Ministério da Saúde quer 1ª vacina no dia 19

Publicação: 2021-01-14 00:00:00
O Ministério da Saúde planeja o começo da vacinação contra a covid-19 no País em um evento no Palácio do Planalto, apesar de o próprio presidente Jair Bolsonaro afirmar que não pretende ser imunizado. A ideia é realizar a primeira imunização no País na próxima terça-feira, data em que governadores devem estar em Brasília para participar de reunião com o ministro Eduardo Pazuello. "Brasil imunizado, somos uma só nação" é o slogan planejado para a cerimônia, que ainda não foi confirmada.

Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência BrasilMinistro Eduardo Pazuello vai reunir os governadores na próxima terça-feira (19) e quer aplicar as primeiras doses da vacinaMinistro Eduardo Pazuello vai reunir os governadores na próxima terça-feira (19) e quer aplicar as primeiras doses da vacina

A proposta é vacinar uma pessoa idosa e um profissional de saúde O Palácio do Planalto afirma que ainda não há cerimônia prevista, mas o assunto está em discussão no Ministério da Saúde, com o aval do ministro Pazuello. O secretário executivo da pasta, Élcio Franco, disse nesta quarta-feira que o início da vacinação está planejado para ocorrer simultaneamente em todas as capitais de 3 a 5 dias após o aval da Anvisa, que pode ocorrer no próximo domingo.

O evento no Planalto também tem como objetivo evitar que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seja protagonista na primeira foto de alguém sendo vacinado no País. O início da imunização tornou-se uma queda de braço entre Bolsonaro e o tucano, que há mais de um mês anunciou o início da imunização em seu Estado no dia 25 de janeiro.

A definição de uma data pressionou o governo federal a correr para não ficar para trás e tentar evitar que Doria, adversário político de Bolsonaro, lucre politicamente com o episódio.

A ideia do ministério é ter pelo menos 8 milhões de doses disponíveis ainda no fim de janeiro para a vacinação, sendo 2 milhões de Oxford/AstraZeneca, que estão sendo importadas da Índia, e 6 milhões da Coronavac, já armazenadas pelo Butantã. No total, Pazuello afirma que o País terá 354 milhões de doses em 2021, sendo que a imunização exige duas aplicações.

O ministério informou que um avião da companhia Azul sairá do Brasil hoje com destino a Mumbai, na Índia, para buscar as 2 milhões de doses da AstraZeneca no laboratório Serum. A carga é estimada em 15 toneladas. A aeronave partirá do Recife às 23 horas e a previsão de retorno é no próximo sábado. A volta será pelo aeroporto do Galeão, no Rio, cidade onde as doses ficarão armazenadas. "É o tempo de viajar, apanhar e trazer. Já estamos com todos os documentos de exportações prontos", disse o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ontem em Manaus.

O governo federal é cobrado para antecipar o calendário de vacinação contra a covid-19, além de garantir insumos como agulhas e seringas. Bolsonaro, porém, já afirmou que não irá se vacinar contra a covid-19. Ele também não estimula o uso do imunizante e chega a fazer consultas informais entre seus apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, para mostrar que parte da população deve segui-lo. Pelas suas contas, metade da população não irá se vacinar.

Ainda na capital do Amazonas, Pazuello foi mais preciso quanto à data para início da aplicação da doses nos brasileiros. "Temos duas vacinas para janeiro, muito promissoras, oito milhões de doses. Quando a Anvisa concluir sua análise, 3, 4 dias depois estamos distribuindo a vacina no Brasil. Ponto. Anvisa vai se pronunciar no dia 17. Botem aí os números para frente. Se a Anvisa alongar para o dia 20, 22, botem os números para frente, mas é janeiro", disse.

O prazo, segundo a pasta divulgou ontem em entrevista coletiva à imprensa, é necessário para que as doses sejam divididas em lotes e enviadas para as maiores cidades de cada Estado, de forma que "ninguém fique para trás" (leia mais sobre o assunto na página 5).