Milícia pode ter matado Marielle, diz Jungmann

Publicação: 2018-04-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Rio de Janeiro (AE) - Milícias que atuam em comunidades pobres do Rio são as principais suspeitas do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes no dia 14 de março. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 16, pelo ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, após reunião com o secretário de Segurança, general Richard Nunes. O chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, porém, informou que só falará no fim do inquérito.

Raul Jungmann, apurações
Raul Jungmann, apurações revela que apurações do assassinato da vereadora e do motorista apontam para envolvimento de milicianos

"Os indícios apontam para um crime de milícia", afirmou Jungmann "Inicialmente havia um conjunto grande de possibilidades, mas essas hipóteses foram se afunilando e, agora, uma das que restam aponta para um crime praticado pela milícia."

As quadrilhas de policiais civis, militares, bombeiros e criminosos comuns dominam hoje 88 comunidades e têm na zona oeste seu principal reduto. O domínio atinge mais que o dobro das áreas que comandavam há oito anos, segundo o Ministério Público Estadual. Aproveitam-se da ausência do Estado para explorar serviços essenciais, incluindo venda de botijões de gás, de serviço de TV a cabo, de transporte por vans. Associam-se a traficantes e cobram proteção. Quem não paga pode ser morto.

O ministro frisou que o assassinato de Marielle é um caso raro. Foi uma execução política em que não foram feitas ameaças à vítima. Por isso, disse, a investigação está mais focada nos aspectos materiais. "A Polícia Federal e peritos da Polícia Civil trabalham com um PhD formado nos Estados Unidos, que cuida especificamente da identificação de digitais."

Já o deputado Marcelo Freixo (PSOL) mostrou desagrado com as declarações de Jungmann. "Não cabe a nenhum ministro ou político falar da investigação; qualquer informação dessas atrapalha."

Segurança Pública
No RJ, Assembleia  terá que devolver policiais
A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro requereu  o retorno de 87 policiais militares que estavam cedidos à Assembleia Legislativa. Inicialmente a informação foi de que, entre os PMs, estariam dois homens que fazem a escolta pessoal do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Mas o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que 40% do efetivo será mantido na Assembleia, o que deve incluir a escolta de Freixo.
O deputado é ameaçado de morte há dez anos depois de ter presidido a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias, pela qual foram indiciadas mais de 200 pessoas e que resultou na prisão de líderes miliciados, o que lhe rende ameaças até hoje.

Antes da manifestação de Raul Jungmann, Freixo afirmou que iria se reunir com o secretário de Segurança, General Richard Nunes, para tratar do assunto. “Não é possível que haja polêmica sobre isso. Tenho certeza de que o bom senso irá prevalecer. Depois de dez anos, adoraria viver sem segurança, ter minha vida normal restabelecida, mas não é o caso nesse momento, me parece óbvio“, afirmou o deputado.

Ele se refere à suspeita de que milicianos são responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), que trabalhou no seu gabinete desde a época da CPI. Marielle foi executada dia 14 de março. O motorista de seu carro, Anderson Gomes, também morreu. Essa linha de investigação é a principal até agora, confirmou nesta segunda-feira, 16, o ministro da Segurança pública, Raul Jungmann.

“A CPI das Milícias não foi brincadeira, não acabou em pizza. O que fizeram com a Marielle mostra que é muito sério o que estamos vivendo no Rio de Janeiro. O relatório da CPI é atual, as recomendações não foram seguidas”, afirmou o deputado. Freixo tem também seguranças de outras origens que não a PM.


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