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Miguelinho, paradigma da lealdade, e seu martírio
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 11:53:36 - 22/01/2022
Pedro Simões 
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte - IHGRN

Miguel Joaquim de Almeida Castro nasceu em 17 de setembro de 1768, em Natal, mais precisamente na Rua Silva Jardim, na Ribeira. Filho do capitão Manoel Pinto de Castro, natural da cidade do Porto, Portugal, e dona Francisca Antonia Teixeira, natalense.

Aos 16 anos, viaja para o Recife e entra na Ordem dos Padres Carmelitas, professando, em 4 de novembro de 1784 com o nome de “Frei Miguel de São Bonifácio”, de onde veio o nome que comumente nos referimos a ele: frei Miguelinho.

Posteriormente, viajou a Lisboa, onde estudou em instituições científicas e literárias, além de ter contato com o clima social europeu da Revolução Francesa, os quais geraram dúvidas em Miguelinho sobre sua vocação para a vida religiosa, recebendo sua secularização pela Santa Sé.

Ao retornar ao Brasil, em 1800, é recebido como um grande intelectual, especialmente na filosofia, teologia, política e oratória. É então convidado a ser o professor de retórica no Seminário de Olinda, no qual ensina até 1817.

1817 é o ano da Revolução. E Miguelinho dela toma parte. Em 6 de março de 1817, uma denúncia falsa fez com que os revoltosos fizessem o governador pernambucano renunciar, e formaram um governo provisório, abraçando a causa, também, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

A monarquia envia tropas da Bahia por via terrestre, e, do Rio do Janeiro, por via marítima, cercando o Recife, levando os patriotas a recuarem para Olinda, em 18 de maio.

 Miguelinho, então secretário do governo provisório, juntamente com sua irmã, Clara Joaquina de Almeida Castro, fica encarregado de queimar os documentos relativos ao movimento para salvar a vida de seus amigos. É então preso e levado para julgamento na Bahia, assumindo a responsabilidade por todas as provas apreendidas. Foi condenado, e, em 12 de junho de 1817, fuzilado.

Miguelinho é um dos heróis celebrados pelo Instituto. A ele, Manoel Dantas dedicou páginas biográficas que estão na revista. Câmara Cascudo, sobre ele, escreveu nas Actas Diurnas, depois recolhidas no livro das Velhas Figuras.

No museu do Instituto está, para quem quiser ver, a estola de frei Miguelinho e um retrato, pelo ilustre pintor Antonio Parreiras, confeccionado em Paris, no ano 1916. Uma peça única.

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