ainda concentra cerca de 75% de bebês com o perímetro da cabeça menor que o estabelecido para a notificação de casos, que atualmente é de 32 cm. Mas o número de crianças que tem nascido com o indicativo de malformação cerebral, de acordo com Eduardo Hage Carmo, vem aumentando mais no Sudeste do que em outras localidades do país e, nas últimas semanas, já supera a região nordestina.

Carmo deu a informação no Seminário Estadual de Vigilância e Resposta às Arboviroses e suas Complicações, iniciado hoje, no Recife. De acordo com o diretor, na Região Nordeste tem havido desaleceração do registro de novos casos desde o fim do ano passado, enquanto no Sudeste, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, o movimento é contrário.

Rio de Janeiro e São Paulo são os estados com maior crescimento de registros suspeitos de microcefalia. Nas últimas cinco semanas a variação foi de 46 (RJ) e 104 (SP) novos bebês notificados, enquanto no Espírito Santo e em Minas Gerais o total foi de 11 registros cada. O caso de São Paulo – o mais populoso do Brasil – ultrapassa qualquer estado do Nordeste. A maior variação é de Pernambuco, com 52 novas suspeitas – metade do observado no estado paulista.

O diretor Eduardo Hage analisa os números recentes: “Provavelmente, os casos estão relacionados ao pico de ocorrência de infeção por zika, que na região Sudeste se dá depois da região Nordeste. Enquanto na região Nordeste há um pico no primeiro semestre, até meados de junho/julho, na região Sudeste esse pico se dá entre novembro, dezembro [de 2015], janeiro e fevereiro [de 2016]. Há um período entre a ocorrência da infecção por zika e a notificação da microcefalia, que é a gestação”, explica. Segundo ele, a tendência é que haja uma curva ascendente dos casos na região.

O último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde informa que, em 2016, foram 54.803 casos de Zika no Sudeste, contra 51.065 na Região Nordeste.

Protocolo
Para definir um padrão sobre quais malformações e sintomas constituem a síndrome associada ao Zika, o Ministério da Saúde e a Opas vão se reunir com especialistas nacionais e internacionais para definir e categorizar a síndrome. A data do encontro ainda não está definida, mas a previsão é que ocorra em meados de julho, em Brasília.

Em Pernambuco, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, cerca de 20% dos bebês de mães que tiveram Zika não têm microcefalia, entretanto, apresentaram alguma alteração no sistema nervoso central. Para driblar o desafio mencionado pelo Ministério da Saúde e garantir diagnósticos amplos, o estado optou por incluir, no Protocolo Clínico e Epidemiológico da Síndrome do Zika Congênito, que vai ser lançado em 15 dias, a notificação de casos a partir de sintomas clínicos, comuns nesses bebês.

Os sintomas são: quadros convulsivos, irritabilidade, desproporção crânio-encefálica, dificuldade cognitiva ou motora (relacionada ao aprendizado ou ao movimento), alterações nas articulações e as malformações relacionadas ao sistema nervoso central (não identificadas por imagem) e problemas auditivos ou visuais.

A investigação vai ser retrospectiva, abrangerá bebês nascidos antes do novo protocolo entrar em vigor. “Isso só quando o bebê nasce, aí você observa. Inclusive lesões menores, até imperceptíveis, que a gente não tem como diagnosticar agora”, aponta o diretor de Doenças Transmissíveis da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, George Dimech.

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