Microcrédito ganha força no RN

Publicação: 2017-11-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Ricardo Araújo
Editor de Economia

O financiamento de microempreendimentos deverá movimentar, até o final deste ano no Rio Grande do Norte, quase meio bilhão de reais. Os recursos, emprestados principalmente pelo Banco do Nordeste e Agência de Fomento do Rio Grande do Norte (AGN), viabilizam desde carrinhos de cachorro-quente a restaurantes, além de salões de beleza e lojas de roupas. Com tíquetes médios de R$ 1.575,00 por contrato, dois mil novos clientes foram registrados no Banco do Nordeste de janeiro a outubro deste ano. A procura pelo microcrédito é vista, por especialistas, como uma saída para a crise financeira com abertura de negócios próprios.

Crediamigo viabilizou negócio da cabeleireira Antônia Pierote
Crediamigo viabilizou negócio da cabeleireira Antônia Pierote

“A microfinança tende a crescer num momento de crise. É uma área da economia muito dinâmica. O aumento do desemprego fomentou a contratação do microcrédito. São comerciantes, prestadores de serviços, toda pessoa que exerce uma atividade lícita que buscou uma saída para a crise”, diz o gerente de Microfinança Urbana do Banco do Nordeste, Irineu Anacleto de Lira Filho. Criado em 1997, a linha financiamento para contratantes de baixo poder aquisitivo, o Crediamigo, se inspirou num modelo indiano que fomentava a compra e comercialização de porcos para fomentar a atividades econômica num dos países de população mais pobre do mundo, a Índia.

Adaptado à realidade brasileira, o Crediamigo é hoje o mais antigo e o programa desse perfil com o maior número de clientes cadastrados e contratos efetivados. Em duas décadas de operacão, quase R$ 3 bilhões já foram movimentados pelo programa. “O maior provedor de renda no estado é o microempreendedor. Para muitos, eles chegam a ser invisíveis. Para nós, são atores de grande importância. Para a economia, eles são uma base de sustentação”, destaca Irineu Anacleto de Lira Filho. A cada mês deste ano, somente no Rio Grande do Norte, cerca de R$ 45 milhões foram contratados por 104 mil microempreendedores espalhados em todo o estado. Destes, 13.500 renovaram os financiamentos somente no mês passado.

Independência

Uma pesquisa realizada pela plataforma MindMiners revelou, no final de outubro passado, que 66% dos brasileiros desejam abrir um negócio próprio para terem mais autonomia e liberdade. Os que transformam o sonho em realidade, porém, ainda são poucos. Movida pelo desejo de mudança, há quase 30 anos, a cabeleireira Antônia Coutinho Pierote resolveu arriscar e iniciou a trabalhar por conta própria. Do início até hoje, muitos percalços. Muitos deles, porém, superados através do Crediamigo.

“Minha mãe diz que eu já nasci mexendo com cabelo e unha. Depois de trabalhar como vendedora, em salões de beleza, decidi abrir o meu. No início dos anos 2000, conheci o Crediamigo. Meu primeiro contrato foi de R$ 1 mil. De lá até hoje, aumentei o volume de contratação e está dando tudo certo”, afirma Antônia Coutinho Pierote. Encravado numa das ruas mais movimentadas do bairro Felipe Camarão, na zona Oeste de Natal, Tieta Cabelos tem clientela fiel e abre de domingo a domingo. É em Felipe Camarão que está a maior carteira de microempreendedores assistidos pelo Crediamigo em Natal.

Assim como Antônia Coutinho Pierote, todos os contratantes de linhas de financiamento no Banco do Nordeste são atendimentos por agentes especializados. Eles analisam o perfil do cliente, consultam histórico de crédito e determinam o valor a ser tomado de empréstimo. No caso de Antônia, por ser boa pagadora, hoje ela tem acesso a financiamentos de até R$ 10 mil. “O microcrédito me ajudou a aprender o que é empreender, a investir no que eu precisava para compor o meu negócio e manter uma reserva de segurança”, afirma.

Há quase uma década, as páginas de classificados de compra e venda desta TRIBUNA DO NORTE, coincidentemente, instigaram a então vendedora Tatiana Pereira Lima a realizar um sonho: ser dona do próprio negócio. “Meu marido e eu vimos o anúncio de venda de um restaurante e nos interessamos. Em 2014, contratamos o Crediamigo para investirmos na estrutura do restaurante e tem dado tudo certo. Não existe programa com essa facilidade e taxa de juros”, destaca. Para Irineu Anacleto de Lira Filho, o microempreendedor precisa ser mais valorizado. “Não é crédit pelo crédito que ofertamos. É a possibilidade de realização de um sonho, mas sobretudo desenvolvimento social”, destaca.

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