Minhas livrarias em Nova York (II)

Publicação: 2017-03-19 00:00:00 | Comentários: 0
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Marcelo Alves Dias de Souza
Procurador Regional da República
Doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL
Mestre em Direito pela PUC/SP

Na semana passada conversamos aqui sobre algumas livrarias e sebos da região mais ao sul da ilha de Manhattan, também chamada de “downtown” Nova York.

Hoje, partindo do coração do Greenwich Village, iremos um pouquinho mais para o norte, mas ainda em “downtown”, para tratarmos de livrarias que se acham ao derredor da animada Union Square. Por aquelas bandas, que é uma região agradabilíssima, bastante central e movimentada, cheia de restaurantes e de lojas, por onde passam várias linhas de metrô, tenho pelo menos quatro dicas de comércios de livros.

A primeira delas é a pequenina “Alabaster Bookshop”. Fica ao sul da Praça da União, no número 122 da 4ª Avenue, entre as 12ª e 13ª Streets (metrô Union Square), precisamente onde outrora existiu o histórico “book row” de Nova York, que chegou a ter quarenta e oito comércios de livros em pleno funcionamento. Vende livros usados e raros. É, portanto, basicamente, um sebo. Mas é muito bom. Foi lá que encontrei um livro que procurava em inglês fazia tempo (claro que poderia tê-lo comprado pela Internet, via Amazon, mas não teria a mesma graça): “Animal Liberation”, do filósofo australiano Peter Singer (1946-), uma obra que, publicada em 1975, foi seminal no que toca ao tratamento que devemos dar aos nossos amigos não-humanos. Minha edição é de 1977, da Avon Books, em papel-jornal, mas está novinha.

Bem pertinho dali, no mesmo quarteirão, no número 828 da Broadway Avenue, esquina com 12ª Street (metrô Union Square), fica o que eu considero o melhor e maior comércio de livros novos e usados de Nova York: a “Strand Bookstore”. Gigante. Quatro andares de livros ou, como a própria livraria define em suas sacolas de compras, “18 miles of books”. Foi fundada em 1927 por Benjamin Bass, no já desaparecido “book row” da 4ª Avenue, do qual é a última sobrevivente, para vender livros usados. Mudou para o atual endereço em 1957. Em 1988 passou a vender também livros novos. Em 2000 começou a vender livros pela Internet. Possui ainda alguns pequenos quiosques espalhados pela cidade. Pelo que sei, ela continua sendo uma empresa familiar, gerida por Fred e Nancy Bass, respectivamente filho e neta do fundador. Como certa vez disse Katia Zero, no seu “Guia de New York” (edição de 1998 da Makron Books), que me foi muito útil nas primeiras vezes em que estive na “Big Apple”: “Escolha o livro onde for e venha comprá-lo aqui. O maior depósito de livros de segunda mão dos Estados Unidos. Dezoito milhas de prateleiras abrigam mais de dois milhões de volumes usados, review copies, os tais volumes dados aos jornalistas que escrevem críticas etc. Dos enormes volumes de arte e decoração até brochuras encontra-se aqui com 30 a 50% de desconto. Até mapas e guias do ano têm descontos. Preciosos volumes da biblioteca de Delfim Neto foram, em parte, comprados aqui”. Desta última vez em Nova York, estivemos várias vezes na “Strand”. Nem dá para precisar aqui o que comprei. Mas só na minha frente agora tenho títulos como “A History of American Law” (de Lawrence M. Friedman, Simon & Schuster Inc., 1985), “Great Decisions of the U.S. Supreme Court” (editado por Maureen Harrison e Steve Gilbert, Barnes & Noble Books, 2003), “American on Trial: Inside the Legal Battles that Transformed our Nation” (de Alan M. Dershowitz, Warner Books, 2004), “The American Judicial Tradition: Profiles of Leading American Judges” (de G. Edward White, Oxford University Press, 2007) e “The Handy Supreme Court Answer Book” (de David L. Hudson Jr., Visible Ink Press, 2008). Todos grandões e novinhos, o mais barato custando seis dólares, o mais caro treze. Voltaria lá, na “Strand”, tanto quanto possível.

Do lado oposto da praça (refiro-me à Union Square), ao norte, vizinho a um grande pet shop (“Petco Animal Supplies”), fica mais uma loja da “Barnes & Noble”. O endereço preciso é 33 East 17ª Street (metrô Union Square). Como de estilo com as “B&N”, ela é enorme. E se você procura por livros novos, num ambiente superorganizado – tudo o que a “Strand” não é –, e por um bom café, esse é o lugar.

Por fim, mais para cima, já nas abas da “midtown”, a dois passos do Madison Square Park e do curioso Flatiron Building (o “ferro de engomar”), no número 1133 da Broadway Avenue (metrô 28ª Street Broadway ou 23ª Street), temos a famosa “Rizzoli Bookstore”, que – especializada em arte, arquitetura, design, fotografia, culinária, línguas e literatura – por mais de cinquenta anos tem estado na vanguarda das livrarias independentes de Nova York. É verdade que esta é uma nova loja, que substitui a saudosa loja da 57ª Street. Mas esta nova “Rizzoli”, ainda chique e sofisticada, tem o seu charme.

Isso sem falar que a “Rizzoli” fica muito pertinho do Eataly NYC Flatiron, onde podemos dar uma parada para uma boa massa e, sobretudo, alguns bons vinhos.

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